Advento: tempo de espera e de conversão


Neste Domingo, abrimos o Tempo do Advento do Senhor, com grandes mensagens que a Igreja, na sua expectativa ansiosa pelo Salvador que vem, apregoa ao coração de seus filhos, sempre nos embasando pela experiência litúrgica, que contempla a leitura das Sagradas Escrituras. Assim, como Mãe e Mestra, Esposa de Cristo, ela inspira-nos, oferecendo-nos algumas noções para uma proveitosa e salutar vivência desta preparação para o Natal do Jesus.

Far-se-á latente neste tempo, por exemplo, o Profeta Isaías, que, em diversas passagens de seu livro, enche o nosso coração de esperança, convidando-nos a reconhecer quem somos e, acima de tudo, quem Deus é. Almejando pela salvação que vem do Alto, o autor sagrado reconhece a grandiosidade de Deus e a miséria do humano. “Assim, Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos” (Is 64,7). Não sei com que dimensão esta figura ressoa em nosso interior: o fato mesmo de nos deixar modelar por Deus não é simplesmente uma imagem romântica. Não. Transcende isto: é deixar-se vencer-se a cada dia pelo Senhor, em nossas debilidades, fragilidades, adversidades; fazendo com que permitamos que Ele nos modele com a Sua Palavra, quebrando as nossas arestas.

Deixar-se modelar pelo Senhor é permitir-se a uma constante aventura: a de conversão. Quando nos permitimos ser entalhados por Deus, longe de perdermos a nossa identidade, associamos ao nosso ser as feições Daquele que nos molda, tendo em vista que todo artista deixa marcas de si nas suas obras, naquilo que faz. Também o sagrado Tempo do Advento é ocasião de conversão. Daí não ser outra a cor característica destes dias senão o roxo. E, se é ocasião de conversão, também o será de penitência, porque deixarmo-nos vencer pelo Senhor, por vezes, é exigente – quiçá dolorido –, porque é caminho de renúncia pessoal.

Diante do que Isaías expõe com esta imagem derradeira (a saber: a do barro e do oleiro), que nos inspira a conversão, a penitência, entrevemos a figura da Igreja, que, como já dissemos, desejosa pela vinda do Senhor, pedindo que Ele venha logo, é pregoeira de mudança, de transformação interior na vida de todos os que, com ela, como sua prole, aguardam esta tão querida chegada. Mais do que o orvalho que desce sobre os campos, devolvendo a umidade que o mundo perdeu no causticante calor do dia pela evaporação, o Senhor virá para nos elevar a uma dignidade muito mais superior do que a que tínhamos quando antes do pecado original.

No Advento, temos a lição do “vigiai”. Esta precaução querida pelo Senhor para o cultivo no coração de todos, faz-se premente sempre, porque o Advento é reflexo da nossa jornada neste mundo. A atitude de aguardar o Senhor (seja em sua vinda mística com a proximidade do Natal, seja na sua dimensão escatológica, quando do final dos tempos) é um sério convite que avalia, de maneira pertinaz, a nossa fé e esperança. Ao ‘vigiar’ dito da parte de Jesus, dizemos-Lhe o “vinde!”, sem constrangimento, porque cremos que a estes verbos se associam as nossas boas obras que amparam a nossa vigilância e apressam o Senhor em simultâneo.

Não podemos clamar a vinda do Salvador, esperando tempos novos, se a nossa vida não for plausível ao que, fortemente, desejamos. Se não buscarmos a conversão, para uma melhora de vida e de costumes, poderemos cometer o disparate de não sermos dignos o bastante de acolhermos “Aquele que vem em nome do Senhor” (cf. Sl 117,26). Não caiamos nesta “esquizofrenia espiritual”. Busquemos a conversão para que o nosso coração seja um presépio acolhedor para o Senhor que deseja nascer em nós!

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Mosqueiro.

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