O Novo Testamento: Atos, Epístolas e Apocalipse


No Novo Testamento, após os Evangelhos seguem-se, pela ordem, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse (ou Revelação).

Os Atos dos Apóstolos formam um livro que foi separado do Evangelho de Lucas. Os doze primeiros capítulos do livro dos Atos contam a vida da primeira comunidade reunida em torno de Pedro depois da Ascensão de Jesus Cristo. Discorrendo sobre a vida de algumas comunidades cristãs primitivas, os Atos nos traçam um quadro que é, sem dúvida, idealizado, mas que é inspirado nas lembranças dos primeiros anos, assim como nas realidades eclesiais de uma época mais tardia: vida de oração e partilha dos bens na jovem Igreja de Jerusalém.

Embora grande parte da exposição dos Atos trate do apostolado de Paulo, e pouco se referindo ao apostolado de Pedro fora da Palestina, mais do que uma narrativa histórica materialmente completa, o que temos é a exposição da força de expansão espiritual do cristianismo, bem assim o ensinamento teológico que o autor soube tirar dos fatos de que dispunha e que possui valor universal e insubstituível, o que confere todo o valor de sua obra. A fé em Cristo, base do kerygma apostólico, aí é exposta. Lembramos que kerygma é uma palavra de origem grega que significa o primeiro anúncio, ou proclamação, da Boa-Nova de Jesus de Nazaré realizado na força do Espírito Santo e baseado no testemunho pessoal dos apóstolos.

As Epístolas são em número de vinte e uma, sendo quatorze de autoria de São Paulo, uma de São Tiago, duas de São Pedro, três de São João e uma de São Judas.

Depois de Jesus Cristo, São Paulo nos é mais e melhor conhecido no Novo Testamento por causa de suas Epístolas e dos Atos dos Apóstolos, duas fontes independentes e que se completam, apesar de pequenas divergências em pormenores, como salientam os estudiosos bíblicos. As Epístolas e os Atos nos traçam um perfil impressionante da personalidade do Apóstolo que se converteu no famoso episódio a caminho de Damasco, que todos conhecem.

“Paulo é apaixonado, alma de fogo que se consagra sem limites a um ideal”, como assinala a introdução às suas Epístolas, contida na Bíblia de Jerusalém. “E este ideal é essencialmente religioso. Para ele, Deus é tudo e ele o serve com lealdade absoluta”. Para Paulo, em Cristo, e somente Nele, está a salvação. “Este zelo incondicional traduz-se pela vida de abnegação total ao serviço daquele que ele ama. Trabalhos, fadigas, sofrimentos, privações, perigos de morte, nada lhe importa, contanto que cumpra a missão pela qual se sente responsável”.

Chamado de o apóstolo dos gentios, ou seja, dos que não eram originários de Israel, pois a eles dedicou a sua pregação e a sua preciosa vida como anunciador do Evangelho de Jesus Cristo, Paulo é figura de proa na disseminação da fé no Filho Unigênito de Deus. “O ardor do seu coração sensível se traduz bem nos sentimentos que demonstra por seus fiéis. Cheio de abandono confiante para com os de Filipos, inflama-se de indignação quando os da Galácia se dispõem a trair sua fé, e sente doloroso embaraço diante da inconstância vaidosa dos de Corinto. Para censurar os inconstantes de Corinto sabe manejar a ironia, ou até as duras reprimendas contra os da Galácia. Mas é para o bem deles. E logo modera suas repreensões com acenos de tocante ternura”.

As demais Epístolas, em número de sete, como já as elencamos, são chamadas de Católicas porque a maioria delas não é dirigida a uma comunidade ou a uma pessoa específica, mas, sim, aos cristãos em geral. Como nós sabemos católicas quer dizer universais. Tiago, Pedro, João e Judas são os seus autores. Cada um com o seu estilo e o seu modo de falar sobre a Boa Nova de Jesus Cristo. Tais Epístolas foram reunidas muito cedo numa mesma coleção, não obstante suas origens diversas.

Por fim, conclui-se o Novo Testamento com o livro do Apocalipse, que, em grego, quer dizer Revelação, pois todo o livro é tido como uma revelação de Deus aos homens, revelação de coisas ocultas e só por Ele conhecidas, especialmente de coisas referentes ao futuro. Para os exegetas bíblicos, é “difícil definir exatamente a fronteira que separa o gênero apocalíptico do profético”.

Para bem compreendermos o Apocalipse é indispensável que o situemos no período histórico em que foi escrito: um ambiente de perturbações e de violentas perseguições contra a Igreja nascente. Do “mesmo modo que os apocalipses que o precederam (especialmente o de Daniel), [que está contido no Antigo Testamento], e nos quais manifestamente se inspira, o livro do Apocalipse é um escrito de circunstância, destinado a reerguer e a robustecer o ânimo dos cristãos, escandalizados [e perturbados], sem dúvida, pelo fato de que perseguição tão violenta se tenha desencadeado [nos tempos dos imperadores romanos Domiciano e Nero] contra a Igreja Daquele que afirmara: “Não temais, eu venci o mundo” (Jo 16,33).

“Para levar a efeito seu plano [como exposto no Apocalipse], João retoma os grandes temas proféticos tradicionais, especialmente o do ‘Grande Dia’ de Iahweh (conforme Amós 5,18 e seguintes): ao povo santo, escravizado, sob o jugo dos assírios, dos caldeus e dos gregos, dispersado e quase destruído pela perseguição, os profetas anunciavam o dia da salvação, que estava próximo e no qual Deus viria libertar o seu povo das mãos dos opressores, devolvendo-lhes não apenas a liberdade, mas também poderio e domínio sobre seus inimigos”.

No momento que João escreve o Apocalipse, a Igreja, o novo povo eleito, acaba de ser martirizada por sangrenta perseguição, feita pelo império romano (a Besta) e por instigação de Satanás, o Adversário por excelência de Cristo e de seu povo. O livro continua mostrando o desenrolar dos acontecimentos futuros até o estabelecimento da Glória do Cordeiro de Deus. Os fiéis, pois, nada têm a temer, pois Jesus nos disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Nos dias de hoje, muitas são as perseguições que se levantam contra a Igreja de Jesus e seus seguidores em várias partes do mundo e de variadas maneiras. Mas, o Espírito Santo que desceu sobre os apóstolos de Jesus em Pentecostes, continua velando pela Igreja, isto é, por todos nós, que somos o povo de Deus.

Que todos nós cristãos possamos compreender a necessidade de nos dedicar ao conhecimento e/ou aprofundamento da Palavra de Deus, da Boa Nova de Jesus de Nazaré, que é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida.

A nossa bênção a todos os cristãos da Província Eclesiástica de Sergipe. Que a Luz de Cristo resplandeça em todos.

Artigo publicado no Jornal da Cidade, edição de 30 de setembro a 2 de outubro.


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