Maria, Estrela da Evangelização


O Papa São Paulo VI, quando do décimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, resgatou à mente dos cristãos, um belíssimo título mariano, o de “Estrela”, enriquecendo-o ainda mais, quando alcunhou Maria, “Estrela da Evangelização”.

O Papa, no desejo de um renovador impulso missionário para a Igreja, observando Pentecostes, coloca em Maria a presidência daquela prece que encorajou os Apóstolos – inclusive São Pedro Papa – para o anúncio do Evangelho, e a partir da pregação da Igreja, para o anúncio de tempos novos de esperança nas promessas do Senhor: “Na manhã do Pentecostes, ela presidiu na prece ao iniciar-se da evangelização, sob a ação do Espírito Santo: sempre renovada, que a Igreja, obediente ao mandato do Senhor, deve promover e realizar, sobretudo nestes tempos difíceis mas cheios de esperança!” (Evangelii Nuntiandi, n. 85, 1975).

Mas, por que tratar Maria como estrela? A Igreja o faz na alusão que a estrela chamada “d’alva” inspira. Na realidade, a estrela d’alva não possui luz própria. Mas é o planeta Vênus, que, antes do arrebol, já refletindo, por sua altura, a luz do sol, aparenta-se como tal porque reluz o astro-rei. Maria resplandece Cristo, não possuindo luz sem si mesma, portanto. E isto de termos o Senhor Jesus como “Sol” é bastante recorrente nas Escrituras. Entretanto, aponto-lhe duas passagens que nos saltam aos olhos: a primeira: quando do nascimento de São João Batista, ao desenrolar da língua de seu pai, Zacarias, este entoa um cântico, chamando o Menino, que o seu filho já apontava, de “Sol nascente, que nos veio visitar” (cf. Lc 1,78-79); no segundo: quando, para a apresentação do Menino Jesus e a sua própria purificação, a Virgem Santíssima escuta de Simeão a confissão de Cristo-Luz (cf. Lc 2,29-32). E, com esta visão, Paulo VI ainda diz: “A aparição de Nossa Senhora no mundo é como a chegada da aurora que precede a luz da salvação, Cristo Jesus; é como o desabrochar sobre a terra da mais bela flor que alguma vez brotou no jardim da humanidade: o nascimento da criatura mais pura, mais inocente, mais perfeita, mais digna da definição que o próprio Deus, semelhança de Deus. Maria restitui-nos a figura da humanidade perfeita” (Homilia de 08.09.1964).

Tratar Maria como “Estrela da Evangelização” é reconhecer que ela, não apenas na manhã de Pentecostes, como após a Anunciação, na Visitação, apressadamente, vai a Isabel, para, socorrendo-a, apresentar-lhe a Boa-nova, que é o próprio Salvador. Isabel que, extasiada, acolhe a mensagem do Salvador e professa a sua fé, cheia do Espírito Santo (cf. Lc 1,42). Também em Caná, Maria, crendo, levou os outros à fé, evangelizou (cf. Jo 2,5). Imaginemos, igualmente, a importância de Maria aos pés da cruz no que se refere à evangelização e os seus frutos de Salvação: estando de pé, a Mãe do Senhor e nossa, com a sua firmeza, inspira, no decorrer dos séculos, a fé no coração dos cristãos redimidos; redenção esta que tem em Maria a primeira dos justificados, ela que, pelos méritos de Cristo, é Imaculada.

Retomemos, agora, a firmeza que a presença de Maria em Pentecostes embute, como força para que os Apóstolos, fiéis, saíssem para propagar o Evangelho. E, nas nossas dificuldades, a Virgem-Estrela, que é Templo do Espírito Santo, a Mulher de Pentecostes, é sinal de Cristo para os cristãos de todos os tempos. Percebendo em Nossa Senhora um fanal, um luzeiro que nos enche de coragem para as situações difíceis da vida, enfrentando-as com a determinação do Evangelho, São Bernardo, inspirado na figura que um farol exerce sobre os navegantes, afirma-nos: “Se se levantarem os ventos das tentações, se tropeçares com os escolhos da tentação, olha para a Estrela, chama por Maria. Se te agitarem as ondas da soberba, da ambição ou da inveja, olha para a estrela, chama por Maria. Se a ira, a avareza ou a impureza impedirem violentamente a nave da tua alma, olha para Maria. Se, perturbado com a lembrança dos teus pecados, confuso ante a fealdade da tua consciência, temeroso ante a ideia do juízo, começares a afundar-te no poço sem fundo da tristeza ou no abismo do desespero, pensa em Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Não se afaste do teu coração; e, para conseguires, a sua ajuda intercessora, não te afastes dos exemplos da sua virtude. Não te extraviarás se a segues, não desesperarás se a chamas, não te perderás se nela pensas. Se segurar as tuas mãos, não cairás; se te proteger, não terás nada que temer; não te cansarás, se ela for o teu guia; chegarás felizmente ao porto, se ela te amparar” (Homilias sobre a Virgem Maria, 2).

Que Maria, Estrela da Evangelização, ilumine o nosso caminhar rumo a Cristo, Sol que significa em Si mesmo as nossas vidas. Amém.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Mosqueiro.

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