Recapitulará a Si todas as coisas


O Apóstolo São Paulo, escrevendo aos Efésios, falará que é preciso recapitular tudo em Cristo. Assim, se exprime: “Ele nos manifestou o misterioso desígnio de sua vontade, que em sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos – desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra” (Ef 1,9-10). Este é um desejo eterno, que demonstra a predileção de Deus por toda a Sua criação, ao querê-la para Si.

Neste final de semana, celebra-se, em toda a Igreja, a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. Mas, qual a intenção da Igreja com esta data litúrgica? Encerrando o ano litúrgico, a Esposa de Cristo, nossa Mãe e Mestra, quer nos conscientizar da nossa origem e do nosso fim. Sabemos que viemos de Deus. Poderemos, teoricamente, ter presente em nós a meta da nossa existência: retornaremos a Ele. Entretanto, por vezes, na prática do nosso viver, nas opções corriqueiras feitas diariamente, corremos o risco de esquecer de tão importante objetivo.

O tema da Escatologia traduz, com precisão, essa ‘recapitulação’. É-nos apresentado pela Sagrada Escritura o encontro das realidades celestiais, para onde somos chamados, com as aparências deste mundo, com o que, atualmente, nos cerca, nos interpela. Daí é que, no Evangelho de Marcos (13,24-32), Jesus nos dizer que as forças cósmicas (sol, lua, estrelas) serão estremecidas, gravemente acometidas diante da glória do ‘dia do Filho do Homem’. Os acidentes cósmicos representam todo o criado que se submete ao poder de Cristo Rei, onde “naquele tremendo e glorioso dia, passará o mundo presente e surgirá o novo céu e a nova terra” (Prefácio do Advento I-A). Entretanto, não imaginemos que estes ‘novo céu e nova terra’ estão ausentes nestes dados espaço e momento. Não! Muito pelo contrário: entre as sombras e luzes da história do mundo e nossa, pessoalmente, a novidade da eternidade, deste encontro glorioso com Cristo já se faz, porque “ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz a realização de seu Reino” (Ibidem), basta que estejamos atentos e dispostos a receber tais dons. Quando o fazemos, pomos à submissão a Cristo tudo, absolutamente.

Naquele dia, ser-nos-ão pedidas pelo Senhor as respostas do amor atento, prestativo, operante que exercitamos, como manifestação do que clamamos quando rezamos o Pai-Nosso: “venha a nós o vosso Reino”. Na profecia de Daniel (cf. 12,1-3), encontramos o sério sentido do abalo das forças cósmicas apresentadas por Jesus, posteriormente: o que foi criado como ornatos celestes será substituído pelo brilho daqueles que foram criados a “imagem e semelhança de Deus” e que, pela fé, se esmeraram por trazer, para o seu tempo, os mistérios do Reino de Cristo.

O “Dia de Cristo” será ocasião de tremendo discernimento; de saber o que ou quem foi aliado de Deus ou Seu adversário. Até lá, ansiosamente, esperamos. Tal expectativa não deverá ser fadada pelo ‘cruzar os braços’, pelo ócio. Porque, a exemplo de Deus, que não está na inatividade, também nós não deveremos estar no marasmo, pois “queremos que Cristo reine”, como explicita São Josemaría Escrivá em seu clássico “Caminho” (n. 639).

A pronta resolução de querer Cristo e o Seu Reino concretamente acontece quando, guardando a Palavra de Deus, vivemos na vontade e na vigilância da glória eterna, com uma vida que suspira “Vem, Senhor Jesus!” (cf. Ap 22,17). Se percebermos que tal invitatório nos causará o constrangimento da total indignidade de gozar Cristo no Seu reinado, é porque não aproveitamos a ocasião atual, premente à conversão para, com as virtudes, anteciparmos a experiência proposta pelo Senhor, que nos vocaciona, nos chama para Si. Isto é pôr-se sob a recapitulação a Cristo, porque é caminho de santidade, de configuração a Ele.

Padre Everson Fontes Fonseca é Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro).

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