A Quaresma e o jejum


Quando buscamos a Deus com jejuns e orações, nós mudamos a nossa mente, a nossa forma de ser e de viver.

A Quaresma é o tempo de preparação para a ressurreição de Jesus Cristo. Ou seja, para a sua Páscoa. Tempo de praticar a penitência, a caridade e o jejum. E jamais devemos nos esquecer do exercício diário da oração. Uma vida de oração é uma vida de intimidade e de aconchego junto a Deus.

Mas, hoje eu quero lhes falar, meus irmãos e minhas irmãs, sobre o jejum, sabendo-se de início que o jejum nos prepara para vivenciar determinadas renúncias. Jejuar e penitenciar-se significa viver uma verdadeira conversão. A prática do jejum nos coloca em intimidade com Deus, fazendo com que a nossa mão finita se ligue à mão infinita de Deus, que nos dá meios potentes para alcançarmos a palma da vitória no momento certo. Vitória sobre as realidades da nossa existência, muitas delas contrárias à vontade de Deus.

Quando buscamos a Deus com jejuns e orações, nós mudamos a nossa mente, a nossa forma de ser e de viver. Aumentamos e purificamos a nossa fé. Tornamo-nos instrumentos nas mãos de Deus, que tudo pode e que nos faz compreender que Ele é também o nosso Pai Eterno. Sermos instrumentos nas mãos de Deus é viver a mais bela experiência da vida: é sermos elevados da condição de simples criaturas à condição de filhos de Deus. Por meio dessa experiência, nós somos chamados para executar Suas obras maravilhosas: o mar se abriu para salvar o povo dos exércitos egípcios; da rocha brotou água para saciar a sede do povo na secura do deserto; do céu caiu fogo para punir os infiéis; enfermos foram curados; demônios foram expulsos; mortos voltaram à vida; pães e peixes foram multiplicados para alimentar as multidões; e tantos outros prodígios foram realizados. A experiência do nosso encontro profundo com Deus nos leva a uma nova vida.

Como puderam ser realizadas essas obras tão grandiosas? Na verdade, era o poder de Deus agindo por meio de seus servos. Foi através da ligação com o poder infinito, através de uma comunhão de fé que a onipotência de Deus se manifestou através dos homens, e, sobretudo, através do Filho Unigênito de Deus.

Temos muitos e belos exemplos do poder que advém do jejum, na vida de homens como Moisés que jejuou 40 dias (Êxodos 34,28), Esdras jejuou 3 dias (Esdras 10,6), Elias jejuou 40 dias (1 Reis 19,8), Daniel jejuou 21 dias (Daniel 10,3), Paulo jejuou 3 dias (Atos dos Apóstolos 9,9), o próprio Jesus Cristo jejuou 40 dias (Lucas 4,2). Quando estas pessoas passavam dias sem se alimentarem, ou noites passadas em vigília e oração, voltavam desses períodos mais fortalecidos do que antes, mais dispostos do que se tivessem gasto tais horas dormindo. Eles foram verdadeiramente sustentados pela companhia do Senhor.

Jejuar, como todos nós sabemos, significa ficar sem se alimentar por um período de tempo. Quando jejuamos, estamos abrindo mão dos alimentos que o corpo necessita para buscar ao Senhor. Dizemos a Deus que estamos fazendo um sacrifício para estarmos com Ele. Esse é o jejum com propósito. Quando apenas ficamos sem comer, sem nenhum motivo específico relacionado a Deus, não é jejum bíblico.

Quando jejuamos, nós nos tornamos sensíveis às coisas espirituais, isto é, nos aproximamos de Deus e fortalecemos nosso espírito, temos mais entendimento espiritual e mais poder sobre o inimigo. O jejum cria uma atmosfera que chama para nós a presença de Deus e sua autoridade. O jejum aumenta o poder da oração e apressa as respostas que precisamos.

O jejum é uma das principais ferramentas para a comunhão com Deus. Mas o que significa jejum espiritual? Resumindo, é a abstenção de alimento para finalidades espirituais. O objetivo é conduzir a pessoa à plena lucidez espiritual e facilitar a profunda comunhão com Deus, pois o organismo não utilizará energia para a digestão, de modo que o cérebro terá mais energia para refletir sobre as coisas espirituais. Como prática religiosa, o jejum é voluntário, exige pureza de vida e exclui a exibição.

Ouçamos o que nos disse o Filho de Deus, a respeito do jejum: “Quando jejuarem, não façam cara de tristeza, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade lhes digo: já receberam a sua recompensa. Mas, você, quando jejuar, perfume a cabeça e lave o rosto, para que os homens não percebam que você está jejuando, mas apenas seu Pai, que está presente no que é oculto; e seu Pai, que vê o que está oculto, lhe dará a recompensa” (Mateus 6,16-18).

O jejum não pode ser uma espécie de “justificação pelas obras”, ou seja, “vou jejuar e me salvar”. A salvação vem pela fé em Cristo Jesus e, mais ainda, pela misericórdia de Deus. O jejum deve ser útil apenas como instrumento de uma busca mais profunda pelo Senhor. Por isso, o jejum deve aliar-se à oração.

O Senhor Deus deseja conceder-nos um vigoroso discernimento espiritual, novas percepções de sua glória e desenvolver em nós a fé incondicional.

Que cada um e cada uma faça um plano pessoal de jejum. A pessoa se sentirá física, mental e espiritualmente fortalecida, e entenderá claramente as respostas que Deus concede às suas orações.

Cada pessoa deve saber o momento de fazer o seu jejum, como fazê-lo e a sua duração. Deve estar físicamente preparada, gozando de boa saúde para poder privar-se de alimentos por um determinado tempo. Deve preparar-se também espiritualmente. Entregar-se com fé nas mãos de Deus, a fim de poder ouvir a voz do Onipotente no interior do seu coração.

Que esta Quaresma seja para todos nós um tempo propício para o jejum e para uma intimidade maior com Deus, que nos enviou o seu próprio Filho para nos salvar.

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