Alegremo-nos e exultemos com o Papa Francisco


O Papa Francisco deseja recordar a chamada “de cada um de nós” à santidade, cada um no seu caminho e no seu modo de caminhar. E os modos são muito variados.

No decorrer desta semana, o Vaticano apresentou a nova Exortação Apostólica do Papa Francisco, que tem o título de “Gaudete et Exsultate” (Alegrai-vos e Exultai, cf. Mt 5,12). Desta vez, o Sumo Pontífice quer “fazer ressoar mais uma vez o chamado à santidade”, indicando “os seus riscos, desafios e oportunidades”.

A nova Exortação Apostólica é um documento composto de cinco capítulos e 177 parágrafos que nos convida a ser santos hoje. O Papa explica que a santidade não é uma chamada para poucos, mas um caminho para todos. “O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer que sejamos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa”.

No primeiro capítulo, o Papa convida: “não pensemos apenas em quantos já estão beatificados ou canonizados”. E continua: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade ‘da porta do lado’, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus”.

O Papa Francisco deseja recordar a chamada “de cada um de nós” à santidade, cada um no seu caminho e no seu modo de caminhar. E os modos são muito variados. Ele chama a atenção para a santidade de homens e mulheres, como ocorreu ao longo de pouco mais de dois milênios de existência do cristianismo. Homens e mulheres que escreveram seus nomes do panteão da santidade. E que continuam, hoje, escrevendo seus nomes, partilhando e doando suas preciosas vidas para a construção permanente do Reino de Deus.

“Para ser santo, diz Francisco, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais”. É isso que nos ensina o Santo Padre.

“Para um cristão, diz o Papa, não é possível imaginar a própria missão na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque esta é, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santificação (1 Ts 4, 3). Cada santo é uma missão; é um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da história, um aspecto do Evangelho”. “Esta missão tem o seu sentido pleno em Cristo e só se compreende a partir d’Ele. No fundo, a santidade é viver em união com Ele os mistérios da sua vida”. “O desígnio do Pai é Cristo, e nós n’Ele. Em última análise, é Cristo que ama em nós, porque a santidade 'não é mais do que a caridade plenamente vivida'”.

O Papa Francisco repete várias vezes no documento que não devemos temer: “não tenhas medo da santidade. Não te tirará forças, nem vida, nem alegria. Muito pelo contrário, porque chegarás a ser o que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser. Depender d’Ele liberta-nos das escravidões e leva-nos a reconhecer a nossa dignidade”.

No segundo capítulo, o Santo Padre chama a atenção “para duas falsificações da santidade que poderiam extraviar-nos: o gnosticismo e o pelagianismo”. São formas de segurança doutrinária que dão origem “a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar”. O Papa adverte que podemos encontrar estas atitudes dentro da própria Igreja, pois “é típico dos gnósticos crer que eles, com as suas explicações, podem tornar perfeitamente compreensível toda a fé e todo o Evangelho”.

Ademais, afirma o Papa: “Quando alguém tem resposta para todas as perguntas, demonstra que não está no bom caminho e é possível que seja um falso profeta, que usa a religião para seu benefício, ao serviço das próprias lucubrações psicológicas e mentais. Deus supera-nos infinitamente, é sempre uma surpresa e não somos nós que determinamos a circunstância histórica em que O encontramos, já que não dependem de nós o tempo, nem o lugar, nem a modalidade do encontro. Quem quer tudo claro e seguro, pretende dominar a transcendência de Deus”. Ou seja, Francisco quer nos dizer que não nos cabe desvendar os mistérios de Deus. Os mistérios não podem ser explicados pela técnica nem pela ciência. Os mistérios são compreendidos, e não desvendados, pela fé.

Por isso, diz Francisco que mesmo quando a vida de alguém tiver sido um desastre, mesmo que o vejamos destruído pelos vícios ou dependências, Deus está presente na sua vida.

Os pelagianos são os que dão a impressão de que se pode tudo “com a vontade humana, como se esta fosse algo puro, perfeito, onipotente, a que se acrescenta a graça. Pretende-se ignorar que ‘nem todos podem tudo’, e que, nesta vida, as fragilidades humanas não são curadas, completamente e duma vez por todas, pela graça”.

No fundo, a falta de um reconhecimento sincero, pesaroso e orante dos nossos limites é que impede a graça de atuar melhor em nós. Precisamos deixar que o Espírito Santo possa agir em nós. Que o seu fogo nos queime, nos ilumine, nos faça viver na plenitude do amor de Deus.

Voltaremos a tratar do tema, oportunamente. Que Deus abençoe a todos e a todas.

#GaudeteetExsultate #Alegraivoseexultai #ExortaçãoApostólica #PapaFrancisco

Arquidiocese 

aracaju

de

Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Aracaju

Praça Olímpio Campos, 228, Centro, Aracaju/SE - CEP: 49010-040

E-mail: comunicacao@arquidiocesedearacaju.org / Telefone: (79) 3216-3000