O Papa Francisco e o 1º Dia Mundial dos Pobres


No Antigo Testamento encontramos algumas referências aos cuidados que devemos ter com os pobres. Deus, pela boca dos profetas ou pela mão do escritor sagrado sempre esteve atento às condições de vida dos menos favorecidos. Em Sofonias está dito: “Procurai a Iahweh vós todos, os pobres da terra, que realizais o seu julgamento” (2,3). Os pobres devem procurar a justiça divina, sendo justos para com todos, mas, também vivendo segundo a justiça de Deus.

No Salmo 34 (33), versículo 7, diz o salmista: “Este pobre gritou e Iahweh ouviu, salvando-o de suas angústias todas”. O pobre nunca está sozinho. O Senhor vela por ele. O Senhor o acompanha.

Nos Evangelhos, Jesus Cristo, a Palavra viva de Deus entre nós, demonstrou toda a sua atenção para com os pobres. A Igreja Católica, por sua vez, no rastro da Palavra de Deus jamais descuidou da assistência aos pobres. Foi a Igreja, na Idade Média, que começou a cuidar dos pobres, fundando hospitais, orfanatos e asilos, além de outras atividades através das Ordens religiosas que foram se constituindo.

No sermão da montanha, ou seja, nas bem-aventuranças, Jesus foi enfático ao dizer: “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino de Deus” (Mt 5,3). É a primeira bem-aventurança. Pobres no espírito significam aqueles que se tornam disponíveis para servir. Que vencem o orgulho próprio, a vaidade, a soberba. Que se tornam pobres com os pobres.

No Evangelho segundo Lucas, disse Jesus, dirigindo-se ao jovem rico: “Uma coisa ainda te falta. Vende tudo o que tens, distribui aos pobres e terás um tesouro nos céus” (18,22). Doar e doar-se aos pobres não é apenas ampará-los em suas necessidades, porém, acima de tudo, é fazer-se pobre como eles, para melhor compreender o seu modo de vida, as suas angústias e esperanças, e, assim, enxergar neles a figura do Cristo que, passando pelo calvário, abriu-nos a porta do céu.

A Igreja na América Latina, seguindo os passos de Jesus, o seu fundador, lançou-se a uma opção preferencial pelos pobres. Porém, é preciso que essa opção esteja cada vez mais nítida na visão e na ação de todos nós, do clero e do laicato.

Nós sabemos que Jesus veio para todos, como Ele mesmo o disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

O Filho de Deus não fez acepção de pessoas. Todos foram chamados a participar do Banquete Celeste. Mas, Ele esteve com os pobres, no meio dos pobres, que acreditaram n’Ele, que O ouviram, que O seguiram, mesmo depois da sua morte, ressurreição e elevação aos céus.

O Papa Francisco houve por bem de instituir o 1º Dia Mundial dos Pobres. Seguindo o exemplo daquele de quem tomou o nome emprestado, São Francisco de Assis, o sucessor de Pedro tem demonstrado o seu amor incontido por todos nós, mas, de modo especial, pelos mais pobres. E ele já fazia isso no seu pastoreio, na sua terra natal, a Argentina. Não é, portanto, o modismo de um Papa que quer ser populista. Não! É um modo de ser e de agir, que o acompanha desde longa data.

O lançamento do 1º Dia Mundial dos Pobres deu-se no Vaticano, quando se comemorava a Memória de Santo António de Lisboa, a 13 de junho de 2017. Na ocasião, disse o Sumo Pontífice, um jesuíta de coração verdadeiramente franciscano: “Desejo que, na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum –, as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta. Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no Gólgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo, que exprime a sua pobreza total, torna evidente a força deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de Páscoa”.

A nossa esperança pessoal enquanto pastor na Igreja de Aracaju é de que todos nós possamos desenvolver ações que contemplem os nossos irmãos e as nossas irmãs, que mais necessitam de bens materiais que lhes proporcionem uma vida digna e de bens espirituais que lhes aproximem ainda mais do Cristo Eucarístico, que lhes façam estreitar muito mais os seus corações ao Sagrado Coração de Jesus.

Lembremo-nos sempre que o pobrezinho nascido numa manjedoura, em Belém de Judá, tornou-se o Salvador da humanidade.

Artigo publicado no Jornal da Cidade, edição de 11 a 13 de novembro/2017

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