Maria Santíssima, exemplo de solidariedade


A solidariedade é fruto da fraternidade. Do modo como as pessoas convivem e partilham. Ser solidário é desdobrar-se para tornar prático, através de ações e gestos, o amor que Jesus veio nos ensinar. “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” (Jo 13,34) e “Amai ao próximo como a ti mesmo” (Mc 12,31). Foi o que Ele nos ensinou.

A mãe de Jesus mostrou-se solidária desde cedo. Ao saber que a sua prima Isabel estava para dar à luz, ela correu à casa da mesma, em Judá, atravessando as montanhas (Lc 1,39). E com Isabel, Maria ficou até que João, o Batista, veio ao mundo. O gesto de Maria, que tinha acabado de receber a visita do mensageiro de Deus, é grandioso em todos os sentidos. Ela se despojou de si mesma para cuidar da prima, que já era entrada nos anos e casada com um ancião, Zacarias. Alguém precisava cuidar de Isabel e do filho, nos últimos dias da gravidez e nos primeiros dias após o nascimento do menino. Maria não mediu esforços, não temeu distâncias. Correu ao encontro da prima, que precisava de cuidados. Mostrou-se, pois, solidária, apesar de ser basicamente uma mocinha, Maria já estava aureolada pela coroa do servir, do ser útil a quem dela precisava.

Outro exemplo magnânimo da solidariedade de Maria ocorreu nas Bodas de Caná (Jo 2,1-11). As festas judaicas de casamento eram verdadeiras confraternizações entre parentes e amigos. Maria, Jesus e seus discípulos acorreram àquele casamento porque foram convidados, e, provavelmente, a mãe e o Filho deveriam ser muito amigos ou parentes dos noivos. Do contrário, não teriam saído de Nazaré para Caná, ambas na Galiléia, distando uma da outra aproximadamente 14 km.

Naquelas bodas, Maria pediria ao seu Filho que desse um jeito na falta de vinho. Por que ela fez esse pedido, se ainda não era chegada a sua hora? Ora, primeiro porque ela sentiu a vergonha que os noivos e suas famílias acabariam passando quando os convidados descobrissem a falta do vinho, que lhes deixava alegres e festivos.

A solidariedade de Maria aflorou mais uma vez. O Filho curvou-se ao pedido da mãe. A água foi transformada em vinho. O mais delicioso dos vinhos.

Se Maria foi solidária, ela também encontrou solidariedade nas chamadas “santas mulheres”, que com ela estiveram no momento mais difícil de sua vida: os instantes finais de Jesus entre nós (Jo 19,25).

Maria tornou-se solidária com toda a humanidade, a ponto de receber a todos (as) nós como filhos e filhas, quando recebeu João, o discípulo que Jesus amava, como seu filho e em sua casa ele a acolheu como mãe (Jo 19,26-27).

É próprio do coração materno o ser solidário. Maria não fez por menos. Nem poderia. Mãe por excelência, serva por amor a Deus, ela é para nós um modelo especialíssimo de solidariedade. Despojando-se. Compadecendo-se. Irmanando-se. Acolhendo.

Mais uma vez, Maria mostrou-se solidária. Desta vez, ela o fez para com os discípulos de Jesus, com eles permanecendo em Jerusalém, após o Filho de Deus ter-se elevado aos céus (At 1,14). Sem mais poder contar com a presença do Divino Mestre, para lhes ensinar e guiar, os apóstolos tiveram seguramente em Maria a força de que precisavam naqueles instantes de suposta orfandade. Solidária e repleta de destemor, Maria enfrentou com eles as primeiras adversidades diante dos não aceitaram a Jesus. E foi assim, com a presença de Maria, que nasceu a Igreja de Jerusalém.

Com Maria, mãe de Jesus e nossa mãe, nós aprendemos o ápice da solidariedade. Dela, o coração transbordante de amor dá-se a todos solidariamente. Dá-se amorosamente.

Em 12 de julho de 2015, na comunidade de Bañado Norte, um bairro pobre de Assunção, o Papa Francisco disse: “A fé desperta o nosso compromisso com os outros, desperta a nossa solidariedade. Uma virtude humana e cristã que vocês têm e que nós devemos aprender. O nascimento de Jesus desperta a nossa vida. A fé, que não se faz solidariedade, é uma fé morta. É uma fé sem Cristo, uma fé sem Deus, uma fé sem irmãos. O primeiro a ser solidário foi o Senhor, que escolheu viver entre nós, escolheu viver no nosso meio”.

Ontem, domingo, dia 19, concluiu-se a semana da solidariedade. Sendo o Senhor o primeiro solidário, como tão bem o disse o Papa Francisco, e tendo Maria Santíssima a Ele se entregado como sua serva, eis que d’Ele aquela santa menina de Nazaré aprendeu a ser solidária. E tão bem ela soube exercer a sua solidariedade, que se tornou um modelo e exemplo para todos nós.

Paz e Bem a todos, da parte do Senhor Jesus!

Artigo publicado no Jornal da Cidade - edição de 18 a 20 de novembro/2017


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