Vocações


Para a Igreja Católica, agosto é o mês das vocações. Um mês especial para orar por elas, para as descobrir com maior perspicácia e para as estimular.

Segundo a etimologia, a palavra vocação deriva do verbo latino “vocare”, que significa “chamar”. Daí os termos “vocatĭo” e “vocatione”, que quer dizer chamado, apelo, convite. Na raiz do termo estão as palavras “vox” e “vocis”, que, por fim, nos deu em português a palavra “voz”. Então, trata-se de uma inclinação, uma tendência ou habilidade que leva a pessoa a exercer uma determinada carreira ou profissão. É a voz que chama.

Vocação, enfim, é uma competência que estimula as pessoas para a prática de atividades que estão associadas aos seus anseios ou desejos de seguir determinado caminho. Pode-se também dizer que vocação é um talento, uma aptidão natural, um pendor, uma capacidade específica para executar algo que vai dar à pessoa afirmação e dignidade no decorrer da vida.

Para a religião, especialmente para os cristãos católicos, vocação é um chamado de Deus para a prática espiritual, é viver para louvar e servir a Deus e ao próximo. Ter vocação religiosa é estar disponível para saber distinguir as coisas que são do mundo e aquelas que são de Deus. Porém, “distinguir” não significa necessariamente “separar”. Afinal, as pessoas devem viver no mundo para colaborar na propagação do Reino de Deus, encontrando a unidade na diversidade.

Assim sendo, vocação é um chamado de Deus para a realização daquilo que dá sentido à própria existência dos vocacionados. É preciso desenvolver, exercitar, aprimorar e assumir a vocação para que a pessoa possa se afirmar como ela mesma em toda a sua plenitude.

Na Igreja de Jesus Cristo, a vocação sacerdotal é o chamado de Deus para o homem se tornar um operário da messe, que é grande, e precisa, portanto, de muitos operários (Mt 9,37). A vocação sacerdotal significa também ter idoneidade no exercício do sacerdócio. Para se entregar à vida sacerdotal é preciso ter intenção reta, preparação intelectual e idoneidade moral. Para Deus, deve-se dar o melhor de si.

O sacerdócio não deve ser encarado pelo ordenado como uma profissão, mas, sim, como uma vocação, ou seja, como um chamado de Deus para servir como Jesus Cristo serviu, para anunciar como o Divino Mestre nos exortou a anunciar o seu Evangelho.

Andando pelas margens do mar da Galileia, Jesus Cristo chamou os irmãos Simão Pedro e André (Mt 4,18). E eles, que eram pescadores, largando logo os seus barcos, seguiram o Mestre. Do mesmo modo, os filhos de Zebedeu, Tiago e João (Mt 4,21). Eles também O seguiram, deixando as redes que consertavam. Por todos eles, os barcos foram esquecidos na praia. Largaram as respectivas famílias. Largaram tudo. Tornaram-se, todos eles, pescadores de homens.

O sacerdote, ao pegar no arado, não deve olhar para trás (Lc 9,62). Seguir em frente, seguir o ritmo do coração e da razão, que se abrem para a vida nova que foi abraçada. O “sim” ao chamado de Deus deve ser um “sim” firme, seguro, e, pode-se dizer, definitivo. Um “sim” ao amor a Deus e ao próximo.

Homens e mulheres são também chamados para a vida religiosa, nas Congregações e nas Novas Comunidades.

Desde o tempo de Jesus entre nós, homens e mulheres O seguiram. E após a sua ressurreição e subida aos céus, os cristãos e as cristãs foram se multiplicando. Muitos e muitas foram se consagrando à vida religiosa, quando, mais tarde, surgiram as Ordens Religiosas masculinas e femininas.

Ao longo da caminhada cristã, ao florescer das vocações religiosas masculinas, também floresceram as vocações religiosas femininas. Pessoas, homens e mulheres, abnegadas e devotadas ao labor em prol dos mais necessitados e ao vivenciar experiências de vida comunitária, foram se abrigando em conventos e mosteiros, ora fugindo ao mundo, ora inserindo-se no mundo cada vez mais. As Ordens foram se sucedendo. Os trabalhos em prol dos mais necessitados foram se avolumando.

Algumas ordens religiosas masculinas foram se abrindo para a criação de Ordens femininas. Outras Ordens femininas nasceram diretamente a partir da inspiração de seus fundadores ou de suas fundadoras. Espalharam-se pelo mundo. Escolas, hospitais, creches, orfanatos e tantas outras instituições foram fundadas e mantidas pelas Ordens religiosas.

Há que se falar também na vocação para a vida leiga. Homens e mulheres, portanto, leigos e leigas, desde o início da pregação do Evangelho, como se depreende nos Atos dos Apóstolos, cediam as suas casas para a celebração do culto. Hoje, o laicato tem atuação cada vez maior na vida da Igreja. A vocação dos leigos e das leigas, assim como a vocação sacerdotal e religiosa, é também uma bênção para a Igreja que Jesus colocou sobre os ombros de Pedro e, na atualidade, está sobre os nossos ombros, sobre os ombros de todos nós, ordenados ou não.

No âmbito das vocações laicais, situa-se a vocação matrimonial. A vocação matrimonial é, em última análise, o berço de todas as outras vocações. É no seio da família que surgem novos homens e novas mulheres, que se dedicam a todas as vocações. Impulsionada pela fé e alicerçada na Palavra de Deus, a família advinda da vocação matrimonial tem sido o sustentáculo da sociedade, através dos milênios. A vocação matrimonial, como as demais vocações, a exemplo da sacerdotal e da religiosa, é uma dádiva divina. Homens e mulheres que se lançam no convívio, ou seja, no viver com o outro, num enlace santo, devem responder com firmeza para assumir a família e para impulsionar a vida familiar em torno do amor que vem de Deus e toca o coração dos seres humanos.

A vida matrimonial é fundada na vocação para o amor a dois. Eis o seu fundamento inicial: “Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem” (parágrafo 1604 do Catecismo da Igreja Católica).

Que cada um e cada uma possa viver com amor, com dedicação e com santidade a sua vocação. Que Deus nos ajude a seguir em frente. E que o Bom Pastor abençoe a todos e a todas. Amém.

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