Maria, a Senhora do Advento


Nesta dia em que festejamos a Imaculada Conceição de Maria, desejo refletir a estreita ligação existente entre a Virgem Santíssima e o Tempo do Advento, ora experimentado, no vislumbre de que nenhuma criatura sobre a terra viveu com maior expectativa a chegada do Salvador do que aquela a quem chamamos neste texto “Senhora do Advento”.

Por duas vezes, no Evangelho segundo São Lucas, temos a referência ao fato de Maria guardar, em meditação, aquilo que via, escutava, sentia. A primeira delas, quando o recém-nascido Jesus é visitado pelos Pastores de Belém, pelos humildes, os prediletos de Deus (cf. Lc 2,19); a segunda, quando, levando o Adolescente Jesus ao Templo, escutou dos lábios de seu Filho e Senhor o seu ‘programa’ de vida e missão: “Não sabeis que devo ocupar-se das coisas do meu Pai?!” (Lc 2,51).

Entretanto, engana-se, grandemente, quem pensa que a Virgem Beatíssima somente meditava nas realidades divinas após o nascimento de Jesus. Não, ela, sempre atenta à Palavra de Deus, acalentava em seu interior a espera do Messias. E, de maneira velada, esta atitude de constante escuta e meditação é trazida no relato da Anunciação, quando ouvindo a saudação angélica, São Lucas afirma, como se estivesse nos seus sentimentos: “Ela [Maria], ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta” (Lc 1,29). E no Magnificat? Num só canto, poeticamente, relembra, em ponderação, todas as maravilhas realizadas ao longo da história de Israel (e do mundo) até aquele momento especial da libertação trazida pelo rebento de seu ventre virginal. O Magnificat, ainda que seja uma inspiração divina posta nos lábios de Maria, é sinal de que, ao longo de sua vida, ela nunca se olvidou de meditar a Palavra, sintetizada no seu cântico na casa de sua prima Isabel, porque reconhecia que, tudo quanto havia esperado ela, seu povo povo e os justos, realizava-se em si. Daí, é que o Papa Bento XVI frisar: “Sabemos que Maria conhecia bem as Sagradas Escrituras. O seu Magnificat é um tecido feito com os fios do Antigo Testamento”.

É célebre o que afirma Santo Agostinho acerca da constante meditação expectante de Maria. Dizia o Santo Bispo de Hipona que, para ela, “foi mais importante ter sido discípula de Cristo do que ter sido a Mãe de Cristo” (Sermões 72 A,7). E, atente-se, caro leitor, para o termo “discípula”, apresentado na fala de Agostinho. O discipulado remonta à prática da conjugação ‘escuta-aprendizado’. Isso viveu a Virgem antes mesmo de dar a luz ao Verbo Encarnado. No mistério divino, antes mesmo de conceber, a Mãe do Verbo O escutava, velado na Palavra proclamada pelos judeus, porque Verbo e Palavra se constituem a mesma realidade. Disso, não nos esqueçamos!

Maria é a Senhora do Advento porque tem muito a nos ensinar, se quisermos viver, profundamente, o Natal de Jesus. Que a seu exemplo sejamos atentos para acolhê-Lo misticamente, recebendo, meditando e praticando a Palavra, em especial nas diversas ocasiões da nossa vida e da vida dos mundo em que a nossa fé é posta em xeque, em desafio.

Padre Everson Fontes Fonseca é Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Mosqueiro.

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