Mensagem de Dom João na Abertura da XX Semana de Filosofia e XV de Teologia do Seminário Maior


É para mim motivo de grande júbilo presidir a este solene Ato acadêmico. Como sabemos, aqui são preparados espiritualmente e formados na Filosofia (etapa discipular) e teologia (etapa configurativa) aqueles que irão às várias partes do mundo para ali anunciarem, como novos discípulos, o Evangelho de Jesus Cristo.

Gostaria de salientar o papel que a filosofia adquiriu progressivamente ao longo dos séculos. Alguns sistemas subsistem ainda hoje, em virtude da espessura especulativa que lhes consentiu promover um progresso certo na história da humanidade. Como afirmou S. João Paulo II: “Todo o homem é, de certa forma, um filósofo e possui as suas próprias concepções filosóficas, pelas quais orienta a sua vida. De diversos modos, consegue formar uma visão global e uma resposta sobre o sentido da própria existência: e à luz disso interpreta a própria vida pessoal e regula o seu comportamento” (Fides et ratio, 30).

O ato de pensar qualifica o ser humano no seio da criação. É pensando que ele pode corresponder da melhor forma à tarefa que lhe foi confiada pelo Criador. Por conseguinte, com o pensamento cada um realiza uma experiência, por assim dizer, de autotranscendência: efetivamente, a pessoa supera-se a si mesma e aos limites que a confinam, para se aproximar do infinito.

Todavia, quanto mais o ser humano se abre para o infinito, tanto mais descobre o limite que traz em si. Trata-se de uma experiência dramática porque, enquanto se imerge em novos espaços, ao mesmo tempo descobre que não consegue ir além. A isto se acrescenta a experiência do pecado: a existência humana é assinalada por este, de tal forma que inclusive a razão sente o seu peso.

Quando a ciência se refugia orgulhosamente em si própria, corre o risco de nem sempre expressar perspectivas de vida; se, pelo contrário, for acompanhada da fé, então será ajudada a ter em vista o bem do homem. São Paulo exorta que: “O conhecimento envaidece; o amor é que constrói” (1 Cor 8, 1). A fé, que se fortalece com a caridade e que nesta se exprime, sugere à ciência um critério de verdade que visa a essência do ser humano e as suas verdadeiras necessidades.

Num contexto acadêmico como o que se inicia hoje, julgo que seja importante salientar a importância do diálogo entre filosofia e teologia que, quando foi bem realizado, manifestou indubitáveis vantagens para ambas as partes. De fato, enquanto o estudo da filosofia abre a mente dos jovens estudantes para que compreendam as exigências do homem contemporâneo e o seu modo de pensar e de enfrentar os problemas (cf. Gaudium et spes, 57), o aprofundamento da teologia permitirá dar a tais exigências a resposta de Cristo, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14, 6), orientando o olhar para o pleno sentido da existência.

Num momento em que parece emergir o dado da fragmentariedade do saber, é importante que a teologia seja a primeira a encontrar formas que consintam a identificação da unidade fundamental que une entre si os vários caminhos de investigação, evidenciando a sua derradeira meta na verdade revelada por Deus em Jesus Cristo. Nesta perspectiva, uma filosofia aberta ao mistério e à sua revelação poderá ajudar a própria teologia a fazer compreender que a inteligência dos conteúdos de fé favorece a dignidade do ser humano e a sua razão.

O tema desta semana filosófica e teológica: “500 anos da reforma protestante: aspectos históricos, políticos, filosóficos e teológicos”. Gostaria de salientar a pertinência desta temática, pois precisamos conhecer melhor a história da Igreja, e nesta tarde contaremos com a preciosa colaboração de Dom Giovanni Crippa que é doutor em história eclesiástica. Também insisto na importância do dialogo ecumênico em nossa Igreja. Por ecumenismo, “entendemos as atividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos” (Unitatis redintegratio, 4). Desejo a todos e todas uma semana frutuosa de estudos, reflexões e diálogo.

Quero confiar estas perspectivas e votos de uma boa semana de estudos à intercessão d'Aquela que é invocada como Senhora da Conceição e, enquanto invoco a sua constante proteção sobre vós e sobre este Centro Acadêmico do Seminário Maior, concedo a todos a minha afetuosa Bênção!

Dom João José Costa

Arcebispo de Aracaju


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