Missão sacerdotal


A missão primordial do sacerdote, bispo ou padre, repousa no ministério de ensinar e de santificar o povo de Deus. E, claro, de administrar a porção diocesana ou paroquial que lhe é confiada, quando for o caso. Cada sacerdote sendo essencialmente pastor, é, como diz o Papa Francisco, “um instrumento através do qual Cristo chega às almas, para instruí-las e preservá-las”. Diz, ainda, Francisco que: “Para guiar o rebanho o sacerdote necessita ter uma profunda amizade com o Senhor, uma contínua disponibilidade para deixar que Ele governe a sua vida e uma real obediência à Igreja”.

Assim, no alicerce do ministério pastoral está o encontro pessoal, firme e constante com o Senhor, criador do universo e nosso Pai, como Jesus Cristo nos ensinou a chamá-Lo ao nos exortar a orar desta forma: “Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome”. O Deus único e vivo, a quem servimos, é nosso Pai. Pai que quer a salvação de seus filhos, que nos chama ao caminho da justiça, do amor e do perdão.

O sacerdote conforma a sua própria vontade com a vontade do Pai Celeste. Por isso, o óleo da unção não é para perfumar a nós mesmos, sacerdotes, e, muito menos, para ficar guardado nos frascos e vasos, pois, assim, o óleo ficaria rançoso e o coração amargo, como

ainda nos diz o Papa Francisco.

Para Francisco, o bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo: “Nota-se quando o povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, ‘as periferias’ onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”.

A missão do sacerdote, levando avante a Palavra de Deus, a Boa Nova de Jesus Cristo, é manter-se numa relação estreita com Deus e com o seu povo, possibilitando que a graça passe por meio dele, como mediador entre Deus e os seus filhos e filhas. Graça que deve ser continuamente reavivada para que o povo deseje cada vez mais ser ungido e, desta maneira, experimentar o poder da graça e de sua eficácia redentora.

O poder da graça há de crescer quando a nossa fé também se mostrar grande, quando entendemos que é preciso sair do nosso conforto, da nossa passividade, para nos doar e, assim, oferecer aos outros o Evangelho. Não apenas com palavras, mas, sobretudo, com testemunho de vida, com disposição para acolher, para confortar, para lutar ao lado do povo que sofre, que é perseguido, que não tem pão, que não tem moradia, que não tem educação, que não tem saúde, que não tem o devido respeito à sua dignidade. A missão do sacerdote é anunciar, mas, também, denunciar, quando for preciso, como os profetas denunciaram, como João Batista denunciou, como Jesus denunciou ao ponto de ter a sua preciosa vida ceifada no alto da Cruz, doando-se completamente a todos nós, pela nossa salvação.

Meus irmãos e minhas irmãs, o Sumo Pontífice alerta que: “O sacerdote que sai pouco de si mesmo, que unge pouco, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. Daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, em vez de serem pastores com o ‘cheiro das ovelhas’, pastores no meio do seu rebanho e pescadores de homens”.

O que foi que Jesus prometeu a Pedro e ao seu irmão André? Ele disse: “Vinde após mim e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4,19). Como diz a canção do Padre Zezinho, “lá na praia eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar”. Junto a Jesus Cristo, o Verbo de Deus, que se fez carne e habitou entre nós, os sacerdotes largam os seus barcos, na praia que vai se distanciando cada vez mais, ficando no passado, para seguir como cidadãos do mundo, ou, como diz, mais uma vez, outra canção do Padre Zezinho: “Sou cidadão do infinito, do infinito, do infinito, e levo a paz no meu caminho, no meu caminho, no meu caminho”.

O Papa emérito Bento XVI já exortava os sacerdotes a especificar a sua identidade e a do seu ministério. Da sua missão, portanto. Para ele, “o presbítero, de fato, em virtude da consagração que recebe pelo sacramento da Ordem, é enviado pelo Pai, através de Jesus Cristo, ao qual como Cabeça e Pastor do seu povo é configurado de modo especial para viver e atuar, na força do Espírito Santo, ao serviço da Igreja e para a salvação do mundo”.

E mais: “É dever dos sacerdotes trabalhar para a formação da genuína comunidade cristã, imbuída de zelo missionário, preparando a todos o caminho para Cristo. Devem estar disponíveis para exercer o seu ministério em regiões, missões ou obras que lutam com falta de clero, pois o dom da Ordem não os prepara para uma missão limitada e determinada, mas, sim, para a missão imensa e universal da salvação até aos confins da terra”.

Nas palavras de São João Paulo II “todos os sacerdotes devem ter um coração e uma mentalidade missionária, devem estar abertos às necessidades da Igreja e do mundo, atentos aos mais afastados e, sobretudo, aos grupos não cristãos do próprio ambiente. Na oração e, em particular, no sacrifício eucarístico, sintam a solicitude de toda a Igreja por toda a humanidade” (Redemptoris Mater, 67).

Pedimos orações a todos os fieis para os nossos sacerdotes. Que se fortaleçam sob a intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a quem nesta semana nós homenageamos, e sob a proteção de Deus, para que a sua missão seja continuamente renovada. Deus abençoe a todos. E que para todos brilhe a intensa Luz do Cristo.

Artigo publicado no Jornal da Cidade, edição de 14 a 16 de outubro/2017

Foto: Canção Nova


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