São João Batista: precursor e popular


Deus, criador do Universo, que fez o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, quis vir ao mundo para viver conosco, para celebrar conosco a última e definitiva aliança. E veio a nós na pessoa do seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós, como diz o prólogo do Evangelho de João, o apóstolo e quarto evangelista (Jo 1,14).

Mas, todo e qualquer caminho deve ser sempre aplainado. Daí a existência dos precursores. Até Jesus Cristo teve o seu precursor, João Batista, filho de Isabel e Zacarias, sendo Isabel prima de Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus.

Diz o texto sagrado: “Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.” (Jo 1,8).

Em suas pregações, João antecedia as pregações de Jesus, que nos anunciaria o Reino de Deus, que nos traria a paz, que nos resgataria do pecado e da morte, entregando livremente a sua vida por nós. Vida que não poderia jamais ser tomada, mas, sim, dada de forma espontânea por amor aos filhos e filhas de Deus.

Disse João sobre Jesus: “Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou” (Jo 1,15-18).

O mensageiro de Deus, o que abriu as portas para Jesus, que foi diminuindo em importância diante dos homens para que a luz de Cristo brilhasse como tinha que ser, haveria de ser martirizado. Mas, antes, batizou Jesus nas águas do rio Jordão, como o fizera com muitos que ouviram a sua voz que clamava no deserto. No deserto dos corações que não se entregaram à Palavra de Deus.

Assustados com a sua pregação, os poderosos de Jerusalém mandaram sacerdotes e levitas, para interrogar João Batista: “Quem és tu? Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo” (Jo 1,19-20).

Eles não compreenderam ou não acreditaram: “Pois, então, quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu Elias? Disse ele: Não o sou. És tu o profeta? Ele respondeu: Não. Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo? Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (Jo 1,21-23).

Alguns dos emissários eram fariseus. E continuaram a perguntar-lhe: “Como, pois, batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado (Jo 1,25-27).

“Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando” (Jo 1,28).

O Evangelho de João, sempre minucioso em detalhar os acontecimentos, prossegue: “No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim. Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel. (João havia declarado: Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.). Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus. No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos. E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,29-36).

O precursor de Jesus, João Batista, tornar-se-ia um dos santos mais populares entre nós nordestinos. São João, Santo Antônio e São Pedro formam o trio de santos festejados neste mês de junho com as mais significativas festas populares do Nordeste brasileiro. Tempo das novenas, tão comuns nas igrejas e nas casas das pessoas que são devotas de um ou de outro destes santos. Tempo das danças populares, animadas pelo som característico da música nordestina, tão ao gosto do povo. Tempo das comidas típicas: da canjica, da pamonha, do mungunzá, do milho cozido e assado, dos bolos, do amendoim cozido, que é uma especialidade sergipana, e de muito mais.

Com devoção, a Igreja festeja o santo precursor de Jesus Cristo. E povo o festeja com animação. Que todos nós saibamos reconhecer o valor de João Batista como aquele que abriu o caminho para Jesus. E que também o festejemos alegremente, em paz.

Que tenhamos, então, festas juninas alegres. Que festejem com respeito uns para com os outros. Que as pessoas se divirtam em paz.

Porém, para promover as festas nas comunidades, que os administradores públicos não tirem o dinheiro do pão do povo, da saúde, da educação e de outros serviços assistenciais dos quais o povo mais sofrido tanto precisa. Que as festas públicas sejam feitas, mas respeitando as necessidades do povo que devem ser atendidas na forma da lei.

Que Deus abençoe a todos e a todas.

Assim seja.

#SãoJoãoBatista

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