Educação Salesiana e as emoções


A presença do Educador no desenvolvimento de emoções positivas

Todos os dias e a todo o tempo somos interpelados a perceber e compreender sentimentos e emoções que tanto impactam em nossas atitudes. Vivemos tempos nos quais se enfatiza muito o negativo em detrimento do que é positivo, especialmente, nos meios de comunicação. Em algum momento, já nos fizemos a pergunta: se a vida é, de fato, como a descrevem? O Filósofo grego Epíteto, a partir de seu estoicismo, disse que “As pessoas adoecem não pelas coisas em si, mas pela imagem que formam delas”. No ‘modus continuum’, as redes sociais também nos apresenta o vislumbre de vidas perfeitas. Reconhecer o real diante destes polos opostos é um desafio de autodesenvolvimento grande, especialmente, para crianças e jovens em formação. Dom Bosco, nos seus apontamentos sobre a educação dos jovens, dizia: “Ponderando atentamente as causas daquela desgraça, é possível verificar que, em sua maioria, eram infelizes mais por falta de educação do que por maldade”.

O controle das emoções é essencial para o desenvolvimento da inteligência de um indivíduo. Não há uma loteria genética que define vitoriosos e fracassados, embora a ciência, há tempos, nos mostra que existem pontos que determinam o temperamento, pois muitos dos circuitos cerebrais da mente humana são maleáveis e podem ser trabalhados. Quando, em 1877, Dom Bosco escreveu um singelo folheto, vindo a dissertar sobre o que denominou de Sistema Preventivo, discorreu criticamente sobre a Pedagogia que se voltava à fraqueza do ser humano, insistindo de modo demasiado numa linha repressiva e negativa. Essa perspectiva de formação levou a Educação a assumir um modelo de existência humana que esqueceu, até mesmo negou, as características positivas do ser humano, contribuindo para uma visão pessimista das pessoas. Passados quase 150, esse modelo lamentavelmente ainda persiste e se faz presente nos sistemas educacionais, sendo reforçado pelo apelo de se reduzir o trabalho escolar à instrução, à preparação para exames e seleções e à profissionalização.

Salientamos que não somos desfavoráveis ao conteúdo, nem tampouco à preparação para as demandas práticas do mundo. No entanto, entendemos que o diferencial de uma Escola Salesiana não são as instalações ou os exercícios e apostilas diárias, mas sim a presença de educadores próximos e atentos que amem os seus alunos. No Sistema Preventivo, a dimensão da ‘Amorevolezza’ nos encaminha para o amor educativo: presença, cordialidade e afeto. “(...) é preciso romper essa fatal barreira da desconfiança e substituí-la pela confiança cordial”. Martin Seligman, pai da Psicologia Positiva, ao analisar o impacto das atitudes mentais positivas destacou que “a felicidade é, na verdade, uma combinação única de “pontos fortes distintos”, como o sentimento de humanidade, a temperança, a persistência e a capacidade de levar uma vida significativa”. Por isso, é fundamental na educação, confiar nos alunos. E apesar dos vaticínios negativos que muitas crianças e jovens são mergulhadas, em especial, as que apresentam dificuldades de diferentes ordens, a confiança dedicada a eles é na perspectiva de acreditar que a mudança, o desenvolvimento e o progresso são possíveis. A confiança, portanto, é uma atitude fundamental do Educador Salesiano.

E já que as demandas práticas do mundo recaem sobre a escola, é fundamental prezar pelo desenvolvimento de habilidades que jamais serão substituídas pela Inteligência Artificial: empatia, tolerância, resiliência, amor ao próximo e respeito pela história, pela cultura e pelos recursos deste planeta. “Conseguir-se-á mais com um olhar de bondade, com uma palavra animadora, que encha o coração de confiança, do que com muitas repreensões que só trazem inquietações e matam a espontaneidade” (Dom Bosco). Hoje, o que currículo escolar tem apresentado como proposições inovadoras, a Educação Salesiana tem como cerne de sua existência: ‘Amorevolezza’ é a dimensão pedagógica. ‘Cuidar’, ‘acreditar’ e ‘acompanhar’ são os objetivos. ‘Ser’ pessoas de fé e boas para a sociedade é o fim.

Ana Paula F. Yajima é Coordenadora Geral Pedagógica – Salesiano Aracaju

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