Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade


Reiteradas vezes, percebemos que o legado por Jesus no Sermão das Bem-Aventuranças (cf. Mt 5-7) é caminho de santidade. Assim, igualmente, a ação misericordiosa o será.

O Evangelho nos diz que, ao início de Sua missão, o Senhor curou a sogra de Simão Pedro, evidenciando o seu passo de misericórdia: contaram-No que ela estava de cama, febril, “e ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se” (Mc 1,31). E, não achando suficiente, além de curar muitas pessoas de diversas doenças e expulsar muitos demônios (cf. Mc 1,34), ardendo de caridade, sentiu-se impelido a dizer, incitando-nos também à missão da misericórdia: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (Mc 1,38).

A missão do Senhor é a da salvação; Ele a exerce na misericórdia. Isto o vemos na Carta ao Hebreus: “Pois, afinal, não veio ocupar-se com os anjos, mas com a descendência de Abraão” (Hb 2,16). O interessante é que o Cristo nos incumbe, Consigo, desta tarefa: a de que nos ocupemos – no bom sentido da ideia – com a salvação dos outros como demonstrativo de uma experiência pessoal de salvação que fizemos com o Senhor. Esta experiência, que comporta toda a nossa vida (em suas boas venturas ou não), é um compromisso pessoal de nossa parte. E, partindo de si mesmo, do que já experimentou, o Papa Francisco, na Exortação “Gaudete et Exsultate”, afirma: “O próprio Cristo quer vivê-lo com você em todos os esforços ou renúncias que isso implique e também nas alegrias e na fecundidade que lhe proporcione. Por isso, você não se santificará sem se entregar de corpo e alma, dando o melhor de você nesse compromisso” (n. 25).

Quando lemos o encerramento do Evangelho de São Mateus, ao envio que o Senhor faz à Sua Igreja (e, portanto, nos faz), O Senhor nos garante a Sua assistência, a Sua presença, como grande consolação para a experiência de santidade e de missão que iremos desenvolver: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,19-20). E isto o faz, porque estamos em comunhão profunda com Ele. É a partir desta união pessoal com o Cristo que descobrimos a responsabilidade de nossa fé: porque “Não é que a vida tenha uma missão, mas a vida é uma missão” (Gaudete et Exsultate, 27).

Na “Gaudete et Exsultate”, Francisco explanar-nos-á o duplo aspecto da misericórdia, com a dupla feição da caridade: “[...] é dar, ajudar, servir os outros, mas também perdoar, compreender” (n. 80), como uma tentativa de “reproduzir em nossa vida um pequeno reflexo da perfeição de Deus, que dá e perdoa superabundantemente” (n. 81). Logo, ser misericordioso é atrever-se (no bom sentido do termo) a ter como lógica, como parâmetro de sentimento, aquilo que é essência do próprio Deus, o amor: “Deus é Amor. Aquele que ama permanece em Deus, e Deus nele” (1Jo 4,16). Se vivermos o amor, a misericórdia, seremos transparência desta ilimitação de Deus, desta superabundância no amor.

Tecendo acerca da constância da misericórdia, o Santo Padre não se comede em enumerar a quantidade em que devemos exercê-la. Retomando os “setenta vezes sete”, aquela resposta que Jesus dá a Pedro acerca do número de vezes para o perdão, Francisco convida a que, para um contínuo exercício da misericórdia, cada um olhe para a sua própria vida, e perceba a experiência de perdão que Deus nos proporcionou e nos proporciona: “[Jesus] chama felizes aqueles que perdoam e fazem os ‘setenta vezes sete’ (Mt 18,22). É necessário pensar que todos nós somos uma multidão de perdoados. Todos nós fomos olhados com compaixão divina” (GE 82).

Sermos misericordiosos é uma missão que nos aponta à santidade. Misericordiosos, primeiramente, por termos experimentado o amor de Deus em nossa própria vida; e, por este critério, despertarmos os outros para esta experiência, conduzindo-os a Cristo com o nosso amor por eles, sempre numa atitude de serviço.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Mosqueiro.

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