Quaresma: tempo de reconciliação


Não nos basta perdoar. É preciso dar um passo além: é preciso reconciliar. A nossa comunhão com Deus e com o próximo exige reconciliação.

O tempo quaresmal prepara-nos para a Páscoa. E é também tempo de reconciliação. Tempo em que nos reaproximamos de Deus, através do sacramento da confissão. O próprio Jesus Cristo instituiu o sacramento da confissão ou penitência, segundo consta desta passagem do Evangelho: “Depois dessas palavras (Jesus) soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem vocês perdoarem os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23).

Os não católicos e até mesmo alguns que se dizem católicos questionam se a Igreja tem autoridade para perdoar os pecados por meio do sacramento da penitência. Tem ou não tem? Ora, a resposta afirmativa está também em Mateus, 18,18: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”.

Nos dois Evangelhos citados, de João e de Mateus, Jesus conferiu poderes aos seus discípulos para perdoarem os pecados daqueles que fossem dignos do perdão. Hoje, os ordenados para ministrar os sacramentos sucedem os discípulos na missão de ouvir os pecadores e, por consequência, perdoar-lhes os pecados, em nome de Deus, pois somente o Senhor perdoa os pecados.

Há quem pergunte: “Por que me confessar e pedir perdão a um homem igual a mim?”. O padre, que é um homem sujeito às fraquezas como os demais homens, está lado a lado com pecador, diante de Deus e da Igreja para absolver os pecados. O padre é o ministro do perdão, ou seja, o intermediário ou instrumento do perdão de Deus. Do mesmo modo, os pais são os instrumentos de Deus para transmitir o dom precioso da vida.

Os padres e bispos também se confessam por obediência aos ensinamentos de Cristo e da Igreja. Até o Papa se confessa com frequência, de acordo com o mandamento a exortação de Tiago 5,16: “Confessai vossos pecados uns aos outros”.

Para fazer uma boa confissão são necessários alguns requisitos: 1) um exame honesto de consciência diante de Deus; 2) arrependimento sincero por ter ofendido a Deus e ao próximo; 3) firme propósito diante de Deus de não pecar mais, mudar de vida, converter-se no dia a dia; 4) confissão objetiva a Deus, perante um sacerdote; 5) cumprir a penitência que lhe for indicada.

A penitência indicada não é uma espécie de castigo, mas, sim, a alegria do reencontro, da reconciliação com Deus. Alegria pelo perdão que se recebe.

Ninguém deve se confessar sem o firme propósito de arrependimento e de conversão. A confissão não é uma sessão de psicologia, nem de “descarrego” da consciência. Agir assim seria cometer uma grave ofensa à Misericórdia de Deus.

Devemos confessar os pecados graves (ou mortais) e também os pecados leves (ou veniais), exercitando, assim, a virtude da humildade. Os pecados mortais são ofensas graves a Deus ou ao próximo. Eles apagam a caridade no coração do homem e o desviam dos caminhos de Deus. Como disse João, “Há pecado que leva à morte” (1Jo 5,16). Pecados graves contra Deus ou contra o próximo são, dentre muitos outros, o assassinato, o aborto provocado, que tira a vida de um ser indefeso, manchar ou destruir de forma injusta a reputação alheia, oprimir o pobre, o órfão ou a viúva, fazer uso indevido do dinheiro público, que pertence ao povo, que é fruto dos tributos que o povo paga, para serem revertidos em obras e serviços públicos, atendendo, dessa forma, ao bem comum, são todos os atos de corrupção praticados entre os corruptores e os corrompidos, o adultério, a fornicação e muitos outros. Os pecados mortais levam à condenação eterna. Porém, Deus, que é justo e misericordioso e que conhece o coração de cada um, ao julgar pode ter piedade. Deus abre, então, o seu coração para acolher o pecador que se arrepende de verdade, que busca a reconciliação, que quer mudar de vida, que se converte à Palavra de Deus.

Os pecados veniais são ofensas leves contra Deus e o próximo. Embora ofendam a Deus, não desfazem os laços de amizade, de união entre Deus e o homem. Ainda segundo João, “Toda iniquidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte” (1Jo 5,17).

Todo católico é chamado à confissão ao menos uma vez por ano. O tempo de preparação para a Páscoa é o momento mais propício para a confissão. Todavia, deve-se confessar toda vez que se cometa um pecado mortal, para que a vida possa fluir na comunhão com Deus e com o próximo.

A confissão nos dá a graça santificante. Dá-nos consolo espiritual, consciência tranquila. Reduz a influência das forças do mal em nós. Aumenta nossos méritos diante do Criador. Opera em nós o exercício da humildade. E nos possibilita crescer em todas as virtudes cristãs.

Que todos nós cristãos católicos possamos aproveitar este tempo da Quaresma, este momento de preparação para a Páscoa, para celebrarmos a Ressurreição do nosso Salvador, Jesus Cristo, para o exercício da penitência, para fazer a nossa confissão, abrindo o nosso coração diante Daquele que nos deu o dom da vida e que quer a nossa salvação.

Este é o tempo da reconciliação. Lembremo-nos do que nos disse Jesus Cristo: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta” (Mt 5,23-24).

Meus irmãos e minhas irmãs, não nos basta perdoar. É preciso dar um passo além: é preciso reconciliar. A nossa comunhão com Deus e com o próximo exige reconciliação. Que nós a busquemos através da confissão, a fim de nos livrar dos nossos pecados. E, assim, caminharmos pelos caminhos do Senhor com vida nova.

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