A dinâmica do pequeno para o grande


A Virgem Maria será sempre um modelo de humildade operosa para todos os cristãos de todos os séculos.

Escutemos o que escreve São Paulo, talvez se reconhecendo e vislumbrando os seus companheiros, os escolhidos de Deus: “Vede, irmãos, o vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são” (1Cor 1,26-28). Creio que tais palavras nos explicitam como Deus, se utilizando do que é fraco, faz germinar a poderosa obra do Seu Reino.

Como seguidores de Jesus – portanto, cristãos – somos inseridos na dinâmica do Seu mistério, porque Ele é a Palavra de Deus que se fez carne (cf. Jo 1,14) para habitar conosco, no meio de nós, em nosso coração. Disto nos diz quando das parábolas da semente e do grão de mostarda (cf. Mc 4,26-34). Mas, em simultâneo em que Cristo é a semente, também será o ‘Divino Agricultor’, que fecunda o solo do nosso coração, por vezes empedrado, espinhoso, inconstante e indiferente ao dom da semente, da Palavra e do Semeador. Mas, feliz é o coração que se deixa rasgar, como terra, para acolher o grão que germinará, o broto que, consigo, levará vida! É aí, no pequeno, no simples, no humilde, no aparentemente indefeso, que Deus realiza a obra portentosa do Seu Reino.

A iniciativa da obra é sempre de Deus, o que nos cabe é acolhê-la e fazê-la crescer. Neste caso, esta consciência não se trata de uma falsa modéstia. Mas, a humildade de saber quem somos e o reconhecimento de quem Ele é faz-nos cientes de que o trabalho que nos aguarda, apesar de passar por nossas mãos, é maior do que quem somos e do que nossos fracassos sentimentais de pecado; ou seja: transcende-nos. A importância final não a temos, somos meros instrumentos ineficientes, mas que a Providência todo-soberana de Deus quer precisar – embora sem necessidade de Sua parte – no mistério de Seu Reino. Poderemos ter importância na dinâmica da obra de Deus, porém não somos imprescindíveis.

O Reino é discreto. E o cristão, no auxílio do processo de implementação deste nas estradas do mundo e nas terras dos corações, deverá também sê-lo. O Reino que, na paciência, cresce há mais de vinte séculos, trazendo para o mundo uma realidade eterna, vai se desenvolvendo, não obstante os numerosos inimigos, principalmente os ideológicos, que querem podá-lo ou arrancá-lo com violência, desejosos de, nem ao menos, deixar os vestígios do divino, do sobrenatural. É aí que assistimos desumanidades, tragédias, imoralidades de diversos níveis. E, se não portarmos as sementes do Reino em nosso coração, como numa espécie de algibeira com os grãos, para espalhá-las, o que haverá de crescer no vazio, na ociosidade da existência humana? Ou quem fará o plantio do bem? Do bem, que vem com as realidades do Reino eterno, já presentes em sinais. Ao coração do coadjuvante de Deus no plantio das sementes do Reino cabem a perseverança e a paciência, típicas do “Dono do campo” e das sementes, que lidera o trabalho da semeadura.

A Virgem Maria será sempre um modelo de humildade operosa para todos os cristãos de todos os séculos. Ela reconheceu que Deus se compraz dos humildes e dos pequenos (cf. Lc 1,51-53). E não apenas reconheceu como algo desvencilhado de si, mas o viveu, porque sabia que foi a soberba o que destruiu os planos de Deus para a humanidade em Adão e Eva, porque queriam viver sem Ele (cf. Gn 3,5). Não nos permita o Senhor uma vida desconexa com a d’Ele, e nos ajude a cultivar a pequenez de espírito para O auxiliarmos em Sua gigantesca obra de amor.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Mosqueiro

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