Em tempos de procela na barca de Pedro


Nas variadas oportunidades de Sua vida pública, Jesus Cristo anunciava a Boa-Nova de Sua graça de pé na proa da barca de Pedro. De fato, nos escritos evangélicos, não se nomeia nenhuma outra embarcação da qual Ele tenha se utilizado durante o anúncio do Evangelii Gaudium, ou seja, do Evangelho da Alegria, senão a barca de Simão. Além do mais, é nesta mesma barca que acontece, segundo o Evangelista João, a pesca atípica após a Ressurreição do Senhor, onde milagrosamente cento e cinquenta e três grandes peixes não foram capazes de romper as redes de Simão; e ao som das margens calmas e resolutas do Lago de Tiberíades, Simão Pedro é reclamado por Cristo para O amar e apascentar os Seus cordeiros, ainda que vacilante, ainda que receoso, ainda que capaz de ter negado, no enredo da Paixão, o seu Senhor e Mestre três densas e dolorosas vezes. E deste diálogo enxertado num amor sem reservas, Pedro substancialmente é feito Pastor do Rebanho, ainda que ouvindo permanentemente a voz de Quem clamava na proa de Sua barca: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar-vos como trigo. Mas eu rezei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos.” (Lc. 22, 31-32).

Hoje, como nunca, a Igreja enquanto Barca do Senhor, sofre as penúrias de terríveis tempestades, que assolam e afetam principalmente o papa Francisco. De fato, como já nos adverte Jesus, a figura de Pedro incomoda as forças das trevas. Reconstruir a Igreja é tarefa onde, sem sombra de dúvidas, as forças do inferno tentam prevalecer, porque é tarefa de quebrar paredes e fechar as arestas; de encontrar as falhas e apontar os caminhos duma restauração suscitada pelo Espírito Santo, o sopro que intercede em favor da Igreja e que a renova segundo o Seu kairós. Mas, se é tempo de restauração, assim como a Odisseia relata que Ulisses amarrado no mastro (stauros) da barca, para não sucumbir a si nem aos seus tripulantes ao canto magicamente perverso das sereias, assim também a Oração de Jesus Crucificado é a ação que recoloca novamente o mastro da Cruz do Senhor como tábua de salvação perante as tempestades e tentações da vida da barca e de seu timoneiro, ou seja, da vida da Igreja e do Papa Francisco. E diga-se mais: na certeza de que o povo de Deus forma o Corpo Místico de Cristo, quanto mais a oração do Senhor é o conforto para a investida satânica à pessoa de Pedro, tanto mais a oração de Seu Corpo Místico, isto é, de Sua Igreja, será, sem dúvidas, o sustento para a experiência a qual saboreia em dolorosas doses o Papa Francisco.

Nós estamos com o Papa Francisco: esta é a nossa fé, e, por tal motivo, bendita seja a Palavra de Deus. Nós caminhamos com o Papa Francisco: esta é a razão de nossa unidade, e, sendo assim, soframos com ele as procelas e os maus tempos, se preciso for. Nós rezamos pelo Papa Francisco: esta é a nossa missão, e, por tal razão, dobremos nossos joelhos diante Daquele que é o Pastor de nossas almas para que conduza fielmente o pastoreio do nosso amado pontífice. O trigo é moído, mas torna-se pão. A barca sofre, mas alcança o porto. Pedro talvez cansa, mas não vacila e nem sucumbe. A Igreja é perseguida, mas para ser sempre Igreja; nós sofremos, mas alegramo-nos e exultamos, porque um Porto Seguro nos está reservado; o Papa Francisco chora, mas o Rosto da Misericórdia enxuga suas lágrimas e o encoraja para seguir viagem rumo ao mesmo Senhor das Misericórdias. Seja, de fato, a nossa Igreja uma rede mundial de oração pelo nosso Santo Padre; que se crie uma cultura capaz de lembrar dele sempre em nossas orações e preces; que haja nos corações cristãos a firme certeza de que o Papa caminha conosco e pede de nós súplicas a Deus. Sejamos, enfim, um ponto de refrigério, um prado tranquilo também para o nosso Pastor. “Salve, Santo Padre, vivas tanto ou mais que Pedro. Desça, qual mel do rochedo, a benção paternal!”


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