As nossas lepras


Muitos são os sinônimos que podemos usar para designação da ação do pecado em nossas vidas, uma delas, sem dúvida alguma, se caracteriza como “lepra”: lepra interior que corrói o nosso coração, adormecendo-o de tal maneira, que nos desfigura e nos desintegra, inclusive na relação com Deus.

Perfazendo um preceito de salubridade, o Pentateuco ordenará: “Se o homem estiver leproso é impuro [...] O homem atingido por este mal andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: ‘Impuro, impuro’” (Lv 13,44.45). Porém, mesmo sendo superada a mentalidade de tal ordem como contributo para a saúde pública, as palavras do Levítico, no sentido espiritual, não devem se perder. E, assim, o Papa Bento XVI, no comentário de como os efeitos do pecado nos deformam na dignidade de sermos imagem e semelhança de Deus: “É possível entrever na lepra um símbolo do pecado, que é a verdadeira impureza do coração, capaz de nos afastar de Deus. Não é de fato a doença física da lepra, como previam as normas antigas, que nos separam d’Ele, mas a culpa, o mal espiritual e moral” (Papa Bento XVI, Ângelus de 15.02.2009).

E o Levítico continua: “Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento” (Lv 13,46). O pecado, que nos exclui da Graça divina, expulsa Deus do habitáculo do nosso coração. Quando, infelizmente, isso acontecer, busquemos os sacramentos da Igreja, especialmente a Confissão, e não tardemos em, já restituídos na dignidade e quites com Deus, dizermos, como São Pio de Pietrelcina: “Fica, Senhor, comigo, pois preciso da tua presença para não te esquecer. Sabes quão facilmente posso te abandonar. Fica, Senhor, comigo, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair. Fica, Senhor, comigo, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor. Fica, Senhor, comigo, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão. Fica, Senhor, comigo, para me mostrar tua vontade. Fica, Senhor, comigo, para que ouça tua voz e te siga. Fica, Senhor, comigo, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia. Fica, Senhor, comigo, se queres que te seja fiel. Fica, Senhor, comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor. Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho. Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio. Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti. Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração. Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor. Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico! Fica, Senhor, comigo, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. Com este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém”.

Nos Salmos, temos estampada a alegria do pecador que, consciente de seus erros, confessando-os, reconhece a misericórdia divina, tal como Jesus, posteriormente, institui no Sacramento da Confissão: “Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: ‘Eu irei confessar meu pecado!’ E perdoastes, Senhor, minha falta. [...] Corações retos, cantai jubilosos!” (Sl 31,5.11). A alegria [a infindável, a verdadeira] da vida cristã vem desta comunhão com Deus; de um coração que pulsa em pari passu com a Sua misericórdia; “Deus que alegra a nossa juventude” (Sl 42,4), a juventude da nossa alma, e nos revive em Seu amor.

Aprendamos esta lição e não façamos questão de vivermos em função das nossas lepras!

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Mosqueiro.

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