Eis o sacerdote!


No mês de agosto, mais conhecido como mês vocacional, a Igreja, dentre tantas lembranças, fortemente se recorda da vocação sacerdotal. Assim, vislumbra a figura do Padre que, no dizer de São João Maria Vianney, é “o amor do Coração de Jesus”.

A identidade do Padre, muito discutida por tantos na hodiernidade, pouco é compreendida. Muitas vezes, no seu imaginário, as pessoas têm em mente que o Padre deve ter respostas para tudo ou deve satisfazê-las em seus caprichos e exigências pessoais, como se os ministros de Deus fossem comerciantes que devem agradar a freguesia. Talham o Padre como assistente social, agitador de massas (pop star, cantor, político…), como isso, como aquilo, enfim… Desejam manipular o Padre e a sua humanidade, esquecendo-se da sublimidade de seu ser em Cristo Sacerdote e da sua missão, que é a mesma do Senhor. O Padre não deve estar para fazer bonito na frente dos outros, mas, simplesmente, para fazer a vontade divina, de quem é arauto, porque assim foi eleito e consagrado pelo próprio Deus. Se o Padre existisse para agradar pessoas unicamente, perfazendo-se na vaidade de ser aprazível e aceito de acordo com os moldes do sucesso mundano, perder-se-ia e não transpareceria Cristo, de quem foi constituído mensageiro.

Dizem que São João Maria Vianney, Patrono dos Padres, quando rumava pela primeira vez a Ars, sua Paróquia, sem saber ao certo a estrada que o levaria, encontrando-se com um menino, disse: “Mostra-me o caminho de Ars que eu te mostrarei o caminho do Céu!”. Realizando a obra de Deus em meio aos homens, é cabível ao Padre o caminho de pedagogo para o Alto. E isso basta. Daí é que vem o significado dos paramentos que usa, para que, escondendo o seu ‘eu’ (que não é anulado por completo), se revista totalmente de Cristo para indicar o Seu caminho para todos, fazendo com que cheguem ao Céu, fazendo a vontade de Deus em tudo. Logo, o Padre é sinal de vida de fé para o mundo porque age na pessoa mesma de Jesus.

O Padre é o homem da consciência. Íntimo da ciência divina, é ele quem ajuda o povo no discernimento em meio às vicissitudes do mundo. A voz do Padre é a de Deus. E, as pessoas, por vezes, não a querem escutar porque a outra fala que paira no mundo parece mais encantadora. Os ditames do mundo, infelizmente, não vêm mais do Altar, não vêm mais do Alto. E, se não são mais de Deus, de quem será? Voz de confusão, de perturbação, de perdição… O Padre Zezinho já constata na canção “Eu vim de lá do interior”: “Sei que a televisão, o rádio e o jornal [aqui, ouso completar: a internet, o whatsapp…] convencem mais cabeças do que o Padre lá no Altar”. O mundo afunda-se no neopaganismo e na impiedade. O Padre é o homem da denúncia.

O sacerdote, com o seu testemunho de vida, é o homem da renúncia. E esta deve ser modelar para o povo que lhe é confiado. Renunciamos o que gostamos, principalmente as paixões que desagradam ao Senhor. Renuncia para lucrar o espiritual, a novidade eterna de Deus na renovação da sua mentalidade. O Padre, como primeiro dentre os fiéis, deve ser o homem da conversão, da constante reforma, da restauração de sua própria vida para ficar cada vez mais parecido com Jesus, o Belo Pastor (cf. Jo 10,11). Belo não no aspecto físico, mas numa perfeição existencial. E, como pastor, o Padre espera, na perseguição à beleza de Cristo, que as suas ovelhas o acompanhem.

Porém, se o Padre não trilha pela santidade, cabe às ovelhas que o continuem vendo como aquele que, de fato, é: Padre; porque “é para nós que eles são padres, é para nós que eles o continuam a ser, mesmo quando esquecem a sua grandeza” (DE SÉGUR, Monsenhor Louis Gastón. Perguntas e Respostas às objeções mais vulgares contra a Religião. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018, p. 75).

Entretanto, a imagem mais forte do Padre no coração do povo é a do homem do Altar, como aquele que distribui a larga magnificência de Deus. E o Senhor a realiza, na Sua constante fidelidade, pelas mãos e pela voz de cada Padre, por mais humilde que este seja. Creio que seja esta a grandeza do sacerdócio: ser o homem da realização das garantias divinas. Sempre me chamou a atenção a profunda ligação existente entre as palavras ‘sacerdote, sacrifício, santidade’. As três, com o mesmo radical latino, expressam o estar separado para fazer junto. Explico-me: o sacerdote afasta-se de seu ser para abraçar o de Cristo; o sacrifício afasta-se de si porque é imolação; santidade é o movimento que nos aparta do mundo para elevar-nos a Deus, o eminentemente Separado. Estas três realidades, que são como uma só (e de fato o são), se trazem a ideia de separação, portam também embutida a noção de aproximação do homem carente com Deus generoso, encontrando Neste o sentido de seu viver. Daí a Carta aos Hebreus salientar que o sacerdote é, em Cristo, “constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (cf. Hb 5,1).

Jesus Sacerdote, cuja ação os padres, diariamente, são chamados a exercer, sustente a vida e a missão daqueles que, no mundo, fazem-Lhe as vezes: este é o nosso pedido.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro)

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