ARCEBISPOS ANTERIORES
dom josé palmeira lessa (1998-2017)
3º Arcebispo Metropolitano | ☼ 1942

Nasceu em Coruripe-AL, aos 18 de janeiro de 1942. Ordenado sacerdote em 03 de julho de 1968, foi eleito Bispo Titular de Sita e Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1982, e sagrado em 24 de agosto de 1982. Foi transferido para Diocese de Propriá aos 30 de outubro de 1987. Elevado Arcebispo Coadjutor em 6 de dezembro de 1995, tomada de posse em 25 de março de 1996. Elevado a Arcebispo Metropolitano de Aracaju em 26 de agosto de 1998. Renuncia (por idade) em 18 de janeiro de 2017.

Atividades exercidas durante o episcopado:

Bispo Auxiliar no Rio de Janeiro, RJ (1982-1987); Acompanhante da Pastoral da Juventude do Regional Leste 1; Bispo responsável pelas Pastorais da Família, das Domésticas, dos Trabalhadores e também dos Movimentos da Arquidiocese do Rio de Janeiro; Bispo assistente dos Vicariatos Norte, Leopoldina e Oeste da Arquidiocese do Rio de Janeiro (1982-1987); Administrador Apostólico de Propriá (1995-1997); Bispo de Propriá, SE (1987-1995); Bispo responsável pela Cáritas do NE3; Foi também membro do Conselho Diretor Nacional do MEB; Coadjutor em Aracaju (1996-1998) e como Arcebispo Metropolitano; Vice Presidente do Regional NE 3; Presidente do Sub-Regional 2 do NE 3 por 2 mandatos.

Atividades exercidas antes o episcopado:

Formador no Seminário Menor do Rio de Janeiro, RJ; Prefeito, Professor, Diretor Espiritual, Pároco; Membro do Conselho Presbiterial; Coordenador de um Setor Pastoral (13 paróquias); Vigário Episcopal; Coordenador do Secretariado de Pastoral da Arquidiocese.

Estudos realizados 

1. Ensino médio: Seminário Arquidiocesano de São José, Rio de Janeiro, RJ (1959-1961).

2. Ensino fundamental e básico: Seminário Arquidiocesano de São José, Rio de Janeiro, RJ (1955-1958)

3. Especialização: Bacharelado em Teologia, curso de Pastoral com pequena tese na São Tomas.

4. Teologia: Seminário Arquidiocesano de São José, Rio de Janeiro, RJ (1965-1968).

5. Filosofia: Seminário Arquidiocesano de São José, Rio de Janeiro, RJ (1962-1964).

6. Outros cursos: Pastoral e Espiritualidade, em Roma / Itália.

 
DOM LUCIANO Cabral Duarte (1971-1998)
2º Arcebispo Metropolitano | ☼ 1925 †2018

Com o falecimento de Dom José Vicente Távora, em 1970, Dom Luciano José Cabral Duarte, que já exercia as funções de Bispo Auxiliar, foi nomeado pelo Papa Paulo VI, o 2º Arcebispo Metropolitano de Aracaju.

Ainda como Bispo Auxiliar de Aracaju, na condição de Diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, como membro do Conselho Estadual de Educação de Sergipe, especificamente como Presidente da Câmara de Ensino Médio e Superior, e, posteriormente, como membro atuante do Conselho Federal de Educação, notabilizou-se pela maneira como se empenhou pela criação da Universidade Federal de Sergipe. Sua presença atuante foi deveras marcante para o advento da Universidade, inclusive incorporando-lhe a Faculdade Católica de Filosofia, a Faculdade de Serviço Social e o Colégio de Aplicação, este último por ele mesmo fundado. Atuação como Arcebispo:

1) Incrementou o cultivo das vocações sacerdotais, criando em toda a Arquidiocese um clima, como ele sempre afirmava, de sensibilidade vocacional. Compôs e ordenou que fosse rezada em todas as Missas a Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas, ainda hoje rezada em toda a província eclesiástica de Aracaju.

2) Criou várias paróquias na Capital e no interior.

3) Através de suas homilias e sermões, especialmente durante a Semana Santa e horas católicas, doutrinava e encantava seus ouvintes pelo brilho de sua palavra.

4) Ordenou vários sacerdotes, frutos de seu trabalho pelas vocações sacerdotais.

5) Pouca gente sabe, mas é digno de menção o esforço empreendido por Dom Luciano junto ao Ministério da Previdência Social para que as empregadas domésticas de Aracaju, de Sergipe e do Brasil, pudessem usufruir dos benefícios do Instituto de Previdência e Seguridade Social.

6) Nesta mesma dimensão, fundou a Escola João XXIII, na Vila João Costa, para recuperação de mulheres marginalizadas e o Centro Educacional BEM-ME-QUER, na rua São Cristóvão, para filhos de Domésticas.

7) Transferiu o Seminário Menor para o Bairro Industrial, onde ainda hoje se encontra.

8) Recuperou a posse dos conventos Nossa Senhora do Carmo e São Francisco, em São Cristóvão, fundando, neste último, o Museu de Arte Sacra de Sergipe, onde se encontra o acervo valioso de imagens e objetos sacros, legados preciosos das gerações passadas que, hoje, estão preservados graças à instituição do referido Museu.

9) Transformou o Convento São Francisco em centro de encontros de evangelização e estudos sociais.

10) Já o Convento do Carmo ele entregou às Irmãs Beneditinas que, até pouco tempo, nele instalaram o Mosteiro Beneditino Nossa Senhora da Vitória.

11) Outro ponto marcante na atuação de Dom Luciano foi a resolução tomada por ele, juntamente com os Bispos de Estância e de Propriá, para a fundação do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, com o objetivo de facilitar a formação dos sacerdotes para a Arquidiocese de Aracaju e para as dioceses sufragâneas.

12) Entre as iniciativas altamente benéficas de Dom Luciano, registre-se a presença da Comunidade SHALOM entre nós. Não só pela direção da Rádio Cultura que lhe foi entregue, desde 1992, como também por sua atuação na evangelização, através dos constantes encontros, que são promovidos pelos membros da comunidade, visando à formação humana da juventude e das famílias.

13) Acolheu e estimulou também a fundação, em Aracaju, da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa - ADCE, visando à divulgação dos princípios da Doutrina Social da Igreja entre os empresários, para que exista um fraterno relacionamento entre empregadores e empregados, dentro dos sadios princípios da Doutrina Social da Igreja.

Para que se tenha uma idéia da ação da ADCE em Aracaju, posso citar a realização de 21 encontros de reflexão, atingindo, mais ou menos, 500 empresários e 5 encontros de reflexão, para funcionários, abrangendo cerca de 400, que saem cientes de que patrões e empregados não devem viver em antagonismo, porém irmanados, tendo como fundamento os princípios da fé, da justiça, da verdade, da solidariedade e do amor ao trabalho para que, juntos, construam uma sociedade fraterna, próspera e pacífica.

14) Para facilitar o acesso da comunidade à programação da Rede Vida de Televisão, empreendeu uma campanha em prol da instalação de uma torre repetidora em Aracaju.

15) Para mostrar concretamente a viabilidade da reforma agrária e, concomitantemente, da criação de empregos para as pessoas não alfabetizadas ou de pouca instrução, que não possuíam terra para trabalhar, Dom Luciano empreendeu uma bem sucedida experiência de reforma agrária em Sergipe. Contando com a colaboração dos governadores da época, como Dr. Lourival Batista, Dr. Paulo Barreto de Menezes e Dr. João Garcez e, ainda da Misérior, instituição alemã, e até da maçonaria de Aracaju, a Loja Cotinguiba, Dom Luciano José Cabral Duarte, ainda como Bispo Auxiliar e, a partir de 1971, como Arcebispo Metropolitano de Aracaju, conseguiu recursos e comprou grandes propriedades: duas no município de Maruim, uma em Santo Amaro das Brotas, uma em Santa Rosa de Lima, uma em Carmópolis e uma em Divina Pastora. Essas 06 propriedades foram divididas em lotes de 33 tarefas (dez hectares) e nelas foram assentadas 261 famílias. Antes e depois de instalados, os chefes de família eram treinados e orientados para o cultivo da terra e tornaram-se pequenos agricultores e criadores de gado. Muitos deles, hoje, possuem transporte próprio e até casa em Aracaju. Esta melhoria de vida dos participantes do projeto justifica plenamente o nome PROCASE - Promoção do Homem do Campo de Sergipe, que, ao longo de sua existência, entre 1968 e 1988, beneficiou cerca de 5.000 pessoas.

Trata-se de uma iniciativa-modelo que poderia muito bem servir de orientação para os nossos governantes Nacionais, Estaduais e Municipais, para que promovam a verdadeira reforma agrária justa e produtiva, precedida, como aconteceu com a PROCASE, pela criteriosa escolha de quem quer, de fato, trabalhar e pela necessária preparação para o correto uso da terra que lhe foi doada.

Assim, a terra é dividida e quem não tem preparo para outras atividades, ou não consegue emprego em outras áreas, acaba tendo uma ocupação, diminuindo, com isso, os altos índices de desemprego, o grande mal da Nação Brasileira, que tem feito tantos dos nossos irmãos caírem na marginalidade.

Fonte: Livro Presença Participativa da Igreja Católica nos 150 anos de Aracaju – Monsenhor José Carvalho

 
 
Dom josé Vicente Távora (1958-1970)
1º Arcebispo Metropolitano | ☼ 1910   †1970

Com a transferência de Dom Fernando Gomes dos Santos para a Arquidiocese de Goiânia-GO, em 15 de maio de 1957, Aracaju foi agraciada com a presença do seu 3º Bispo Diocesano, Dom José Vicente Távora, em 1958, que continuou os projetos de seus antecessores.

1) Concretizou o plano da criação e instalação das Dioceses de Estância e Propriá, elevando, conseqüentemente, Aracaju à condição de Arquidiocese, em 1960. Por conseguinte, Dom José Vicente Távora que era o 3º Bispo de Aracaju, tornou-se o seu 1º Arcebispo Metropolitano.

2) Adquiriu o terreno e construiu a sede própria do SAME, no Bairro Industrial, onde até hoje funciona.

3) Dedicou-se de corpo e alma à formação dos leigos engajados na vida da Igreja, na Ação Católica especificamente na Juventude Operária Católica (JOC).

4) Fundou, aos 21 de novembro de 1949, a Rádio Cultura de Sergipe que, até a chegada da televisão a Aracaju, foi líder absoluta de audiência e grande formadora de opinião.

5) Fundou o Movimento de Educação de Base (MEB), que não só beneficiou uma boa parte da população de Aracaju, ainda analfabeta, como especialmente do interior, com as escolas radiofônicas espalhadas em quase todos os povoados de Sergipe. Pelo MEB, a população carente era não só alfabetizada, mas também conscientizada de seus direitos e deveres, razão pela qual muitas incompreensões surgiram com o advento do poder militar, apartir de 1964.

6) Apoiou a fundação da Congregação das Irmãs Terezinhas dedicada à educação e à evangelização cuja sede se encontra na Colina de Santo Antônio, nesta Capital, atuando em Aracaju, em algumas cidades do interior de Sergipe, em outros Estados brasileiros e, inclusive, com uma casa na África.

7) Na condição de Presidente da Fundação Dr. Manuel Cruz, colaborou efetivamente com a saudosa Irmã Protísia Waltering colocando à sua disposição o prédio da referida Fundação, situado na Av. João Ribeiro, 846, para a instalação do Hospital São José, onde hoje ainda funciona, entregue às Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus que, desde 1926, vinham prestando relevantes serviços à população de Aracaju e de Sergipe no Hospital Cirurgia.

8) Fundou também a Casa da Empregada Doméstica, na Rua de Propriá, e a Creche que leva o seu nome, na Praça da Bandeira.

9) Ressalte-se ainda como grande contribuição para o bem de Aracaju, a iniciativa de Dom Távora em reconduzir os beneméritos frades Capuchinhos,instalando-os no Bairro América, onde fundaram a Escola Santa Rita de Cássia, onde se empenharam pela instituição da Polícia Comunitária e onde construíram o Santuário São Judas Tadeu, para onde converge grande parte da comunidade, a fim de receber os sábios conselhos e a absolvição de seus pecados, através do grande confessor, o venerando Frei Miguel. Este, na altitude de seus 96 anos de vida, ainda encanta, com sua simplicidade e grande capacidade de acolhimento, a todos os que o procuram, e voltam de lá com a consciência limpa e com a disposição de viver em paz com Deus e com os irmãos.

10) Implantou, em quase todos os municípios sergipanos, os sindicatos rurais. Com esta iniciativa, desejava que os trabalhadores rurais unidos tivessem mais condições de reivindicar os seus direitos e fossem mais fiéis no cumprimento de seus deveres.

11) Permitiu que o Pe. José Carvalho de Sousa, na época, reitor do Seminário Diocesano, fundasse, em 1960, o Colégio Arquidiocesano “S. Coração de Jesus”, no mesmo prédio que sediara, em 1913, o Seminário Diocesano, na Praça Camerino, 181. O Colégio Arquidiocesano “S. Coração de Jesus”, desde a sua fundação, vem sendo uma instituição de ensino voltada a oferecer todas as condições necessárias, para que seus alunos sejam homens e mulheres capazes, dignos e fiéis seguidores de Jesus Cristo. É um estabelecimento onde se faz a verdadeira inclusão social. Ao lado de jovens procedentes de famílias de classe alta e média, estudam também crianças e jovens originários de famílias modestas que, mediante bolsas de estudo integrais ou parciais, recebem a mesma formação de excelente qualidade e muitos deles, hoje, ocupam postos de destaque em vários setores da vida profissional e política em Sergipe e em outros Estados da Federação.

Para mostrar a amplitude da ação social do Colégio Arquidiocesano, é bastante considerar que, em razão de ser uma instituição de educação sem fins lucrativos, de 1998 até o ano de 2005, já ofereceu a jovens carentes a importância de R$9.370.050,61 (nove milhões, trezentos e setenta mil, cinqüenta reais e sessenta e um centavos), assim distribuídos.

 
2º bispo | ☼ 1910   †1985
Dom Fernando Gomes dos Santos (1949 - 1957)

Com o falecimento de Dom José Thomaz Gomes da Silva, no dia 31/10/1948, o Papa Pio XII, gloriosamente reinante, transferiu da Diocese de Penedo-AL, o jovem Bispo Dom Fernando Gomes dos Santos para a Diocese de Aracaju, a fim de dar continuidade à obra benemérita de seu grande antecessor, Dom José Thomaz.

Vivendo intensamente o seu lema episcopal: Predica Verbum = Prega a Palavra (2 Tim 4, 2), dedicou-se, de corpo e alma, às visitas pastorais em todas as paróquias e capelas da Capital e do interior, empreendeu a reforma do prédio do Seminário e incrementou o cultivo das vocações sacerdotais.

Para isso, fundou em todas as paróquias e capelas de todo o Estado de Sergipe núcleos das vocações sacerdotais, esclarecendo os párocos e os fiéis da necessidade urgente do surgimento de numerosas vocações do seio da própria comunidade.

Tornou-se célebre o pensamento com o qual ele motivava os párocos a cultivarem as vocações sacerdotais: “Nas mãos dos párocos de hoje estão os sacerdotes de amanhã e os padres de amanhã serão os continuadores dos párocos de hoje”.

A influência de Dom Fernando Gomes em Aracaju foi notável:

Contribuição Política

Além do cuidado com a formação dos seus futuros sacerdotes, influenciou no aprimoramento da elite política do Estado.

Eqüidistante dos partidos políticos, sobre eles influenciava através de inúmeras circulares, estimulando-os a escolherem e apresentarem ao eleitorado candidatos aptos à defesa da família, dos bons costumes, da justiça, da liberdade, pessoas capazes e dignas de se empenharem, de verdade, na promoção do bem comum.

Encontro Regional dos Bispos do Vale do São Francisco

Digno de nota foi o Encontro Regional dos Bispos do Vale do São Francisco e da Zona de Influência da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso,realizado por Dom Fernando Gomes, em Aracaju, no Auditório da Ação Católica, no prédio, hoje, ocupado pela Comunidade SHALOM, anexo à Rádio Cultura, na rua Propriá, de 25 a 28 de agosto de 1952.

A cidade de Aracaju ficou perplexa com a presença de tantos bispos. Entre eles, o Núncio Apostólico, Dom Carlos Chiarlo, Dom Augusto Álvaro e Silva, Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, posteriormente, Cardeal; Dom Ranulfo da Silva Farias, Arcebispo Metropolitano de Maceió, a cuja metrópole estava ligada a Diocese de Aracaju, e ainda outros Arcebispos e Bispos, somando um total de 22.

Para apresentar ao povo da região os benefícios advindos da presença da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso compareceram numerosos técnicos e diversas autoridades interessadas nos temas desenvolvidos.

Projeto de Dom Fernando

Era desejo de Dom Fernando Gomes que a energia produzida pela CHESF fosse utilizada, preferencialmente, pela população da região para acionar o desenvolvimento de todos os municípios ribeirinhos tornando-os, pela irrigação, produtores de frutas e legumes para abastecerem o Nordeste e o Brasil e também para que os nordestinos tivessem trabalho em abundância.

Assim, ele pensava também, na fixação dos nordestinos no Nordeste sem que viessem a migrar para o Sul, onde nem sempre são bem sucedidos.

Então, a água do São Francisco e a eletricidade por ela produzida seriam, na visão de Dom Fernando, a redenção do Nordeste brasileiro.

O que Dom Fernando Gomes sonhava para todos os municípios ribeirinhos aconteceu e continua acontecendo em Petrolina-PE, graças ao incentivo e à influência de Dom Avelar Brandão Vilela que, em conversa comigo, várias vezes, referiu-se às suas audiências com Nilo Coelho, o Governador de Pernambuco, na época, a fim de convencê-lo da importância da agricultura e da fruticultura irrigadas no sertão pernambucano.

O próprio Bispo, Dom Avelar, chegou a comprar e a oferecer bombas hidráulicas aos fazendeiros ribeirinhos, em Petrolina, para mostrar-lhes e convencê-los da viabilidade do projeto.

O sucesso das primeiras experiências influenciou outros e, afinal, os resultados lá estão para convencimento de todos os descrentes.

É profundamente lamentável que outros não tenham procedido do mesmo modo e, hoje, lamentemos a ameaça do próprio Governo Federal ao querer, a todo custo, desviar parte das águas do São Francisco para outros Estados, vindo a prejudicar enormemente os Estados de Sergipe e Alagoas, localizados no baixo São Francisco.

Todos os outros estados nordestinos têm condições de, pela perenização de seus rios e riachos temporários, armazenar as águas advindas das trovoadas e do próprio inverno, para que, por custo muito menor, tenham também água em abundância para a população, para os rebanhos e para a irrigação.

Com esta reflexão, desejo mostrar que o milagre de o sertão estar produzindo uvas começou em Aracaju, no encontro dos bispos da região do São Francisco, porque Dom Avelar levou daqui, do encontro dos bispos, em agosto de 1952, o sonho de Dom Fernando, para tornar-se realidade em Petrolina, onde exercia o cargo de Bispo Diocesano.

É pena que outros participantes do encontro não tenham feito o mesmo. Ainda é tempo de agir. Basta o despertar do sono...

Por uma questão de justiça, ressalto aqui o idealismo e as ações concretas do Governador João Alves Filho ao implantar o Projeto Califórnia, o Platô de Neópolis e construir barragens no rio Piauí, em Lagarto, no rio Real, em Tobias Barreto, Jacarecica I, em Itabaiana, Jacarecica II, em Malhador, Areia Branca e Riachuelo, Porção da Ribeira, em Itabaiana, além de outros projetos em andamento.

Assim, no presente, mesmo sem o saber, está realizando o que Dom Fernando Gomes jásonhava em 1952.

Desculpe-me, leitor amigo, por esta digressão que, a meu ver, é oportuníssima para eclesiásticos, governadores, prefeitos e empresários das margens do São Francisco.

Vamos dar continuidade às ações benéficas de Dom Fernando Gomes, agora, no item 4.1.4.

Fundação do SAME

Na época de Dom Fernando, as ruas de Aracaju estavam cheias de mendigos. Eram irmãos nossos, vindos do interior e de outros estados nordestinos, em busca da sobrevivência em Aracaju.

O Bispo, no desejo de minorar o sofrimento de tantas pessoas, homens, mulheres e crianças, chamou a atenção da comunidade aracajuana e, com a adesão do comércio, na pessoa de seu ilustre representante, o Sr. Gaspar Fontes, o primeiro Presidente do SAME, e das autoridades, no dia 15de agosto de 1949, inaugurou o Serviço de Assistência à Mendicância - SAME.

Esta entidade beneficente funcionou, inicialmente, em um prédio ocupado anteriormente pelo 28º Batalhão de Caçadores, na Rua de Geru, onde está construído o Edifício Estado de Sergipe, e onde funciona a Matriz do BANESE.

Faculdade Católica de Filosofia

Para a boa formação das novas gerações são necessários professores bem formados, dizia Dom Fernando, lamentando por Aracaju ainda não possuir um centro de formação superior para professores. Eis, pois, Dom Fernando Gomes empenhado na Fundação da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, cuja direção entregou ao, então, Padre Luciano José Cabral Duarte. E toda a comunidade aracajuana começou a contar com a presença e com os serviços prestados pelos professores formados na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, devidamente habilitados para transmitir às novas gerações os conhecimentos adquiridos, dentro das normas pedagógicas. A Faculdade funcionou, nos seus primórdios, no antigo Colégio Nossa Senhora de Lourdes.

Posteriormente, Pe. Luciano, seu Diretor, construiu o novo prédio e a transferiu para a Rua de Campos, onde funcionou até ser incorporada e transferida para o Campus da UFS.

Faculdade de Serviço Social

Além da Faculdade Católica de Filosofia, Dom Fernando Gomes trouxe para Aracaju as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, às quais entregou o economato do Seminário Diocesano e deu-lhes o devido apoio para a fundação e funcionamento da Faculdade de Serviço Social.

Centenário de Aracaju

Quando, em 1955, Aracaju celebrou o seu Centenário de fundação, Dom Fernando Gomes, contando com a concordância e a total colaboração do Prefeito da Capital, Dr. Jorge Maynard, e do Governador do Estado da época, Dr. Leandro Maciel, arregimentou e motivou toda a população para prostrar-se, genuflexa, diante de Jesus, presente na Eucaristia, a fim de que, por Ele e Nele, agradecesse a Deus o grande presente de nossa acolhedora Capital.

Não participei, pessoalmente, desse grande certame de fé e agradecimento a Deus, porque me encontrava em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, cursando o penúltimo ano de Teologia. Porém acompanhei o Congresso,realizado na Praça da Bandeira, através de “A CRUZADA”, jornal semanário da Diocese.

Preparação para a Criação das Dioceses de Estância e de Propriá

Ciente de que não era possível um só Bispo evangelizar todo o Estado de Sergipe, Dom Fernando Gomes iniciou os preparativos para a criação das Dioceses de Estância e de Propriá.

Sendo transferido, em 1957, para a Arquidiocese de Goiânia, com a incumbência de preparar a fundação da Arquidiocese de Brasília, coube ao seu sucessor a concretização dos seus objetivos:

a) Sergipe ser melhor evangelizado;

b) Aracaju ser elevada à categoria de Arquidiocese.

Fonte: Livro Presença Participativa da Igreja Católica nos 150 anos de Aracaju – Monsenhor José Carvalho

 
Dom José Thomaz Gomes da Silva (1911-1948)
1º Bispo| ☼ 1873  † 1948

Eleito no dia 12 de maio do ano de 1911. D. José Thomas Gomes da Silva, foi recebido com todas as honrarias, não só pelo clero mais pelos políticos locais e membros da sociedade. Uma explicita demonstração de como seria a estadia do bispo no Estado.

Passada as comemorações, dois dias depois, o bispo D. José Thomas Gomes da Silva deu início ao trabalho de reestruturação da Igreja local, participando, dessa forma, do projeto nacional de reforma do clero. D. José começou seu oficio fazendo as devidas nomeações para composição de sua diocese. Depois, fundou um boletim, meio pelo qual ele informava aos padres e paroquianos tudo que estava acontecendo com a igreja em nível mundial e nacional, além de informações acerca de sua administração, pois era nessa publicação que D. José Thomas fazia as devidas cobranças, tanto financeiras como espirituais e morais.

Visitas pastorais e criação de paróquias também foram atitudes importantes no tocante à ampliação dos domínios da Igreja, sem contar com a relação desenvolvida por D. José com os governantes do Estado e com os representantes da elite econômica e intelectual local. O bispo agiu como um estrategista, inseminando os preceitos da igreja em toda a sua circunscrição.

Dentre os fatos que marcaram o seu bispado está o auxilio material e espiritual dado aos estabelecimentos escolares e assistenciais, a exemplo do Instituto Bento XV, do Ginásio Nossa Senhora das Graças, da cidade de Propriá, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, do Ginásio Patrocínio de São José em Aracaju, do Orfanato da Imaculada Conceição, do Oratório Festivo São João Bosco, fundado por Genésia Fontes, a D. Bebé, e da Associação Santa Zita, destinado a menores carentes.

Outro aspecto a ser considerado na atuação de D. José Thomaz, está relacionado à obtenção de patrimônio para a Diocese. Com a falta de subsídios do Estado, a Igreja teve que dispor de seus próprios recursos para sua manutenção. Como cada diocese tinha por obrigação se manter, a aquisição de patrimônio, era algo necessário. Daí a construção de uma Comissão composta de várias personalidades sergipanas, pessoas de posse e de cargos importantes no Estado, membros de uma elite econômica, a começar pelo presidente do Estado, o general José de Siqueira Menezes, a quem o bispo designou presidente de honra; o desembargador Zacarias Horácio dos Reis foi nomeado vice-presidente; o primeiro secretário era o coronel Antonio Gomes da Cunha Júnior; o segundo secretário, o major Luiz José da Costa Filho; e, como tesoureiro, fora designado Manoel Teixeira Chaves de Carvalho. Como procurador geral, o bispo escolheu o desembargador Antonio Teixeira Fontes. Nomes como os de Alexandre Lobão, Amintas Guaraná, major rsênio Araújo, o médico Augusto Leite, Augusto Mattos, Aurélio do Prado Vieira, Benjamin Mendonça, coronel Félix Pereira de Azevedo, Francisco C. Nobre de Lacerda, o cônego Francisco Gonçalves Lima, Guilherme Nabuco, o médico Helvécio de Andrade, Euvidio Velbo, João Antonio de Oliveira, o desembargador João Maynard, padre João Victor de Mattos, José de Araújo Cardoso, o coronel José da Silva Ribeiro, José Moreira de Magalhães, o desembargador Manoel Caldas Barreto, o professor Manoel Francisco A. de Oliveira, Nelson Vieira, o desembargador Simeão Sobral e Silvio Motta compunham o quadro de membros da referida comissão. Mas o presidente efetivo desta, era o padre Manuel Raymundo de Melo, que também fora nomeado o primeiro reitor do Seminário criado por D. José Thomas. (LIVRO DE REGISTRO DO SEMINÁRIO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, 1913-1948, p.2).

O fato, porém, que mais marcou o bispado de D. José Thomaz, foi à criação do Seminário Sagrado Coração de Jesus. Foi através dele que o bispo, efetivamente, cumpriu com a missão de ampliação dos domínios da Igreja e de reforma do clero. Através do Seminário, a Igreja local ganhou repercussão nacional e a Igreja nacional pôde contar, muitas vezes, com muitos dos seus quadros.

A criação da Diocese e a implantação de seu Seminário significaram, além da restrição do campo de atuação dos protestantes e dos espíritas, a retomada de uma certa estabilidade que parecia estar se perdendo. O Seminário, por sua vez, implantado em 1913, representou não só a manutenção e a ampliação do número de clérigos, mas uma escola que educou e “formou” muitos sergipanos.

Fonte: http://iaracaju.infonet.com.br/serigysite/

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