Fraternidade e Superação da Violência


Comecemos por combater a violência do nosso coração que se

tornou envelhecido pelo pecado. O pecado é a violência no interior

do ser humano. Extirpar o pecado é abominar a violência.

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como lema “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). E o tema a ser estudado e posto em prática é “Fraternidade e superação da violência”. Tanto a temática sobre a fraternidade quanto sobre a violência já foi abordada em outras Campanhas. Desta vez, a CNBB busca despertar as consciências para a necessidade de “construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho para a superação da violência”.

Se todos nós somos irmãos, e, na verdade, nós o somos, porqueassim Deus o quer, apesar de nossas diferenças no modo de ser, de pensar e de agir, devemos buscar a unidade na diversidade, como nos ensina o Concílio Vaticano II. Quem procura viver a fraternidade, como nós cristãos devemos viver, enquanto seguidores de Jesus Cristo, não poderá jamais compactuar com nenhum tipo de violência. Não há compatibilidade entre a fraternidade e a violência.

Para viver a fraternidade faz-se preciso, em primeiro lugar, exercitar uma mudança de vida, que nós cristãos chamamos de conversão. E Jesus muito nos alertou para a necessidade de

converter-nos. De nascermos de novo em espírito e verdade. A conversão é um processo a ser exercitado a cada dia.

O início da atividade apostólica de Jesus é um convite à conversão. Diz Jesus: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1, 15). Acabou-se o tempo das promessas e da espera, como se anunciou no Antigo Testamento. Ora, o Messias chegou e começou o seu ministério! A sua presença marcou a plenitude dos tempos. Foi chegado o momento da misericórdia de Deus e da história da salvação. Com isto, a vida se transforma qual a flor que desabrocha no meio do espinheiro. A violência do espinheiro não é capaz de deter ou de sufocar a beleza da flor.

Jesus veio para que a violência dos tempos antigos fosse superada pela fraternidade emanada do amor. “Amai-vos uns aos outros”, Ele nos disse (Jo 13,34). O amor nos põe à prova. Põe-nos à prova porque nos chama a viver fraternalmente, como viveram os primeiros cristãos. Juntos, eles sofreram, muitos foram martirizados. Mas, a violência daqueles tempos não foi capaz de frear o anúncio da Boa Nova de Cristo. Do sangue dos mártires brotaram novos cristãos. A violência não pode vencer. Não deve vencer. E não vencerá.

O Reino de Deus sofre violência. A violência espalha-se pelo mundo, espalha-se pelo Brasil, cresce em nosso estado, em nossas cidades, em nossas comunidades. É preciso reagir. Chega de violência! Basta de temor! A união fraterna deve nos impelir para uma reação pacífica, mas, uma reação que faça recuar a violência. Comecemos por combater a violência do nosso coração que se tornou envelhecido pelo pecado. O pecado é a violência no interior

do ser humano. Extirpar o pecado é abominar a violência.

A violência também está na razão humana, quando a pessoa se fecha para a luz de Jesus Cristo. As trevas não podem vencer a luz. A violência que se espalha não deve vencer a força da unidade dos cristãos. Superar a violência é permitir que a luz de Cristo brilhe

em nós e sobre o mundo.

Da apresentação do livreto Texto-Base da Campanha da Fraternidade de 2018, da lavra de Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário-Geral da CNBB, nós destacamos o seguinte: “Somos seguidores de Jesus. Mulheres e homens que renasceram em Cristo. Dele, recebemos a boa notícia de que somos filhos e filhas de Deus. Somos todos irmãos. Nascer, renascer em Cristo, maturar nele; chegar à plenitude como Ele! Somos seus discípulos,

aprendizes. Uma vida inteira com os olhos fixos em Jesus (Hb 12,2). Voltados para Ele, vivendo dele, partilhamos ‘a sua própria santidade’ (Hb 12,12). Por Ele atraídos, somos enviados como anunciadores de sua presença inaudita. Missionários como Ele, o Missionário do Pai. Discípulos e discípulas da vida plena, missionários e missionárias do Reino da verdade e da graça, da justiça, do amor e da paz. Um Reino de irmãos!”.

Quando todos nós compreendermos que somos irmãos e irmãs, quando a fraternidade for levada adiante como uma bandeira, assim como Jesus Cristo levou a sua cruz até o fim, a violência será superada. Não se trata de utopia, como podem dizer os incrédulos. Utopia é pensar que a violência vence a paz. A paz jamais será vencida, pois Jesus é o Príncipe da Paz (Is 9,6).

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