São Pedro e São Paulo: as duas colunas da Igreja


Que São Pedro e São Paulo nos inspirem, cada vez mais, a mergulhar na compreensão e na vivência prática do Evangelho de Cristo.

Uma casa é muito sólida quando a pedra angular que lhe serve de base é indestrutível. Assim o é com a Igreja Católica, que tem no Senhor Jesus a sua pedra angular. Mas, a casa também precisa ter pilares ou colunas fortes. Costumamos dizer que os dois pilares, ou colunas da Igreja são os apóstolos São Pedro e São Paulo. Na próxima sexta-feira, dia 29, nós celebraremos a Solenidade dos dois pilares da Igreja. Sendo pilares ou colunas da Igreja, São Pedro e São Paulo são celebrados na mesma data.

Quais as razões do motivo de a Solenidade de ambos os apóstolos ser celebrada no mesmo dia? Podemos pensar em algumas situações que ensejaram a celebração conjunta. Dentre elas, destacamos as que se seguem.

No ano 395, o Doutor da Igreja, Santo Agostinho, Bispo de Hipona, no Norte da África, em um memorável discurso expressou que São Pedro e São Paulo, “na realidade, eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos”, disse Santo Agostinho.

Ambos foram detidos no Cárcere Mamertino, localizado ao lado do Fórum da Roma Antiga, numa área escavada na rocha do Capitólio que abrigava o Senado. Acredita-se que o Cárcere Mamertino, também conhecido como Tuliano, tenha sido construído pelo rei romano Sérvio Túlio no século VI a.C. Consistia em duas celas, posicionadas uma sobre a outra. A cela inferior, um espaço pequeno e úmido, era acessível apenas através de um buraco no pavimento da cela superior, e foi usada durante os períodos da República e do Império como prisão e também como local para execuções.

Voltando a Pedro e Paulo, eles foram martirizados na mesma cidade, ou seja, em Roma, provavelmente por ordem do imperador Nero, que assassinou milhares de cristãos. Depois de reformas, a prisão Mamertina foi reaberta aos visitantes em 2010. Mais uma vez fechada, para outras reformas, novamente foi reaberta à visitação pública a 13 de julho de 2016.

São Pedro passou seus últimos anos em Roma liderando a Igreja durante a perseguição e até o seu martírio no ano 64. Foi crucificado de cabeça para baixo, a pedido próprio, por não se considerar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Foi enterrado na colina do Vaticano, e a Basílica de São Pedro está construída sobre seu túmulo. São Paulo foi preso e transferido para Roma, onde foi decapitado no ano 67. Está enterrado também em Roma, na Basílica de São Paulo Extramuros.

Na homilia de 2012, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Bento XVI assegurou que a ligação deles “como irmãos na fé adquiriu um significado particular em Roma. De fato, a comunidade cristã desta Cidade viu neles uma espécie de antítese dos mitológicos Rómulo e Remo, o par de irmãos a quem se atribui a fundação de Roma”. Assim, São Pedro e São Paulo são tidos como os fundadores e consolidadores da Igreja de Roma.

Na mesma homilia, o Santo Padre chamou esses dois apóstolos de “padroeiros principais da Igreja de Roma”. “Desde sempre a tradição cristã tem considerado São Pedro e São Paulo inseparáveis: na verdade, juntos, representam todo o Evangelho de Cristo”, detalhou o Papa Emérito.

O Santo Padre também apresentou um paralelismo oposto com a irmandade apresentada no Antigo Testamento entre Caim e Abel. “Enquanto nestes vemos o efeito do pecado pelo qual Caim mata Abel, Pedro e Paulo, apesar de ser humanamente bastante diferentes e não obstante os conflitos que não faltaram no seu mútuo relacionamento, realizaram um modo novo e autenticamente evangélico de ser irmãos, tornado possível precisamente pela graça do Evangelho de Cristo que neles operava”, relatou Bento XVI.

A celebração da Solenidade recorda que São Pedro foi escolhido por Cristo – “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18) – e humildemente aceitou a missão de ser “a rocha” da Igreja e apascentar o rebanho de Deus, apesar de suas fragilidades humanas. Os Atos dos Apóstolos ilustram seu papel como líder da Igreja depois da Ressurreição e Ascenção de Cristo. Pedro dirigiu os apóstolos como o primeiro Papa e assegurou que os discípulos mantivessem a verdadeira fé.

Bento XVI explicou em sua homilia que, “na passagem do Evangelho de São Mateus (...), Pedro faz a sua confissão de fé em Jesus, reconhecendo-O como Messias e Filho de Deus. E o faz também em nome dos outros apóstolos. Em resposta, o Senhor revela-lhe a missão que pretende confiar-lhe, ou seja, a de ser a ‘pedra’, a ‘rocha’, o fundamento visível sobre o qual está construído todo o edifício espiritual da Igreja”.

Já São Paulo foi o apóstolo dos gentios, isto é, dos não judeus. Antes de sua conversão, era chamado Saulo, mas, depois de seu encontro com Cristo, e de sua consequente conversão, continuou seguindo para Damasco, onde foi batizado e recuperou a visão, que a tinha perdido. Adotou o nome de Paulo e passou o resto de sua vida pregando o Evangelho sem descanso às nações do mundo mediterrâneo. Paulo compreendeu, desde logo, que Jesus veio para todos, e não apenas para o povo de Israel.

Quando já sentia aproximar-se a morte, Paulo escreve a Timóteo: ‘Combati o bom combate’ (2Tm 4,7). Trata-se, aqui, seguramente, do combate de um arauto da Palavra de Deus, fiel a Cristo e à sua Igreja, por quem se consumou totalmente. “Por isso mesmo, o Senhor lhe deu a coroa de glória e colocou-o, juntamente com Pedro, como coluna no edifício espiritual da Igreja”, na expressão, ainda uma vez, de Bento XVI.

Celebremos, na próxima semana, com alegria e fé a Solenidade dos dois pilares da Igreja. Que São Pedro e São Paulo nos inspirem, cada vez mais, a mergulhar na compreensão e na vivência prática do Evangelho de Cristo.

A todos os irmãos e a todas as irmãs, a minha benção com votos de alegres e pacíficos festejos juninos.


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