O nosso amor à Virgem Maria


Neste momento, uma rede de televisão está apresentando uma novela, na qual, por conta de uma interpretação rasa e não condizente com a correta hermenêutica bíblica, apresenta uma versão deturpada de Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus Cristo, o Verbo de Deus que se fez carne para habitar entre nós (Jo 1,14). Ora, o Verbo, como diz São João no seu Evangelho, é o próprio Deus. Ou seja, Deus se encarna na pessoa do seu Filho Unigênito. Jesus é a segunda pessoa da Santíssima Trindade. É por isso que dizemos com acerto que Maria é a Mãe de Deus, do Deus Único e Vivo, que veio a nós, tomando a forma humana, a fim de nos ensinar a viver em fraternidade, como seus filhos e filhas.

A televisão apresenta o que quer. Mas, a televisão atrelada a uma denominação religiosa, além de apresentar o que quer, apresenta como quer, ou seja, dentro da visão caolha do seu modo de exercitar uma fé da maneira que convém a determinado segmento intitulado cristão.

Muitas pessoas, católicas, inclusive, estão se deixando levar pelas deturpações sobre a vida de Maria de Nazaré, dado aos seus frágeis conhecimentos sobre as Sagradas Escrituras, desconhecendo, por conseguinte, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja. Desconhecendo, ou pouco conhecendo tudo isso, não têm essas pessoas o poder de argumentação ou de contra argumentação e, assim, cedem facilmente às falácias que lhes são apresentadas, como é o caso dessa tal novela, eivada de distorções e mentiras.

Meus irmãos e minha irmãs, o mês de agosto nos traz duas celebrações importantes sobre Maria Santíssima. No dia 15, mas, por força do calendário litúrgico, transferida para o domingo seguinte, ocorre a Assunção de Nossa Senhora. A Assunção de Maria ao céu significa que Maria foi transformada por Deus em sacrário vivo para o seu próprio Filho.

O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950. Grande júbilo e alegria pairou sobre todo o mundo católico naquela data. Quando o Papa o decretou, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, foi uma verdadeira apoteose, na Praça de São Pedro, em Roma, como nas outras cidades do mundo católico.

Deve-se saber, porém, que o reconhecimento da Assunção de Maria ao céu não se deu por mera decisão dogmática e pontifícia. Na verdade, desde os primeiros séculos da cristandade, já se falava na Assunção. Afinal, a Mãe do Filho de Deus não haveria de ter o seu corpo imaculado consumido debaixo do chão. O melhor dos filhos, Jesus Cristo, não haveria de permitir isso à melhor das mães, Maria Santíssima.

Por outro lado, no dia 22, celebrou-se a memória de Nossa Senhora Rainha. Ora, Jesus Cristo é apresentado nos Evangelhos como Rei, embora Ele mesmo o tenha dito que o Reino d’Ele não era deste mundo (Jo 18,36). Porém, é inegável que Ele é Rei. A mãe de um rei, é rainha. Esta é uma dedução lógica. Mas, é, igualmente, uma dedução e afirmação teológica acertada, que os protestantes não compreendem ou não querem compreender, contraditando, assim, os ensinamentos corretos da Igreja Católica, a Igreja que Jesus Cristo instituiu e colocou sobre os ombros de Pedro.

O Papa Pio XI, através da Encíclica Quas Primas, recordou um ensinamento precioso da Igreja acerca da Pessoa de Jesus: Ele é Rei. E é exatamente nisto que se fundamenta a tradição bimilenar dos cristãos de conceder à Virgem Maria os títulos de “Senhora” e “Rainha”. Se Jesus é o Rei profetizado e exaltado desde o Antigo Testamento, Maria é a Rainha Mãe, a figura maternal que aparece junto dos reis ao longo de quase toda a Sagrada Escritura.

A instituição da Rainha Mãe surge, pela primeira vez, na descendência da casa da Davi, nos reis que vieram após o seu reinado. Depois da morte de Salomão, contam as Escrituras, houve uma divisão do povo de Deus: o reino do Norte, que se separou e perdeu a descendência davídica, e o reino do Sul, no qual permaneceu o reino de Judá.

Os 20 reis descendentes de Davi – que vieram após Salomão – sempre são lembrados juntos com suas mães. Isso comprova a afirmação feita anteriormente: sim, a Rainha Mãe é uma instituição típica da Casa de Davi. Era comum o rei de então reinar junto à mãe. Para isso, ela recebia o título de gebirah. Essa designação aparece 13 vezes no Antigo Testamento em referência à Rainha Mãe.

Para se ter ideia, na narrativa bíblica sobre a entronização de Salomão percebe-se claramente a reverência do rei pela mãe Betsabé, quando esta vem visitá-lo. No livro primeiro de Reis, capítulo 2, versículo 19, está dito: “Betsabé foi, pois, ter com o rei para falar-lhe em favor de Adonias. O rei levantou-se para ir-lhe ao encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. Mandou colocar um trono para a sua mãe, e ela sentou-se à sua direita”.

Essa atitude de Salomão remete imediatamente ao Salmo 44,10: “posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir”. Essa rainha é a gebirah, a Rainha Mãe. Os hebreus mantiveram essa tradição até o exílio da Babilônia, quando não havia mais rei. A partir dessa época, começa-se a esperar a vinda do novo filho de Davi, o Messias.

É óbvio que nem Jesus nem Maria tiveram uma vida de realeza aqui na terra. Ambos viveram na completa simplicidade e pobreza, como atestam as páginas dos Evangelhos. O verdadeiro reinado de Cristo se dará apenas no céu, pois não pertence a este mundo. No apocalipse de São João se encontra alguns traços desse reinado. E é também nesse mesmo livro que a Virgem Maria surge mais uma vez como rainha, “uma Mulher revestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.” (Ap 12, 1). Sem dúvida, uma Rainha Mãe!

Os protestantes, uns mais e outros menos, ficam perplexos perante a interpretação da Igreja sobre Maria. Ora, Maria não é uma mãe qualquer, pois Jesus não é um filho qualquer. Chamar Maria de “Senhora” e “Rainha” não significa, por outro lado, transformá-la em Deusa. Jamais. O senhorio de Maria é totalmente diverso do de seu Filho. Jesus é Adonai, Senhor no sentido de que Ele é Deus, absolutamente acima de todas as criaturas. Portanto, chamar Jesus de Senhor é reconhecer sua natureza divina; chamar a Virgem Maria de Senhora é reconhecê-la como a Rainha Mãe. Quanto às diversas denominações que damos a Maria, como Nossa Senhora, demonstra tão somente o nosso amor e o nosso respeito pela Mãe do Nosso Salvador.

Maria é uma Mãe que, tendo se dedicado ao seu Filho, acompanhando-o, educando-o na fé que ela recebeu de seus pais, pôde vê-Lo crescer cheio de graça e sabedoria (Lc 2,40). Assim também, ela acompanha os seus filhos jovens de hoje, velando-lhes e intercedendo por cada um ao seu amado Filho Jesus Cristo. Os jovens veem em Maria uma Mãe acolhedora e conhecedora de seus problemas, de suas angústias e de suas esperanças. E nos jovens, Maria deposita a sua confiança para a renovação da Igreja e do mundo.


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