As Colunas, seus medos e virtudes


Neste dia em que a Santa Igreja celebra, numa só festa, os Apóstolos São Pedro e São Paulo, reflitamos como a Divina Providência sempre quer se valer de elementos humanos, e, portanto, dotados de virtudes e de fraquezas.

Primeiramente, faz-se necessário que retomemos à profecia de Jesus Ressuscitado dirigida a São Pedro logo após este ter confirmado, ainda que imperfeitamente, o seu tríplice amor ao Mestre. Disse-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir” (Jo 21,18). Aparentemente, este versículo demonstra o âmbito temeroso do Príncipe dos Apóstolos, São Pedro. Entretanto, também nos esclarece quanto à sua peregrinação, ao seu desenvolvimento na fé e na aceitação das consequências da missão. Assim, neste descortinar, temos as sequelas que o amor exigirá daquele que foi feito pelo Cristo Pedra. E assim, de certo modo, sintetiza, antecipadamente, a vida do Apóstolo, em seus fracassos e sucessos na aventura de amar o Senhor da Cruz.

Temos Paulo, o “Apóstolo dos Pagãos”, pelo seu ardor incomensurável, elevado, tardiamente, à dignidade do Colégio dos Doze. Também ele dotado do misto tipicamente humano de boa e de desventuras, de heroísmos e de crises. E, de perseguidor à perseguido, São Paulo sabe que tudo quanto é e faz é obra da graça de Deus que o move (cf. Gl 1,13-15); que nos move.

Pedro e Paulo, que se esforçaram, sobremaneiramente, por uma singular causa: a construção da única Igreja de Cristo, Corpo indivisível do Senhor. Pedro aos judeus; Paulo aos pagãos. Ambos com o intento em comum, mediante o ardor dos seus corações, ainda que os destinatários diferissem. Uma diversidade que respeita a unidade e afasta a uniformidade, pautada pela exclamação paulina: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm 8,35). Daí é que, neste vislumbre, a Igreja celebrá-los numa só ocasião, porque, no dizer de Santo Agostinho, “[…] também eles eram um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, eram um só. Pedro precedeu, Paulo seguiu”. Ou ainda São Leão Magno, comentando o diferente temperamento, mas o comum mistério de suas vidas ornadas de virtudes e provadas pelas fraquezas: “Dos seus méritos e das suas virtudes, superiores a quanto se possa dizer, nada devemos pensar que os oponha, nada que os divida, porque a eleição os tornou semelhantes, a fadiga e o final, iguais”. E não se eximindo de refletir sobre a unidade das duas principais colunas da Igreja, o grande Papa Bento XVI comentará: “Embora cada um tenha tido uma missão diferente a cumprir, a tradição cristã considerou Pedro e Paulo inseparáveis um do outro: Pedro, em primeiro lugar, confessou a fé em Cristo, e Paulo obteve o dom de poder aprofundar a sua riqueza”. E tudo isto selado pelo vermelho do sangue que derramaram, enrubescendo o grande amor que tiveram à Igreja de Cristo.

Mas, o vigor destes Apóstolos, muito embora com o auxílio sobrenatural, não era, simplesmente mágico. Paulo mesmo o constatou: “Quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 2,10); expondo-se em muitas ocasiões numa sinceridade resoluta (cf. 1Cor 1,27-28; 9,22; 2Cor 11,29-30; Fl 4,3). E sabiam de onde hauriam as suas virtudes: Daquele que, na Sua fidelidade, os chamou. E penso que isto também nos anima, nós que fomos chamados por Deus e enviados por Ele, que sabe dos nossos medos e coragem.

E o que nos cabe? O nome Simão significa “ouvinte”. Do ouvir a Palavra, Jesus Cristo, tornou-se Pedro, “rocha”, ensinando-nos o caminho para a fortaleza e para a perfeição. O nome Paulo, por sua vez, possui como significado a humildade. Se estivermos na escola desses dois, aprenderemos a, domando a nossa miséria, num processo de crescimento espiritual, estar firmados em Cristo, não obstante a nossa humanidade nos revezes e tentações que nos aguardam no mistério da nossa vida, onde somos exigidos aos frutos constantes das boas obras. Que Deus nos auxilie para a humildade de Paulo, na obediência de Pedro e na valentia de ambos.

O Pe. Everson Fontes Fonseca é Administrador da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro).


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