A penitência quaresmal


Na pedagogia do seu Calendário Litúrgico, preparando os seus filhos para a Santa Páscoa, a Igreja instituiu o tempo quaresmal como ferramenta que nos proporciona uma fiel preparação interior, fazendo-nos voltar o olhar ao que Jesus nos ensina com o Sermão das Bem-Aventuranças (cf. Mt 6,1-6.16-18), percebendo o formidável e salutar ‘tripé’ da espiritualidade da Quaresma: a esmola, a oração e a penitência (representada pelo jejum). Nesta nossa reflexão, desejo demorar-me acerca deste último ponto - o da penitência -, explorando-o.

Primeiramente, por penitência, entendamo-la como o movimento do coração humano na reconciliação com Deus. Esta ideia é também trazida pela exortação de São Paulo: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. [...] Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus. [...] É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 5,20.6,1.2). Esta proposta de reconciliação entre os pecadores e a Suma Perfeição, Deus, sempre é um brado da Igreja que, em Cristo, quer que todos se salvem, chegando ao conhecimento da Verdade (cf. 1Tm 2,4), mormente neste sacro Tempo da Quaresma. E esta Verdade é a própria Pessoa de Jesus.

É um dos cinco mandamentos da Igreja a confissão pelo menos numa vez ao ano. Para os que não possuem nenhum impedimento canônico, esta confissão, no mínimo anual, é desejo de pacificar o seu coração ‘com’ e ‘em’ Deus. Daí termos, como sinônimo, o nome alternativo da Penitência ou Reconciliação ao Sacramento da Confissão.

A penitência, igualmente, é um movimento do coração humano que, ao querer reconciliar-se com Deus, deseja ir ao encontro do próximo. Esta mensagem é-nos apresentada pela esmola como fruto da caridade cristã: fazemos, então, uma penitencial renúncia do que temos para socorrermos o Cristo sofredor, que padece nas mais diversas carências da existência humana.

A penitência ainda é caracterizada pelo Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica, em três razões: “Para reprimir os desejos da carne. [...] Para que o espírito possa alçar-se mais livremente à contemplação das coisas mais altas. [...] Em reparação pelos pecados”. E, anteriormente, Santo Agostinho, ainda no século IV, explana-nos mais: A penitência “purifica a alma. Eleva o espírito e faz com que o corpo se subjugue a ele. Torna o coração contrito e humilde, dispersa as nuvens dos desejos, apaga as chamas da luxúria e inflama a verdadeira luz da castidade”.

Que nestes quarenta dias, voltados às práticas de mortificação, deixemo-nos reconciliar com Deus, na certeza de que somente encontraremos a paz e felicidade se estivermos na Sua graça.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Mosqueiro.

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