A missão


Como todos o sabem, missão significa a incumbência ou encargo que alguém deve executar a pedido ou por ordem de outrem. Jesus Cristo, por exemplo, antes de subir aos céus, deu aos seus apóstolos a missão de evangelizar, dizendo: “Ide pelo mundo inteiro

e anunciai a Boa Nova a toda criatura” (Mc 16,15).

O próprio Jesus veio ao mundo com uma missão: a de firmar conosco a última e definitiva aliança, ou seja, a de nos resgatar de todo pecado, de todo mal e de vencer a morte, para, Nele e por Ele, um dia nós também podermos vencê-la. Como Filho de Deus, Jesus Cristo poderia declinar de sua dolorosa missão. Mas, Ele a quis cumprir, chegando ao extremo da missão, isto é, dando a sua preciosa vida por todos nós.

A missão do Redentor continua viva e precisa de todos nós, como diz João Panazzolo, no livro “Missão para todos” (Paulus, 2006, p. 8). Ora, os apóstolos ouviram a voz do Mestre e saíram a proclamar o nome de Jesus de Nazaré, convocando a todos à conversão. Ao ouvi-los, muitas pessoas se converteram e, unidas a eles, fundaram comunidades e tornaram-se perseverantes em ouvir a Palavra, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações (At 2,42).

O dinamismo missionário foi acontecendo por meio das conversões e no testemunho vivo das primeiras comunidades, que enfrentaram perseguições e martírios. Foi assim que o Evangelho de Cristo foi se espalhando. A missão foi se fortalecendo. Missionários geraram novos missionários. A Palavra de Deus tocou o interior de muitos corações. Palavra viva, Palavra santa que fez arder a paixão de muitos pela missão. E a missão jamais se apagou na história da cristandade.

Na verdade, a missão continua a nos desafiar, a nos convocar para seguir em frente. A missão tem como primeiro elemento essencial o universalismo. A missão dirigida a todos é uma espécie de horizonte que não conhece limites, que se descortina diante de todos nós, que nos faz seguir em frente sem olhar para trás. É esta a missão de uma Igreja em saída, como anuncia o Papa Francisco, ele próprio um grande missionário, às vezes, inclusive, não compreendido por setores conservadores do clero e do laicato. Certas minorias, na Igreja, não o compreendem porque não se dispõem a sair da zona de conforto em que estão estacionados.

A missão tem como fundamento a Trindade Santíssima, que se revelou e veio a nós “na paciente e progressiva pedagogia de Deus e na vontade salvífica universal”. Para fazer missão é preciso ter em mente o sujeito da missão, que é a própria pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus. Homens e mulheres fazem-se missionários e missionárias, mas, ao mesmo tempo, homens e mulheres precisam ser tocados pela missão. Precisam conhecer a Jesus Cristo e ao seu Evangelho. Precisam se aprofundar no conhecimento da Palavra. Precisam aprender a viver em comunhão uns com os outros, a dividir angústias e esperanças, a seguir em frente como novos arautos da Boa Nova de Jesus Cristo, testemunhando com suas vidas a continuidade da missão.

A origem da missão está no coração do Pai, que nos deu o seu Filho Unigênito. A missão tem como fonte o projeto de Deus para com toda a humanidade, que é o amor sem limites. Através da vida e do ensinamento de Jesus, Deus nos chama a viver a comunhão com Ele, a participar abundantemente de sua vida, vivendo com os irmãos e com as irmãs, fraternalmente. “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,34-35).

A palavra “missão” tem um sentido simples e claro. Etimologicamente, significa enviar. É, pois, o envio de uma pessoa ou de pessoas para determinado lugar ou para determinada situação com um propósito, com um objetivo, com uma tarefa a ser cumprida, tendo sempre em vista a alteridade, ou seja, o outro, o sujeito da missão, que, repetimos, é a pessoa humana, homem e mulher, assim considerados.

Diz Panazzolo, na obra citada, que “A missão compreende a pessoa que envia com uma mensagem, o enviado que deve anunciar ou testemunhar e o destinatário que recebe a mensagem” (2006, p. 14). O Pai nos envia a muitos, que esperam de nós a mensagem que nos foi transmitida através de Jesus Cristo, o Salvador de todos nós.

Que neste mês de outubro, dedicado às missões, os cristãos católicos do mundo inteiro se deixem tocar pelo espírito missionário. Levem adiante a missão de Jesus e de seus apóstolos, que é, e sempre será, a missão da Igreja e de todos os seus filhos e filhas.

A nossa bênção a todos e a todas, que, na Arquidiocese de Aracaju e na Província Eclesiástica de Sergipe, se deixem tocar pelo espírito missionário. Que Deus derrame sobre todos e sobre todas as mais abundantes bênçãos.

Artigo publicado no Jornal da Cidade, edição de 7 a 9 de outubro/2017

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