O Novo Testamento: os Evangelhos


A palavra “Evangelho” é derivada do grego “euaggelion”, que por sua vez seria uma tradução do hebraico “besorah” que significa “anúncio de boas novas”. Anúncio também de vitória. Para nós cristãos, é a “Boa Nova” de Jesus Cristo, o Reino de Deus que Ele nos traz. A mais bela mensagem que o mundo poderia conhecer. A vitória Dele sobre o mundo, sobre o pecado, sobre todo o mal e sobre a morte.

Evangelho é a doutrina e a história de Jesus Cristo. É cada um dos quatro livros principais do Novo Testamento (Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João). Por sua vez, evangelizar é o ato de divulgar a mensagem de Cristo, enquanto evangelista é o autor de qualquer dos quatro livros do Evangelho.

Os três primeiros Evangelhos, conforme a ordem acima descrita, são chamados de “sinóticos”. Evangelhos sinópticos ou Evangelhos sinóticos é um termo que designa, portanto, os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas por conterem uma grande quantidade de narrativas em comum, na mesma sequência, e algumas vezes, utilizando exatamente a mesma estrutura de palavras. O termo “sinótico” vem da língua grega com o significado de sin = mesmo e ótica = olhar. Pode-se num mesmo olhar ler o texto dos três evangelhos. Isto é, pode-se colocar os evangelhos em três colunas, e perceber as semelhanças ou diferenças dos textos.

O termo Evangelho era usado genericamente para relatar boas notícias a alguém. Foi usado por Jesus, e depois adotado pelos apóstolos que relataram em seus Evangelhos a vida de Jesus como o cumprimento das profecias a respeito do Messias no Antigo Testamento. Ou seja, a vinda do Messias na pessoa de Jesus Cristo era a boa notícia de que todas as promessas a respeito da salvação do homem estavam se cumprindo.

Como lembra Wilfrid J. Harrington: “O Novo Testamento difere do Antigo em muitos aspectos importantes, mas, como o Antigo Testamento, está estritamente ligado à vida e desenvolvimento de um povo, o novo povo de Deus: a Igreja Primitiva” (Chave para a Bíblia, Paulus, 2008, p. 21).

No Antigo Testamento, a Lei de Moisés, ou seja, os cinco livros do Pentateuco era a parte mais importante para os judeus, do mesmo modo que os Evangelhos formam a parte mais importante do Novo Testamento para os cristãos. Acredita-se que todo o Novo Testamento tenha se formado no século I da era cristã.

A origem dos Evangelhos está na pregação dos apóstolos de Jesus Cristo. O autor acima citado nos diz: “A obra de um evangelista não era uma responsabilidade privada; na realidade, ele era o último liame de uma cadeia. O Evangelho construído sobre as obras e palavras de Cristo, existiu primeiro na Igreja; e o evangelista, embora ele próprio diretamente inspirado por Deus, era também o porta-voz de uma Igreja guiada pelo Espírito de Deus. Assim, o Novo Testamento, não menos que o Antigo, testemunha a verdade de que a palavra escrita de Deus, como a sua Palavra Encarnada, veio serenamente até nós, crescendo e desenvolvendo-se até o momento de sua manifestação aos homens. Os escritores sagrados eram movidos pelo Espírito de maneira especial, mas a longa preparação que seus labores coroaram foi parte do plano salvífico de Deus, de sua solicitude por seu Povo Escolhido, o antigo e o novo Israel” (2008, p. 21).

Jesus veio a nós, Ele, o Verbo Encarnado, isto é, a Palavra que se fez carne e habitou entre nós, como nos explicita o prólogo do Evangelho de João. Jesus é a pedra angular do Novo Testamento. É o esteio da Boa Nova. O seu anunciador maior. Como ensina Henri de Lubac: “Depois de Jesus Cristo, nada mais temos a aprender ou receber. Fora de Jesus Cristo, nada nos resta a esperar!” (A Escritura na Tradição. São Paulo: Edições Paulinas, 1970, p. 188-189).

Ao longo da história, o plano de salvação foi sendo revelado aos homens pelos “seus servos, os profetas” (Hebreus 1,1), até que na plenitude dos tempos (Gálatas 4,1-5), Jesus veio tirar-nos da condenação da Lei, ratificando o direito do ser humano à vida eterna mediante a Sua graça, justiça e perdão. Diante da condição inerente de pecado do ser humano, Deus anunciou ao longo da história que Ele enviaria o Seu Filho Unigênito para salvar o Seu povo dos seus pecados. É exatamente essa história do plano da salvação que na Bíblia se chama “Evangelho”.

Antes da manifestação de Jesus, os animais sacrificados a Deus pelos patriarcas, e posteriormente no templo de Jerusalém, eram um símbolo evangélico que apontava para o perfeito sacrifício substitutivo de Jesus. A transgressão da Lei de Deus resultou em condenação do transgressor e o preço exigido era a morte eterna (Romanos 6, 23). Porém, Cristo assumiu sobre Si a responsabilidade pelo pecado e ofereceu-se a Si próprio como sacrifício expiatório, “para que todo o que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3, 16). Sua morte, portanto, era a ratificação da promessa de Deus de resgatar e salvar o homem de seus pecados.

Consagrados sempre a Jesus, somos moldados pelo Espírito Santo e transformados à imagem de Deus (2 Coríntios 3,18) para viver uma vida de amor, santidade e obediência aos Seus mandamentos.

Viver o evangelho é crer no sacrifício expiatório de Cristo, ter a consciência do perdão e depender totalmente de Deus e de Sua provisão para nos salvar. O resultado da salvação são os frutos da graça, dom de Deus: amor, justiça e obediência às Suas leis (Gálatas 5,22; João 14,15; Efésios 2,8-10). Se no curso da caminhada cristã houver um afastamento de Deus e de Sua Palavra, é urgente voltar-se para Ele, com fé e arrependimento, tendo a certeza de que podemos nos achegar “confiadamente ao trono da graça a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4,16).

Jesus Cristo nos trouxe a “boa nova”. Cabe-nos procurar vivê-la. Cabe-nos anunciá-la aos nossos irmãos e às nossas irmãs, que ainda não a conhecem ou que não a conhecem bem. Que a paz de Jesus esteja com todos.

Artigo publicado no Jornal da Cidade, edição de 23 a 25/09/2017


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