O amor de Jesus por nós: amor que contagia


O Evangelho da liturgia da palavra deste domingo, que é o sexto domingo da Páscoa, sequenciando a liturgia do domingo anterior, faz uso do verbo permanecer. Diz Jesus: “Permanecei no meu amor” (Jo 15,9). Esta afirmação imperativa do Verbo de Deus soa como a exortação amável de quem veio ao mundo para não perder nenhuma das ovelhas que o Pai lhe confiou. Jesus, o Bom Pastor, conhece as suas ovelhas e por elas dá a sua preciosa vida, atendendo ao mandamento e à vontade de Deus, que nos enviou o seu Filho Unigênito para nos resgatar de todos os males, da escravidão do pecado e da face negra da morte.

Como nós sabemos tanto, irmãos e irmãs, o Bom Pastor jamais abandona as suas ovelhas. Estas reconhecem a sua voz e O seguem. Ele arrebata as multidões, pois fala com firmeza e autoridade. Ele está ao lado dos seus. Ao lado dos que dele mais precisam. Daqueles que foram excluídos da sociedade israelense daquele tempo. E dos que ainda hoje padecem por gestos pessoais de alguns ou por políticas públicas excludentes. A Igreja de Jesus Cristo é a que Ele colocou sobre os ombros de Pedro, mas, que significa também tê-la coloca, atualmente, sobre os ombros de todos nós.

A Igreja na qual vivemos nos dias atuais deve ser uma Igreja que não se acomoda, que não se acovarda, que não se amedronta diante de quaisquer circunstâncias ou embates que queiram desfigurar a Palavra de Deus. Uma Igreja profética, que anuncia e denuncia. Que aponta aos homens e às mulheres o caminho do céu. Que está ao lado de todos, na luta terrena. A Igreja é fruto do amor de Jesus por nós, mas ela está no mundo. E no mundo nós devemos agir. Afinal, disse-nos o Mestre dos mestres: “Ide pelo mundo inteiro” (Mc 16,15).

Jesus não quis que os apóstolos ficassem em Jerusalém. O mundo todo os esperava, como, ainda agora, nos espera. Se não tivermos consciência disso, o que estamos fazendo e dizendo que somos seguidores do Cristo de Deus? Para que, enfim, fomos batizados? Para que recebemos a confirmação da unção do Santo Espírito, na Crisma? Para que vamos à celebração da Santa Missa? Para que participamos do banquete do Cordeiro de Deus, na Mesa Eucarística? Para que nos chamamos de irmãos e de irmãs? Se tudo isso não for por causa do amor de Jesus por nós e do nosso amor por Ele, estaremos na contramão do seu caminho, da sua verdade e da sua vida.

“Como o Pai me amou, assim também eu vos amei” (Jo 15,9). O amor de Deus a Jesus é o mesmo amor que Jesus tem por cada um de nós. Assim, Ele nos deu a sua preciosa vida, sem mácula alguma. Um amor que jamais conheceu imitação. O Pai ama o Filho, que, por sua vez, nos ama. Incondicionalmente.

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15,10). Permanecer. Eis o verbo que devemos guardar e sobre ele meditar. Permanecer é ato contínuo de ficar. Ficar firme. Ficar sem contestação. Ficar em perfeita unidade. O sangue dele nos purifica. O sangue dele nos agrega, nos une a Ele e nos reúne aos outros. Somos irmãos e irmãs pelo sangue do Cordeiro. A sua voz é a voz do Bom Pastor que reconhecemos. A voz de mansidão. A voz que nos transmite segurança e paz.

Permanecer unidos a Jesus e ao Pai faz-nos cada vez mais unidos na vida comunitária, no seio da Igreja, nos movimentos e pastorais, nas atividades que nos façam ir às periferias geográficas e existenciais.

Permanecer no amor de Jesus é vivenciar a mesma prática amorosa que Ele vivenciou entre nós. Jesus não mediu distâncias. Não temeu misturar-se com os chamados de pecadores. Esteve com todos, pobres e ricos. Não fez acepção de pessoas, pois o amor não escolhe este ou aquele. O amor se doa indistintamente. Cruza fronteiras. Vence obstáculos. Respira. Vive. Não nos faz olhar para trás ao pegarmos no arado. Não nos faz cansar ao tomarmos a cruz. O amor é bondoso. É paciente. Sabe nos levar em frente. O amor faz de nós defensores da fé. Propagadores da moral e da ética que devem cingir os modos de agir da sociedade cristã.

“Eu vos chamo amigos...” (Jo 15,15). Somos amigos do nosso Salvador porque Ele se fez nosso amigo. Jesus é o amigo que não nos deixa na mão: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei eu no meio deles” (Mt 18,20).

“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). A amizade do Cristo Jesus veio a nós. Ela nos foi ofertada como a mão que a nós se estende graciosa e firmemente. Mão que se dá e nunca se nega. O Nazareno nos escolheu. Somos seus, como Ele também é nosso.

“Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (Jo 15,17). Que todos nós possamos nos amar como Jesus nos amou. Não somente em palavras, mas com gestos concretos. Amor que se faz serviço. E serviço que se faz com amor.

A minha bênção a todos e a todas, irmãos e irmãs. Jesus Cristo vive. Aleluia!


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