A oração de Cristo e a nossa


Muitas são as passagens evangélicas que retratam Jesus, movido pelo Espírito Santo, em comunicação com o Pai. Tais cenas, além de nos inspirar à contemplação da Santíssima Trindade, faz-nos ver o Senhor como modelo de oração.

Cristo é o Orante por excelência. É o máximo Modelo de união ao Pai. E mais: com a voz do Verbo, que se dirige a Deus na Sua essência igualmente divina, leva-nos em Suas preces, pois carrega nelas a nossa natureza humana. A oração de Jesus é caracterizada por um profundo mistério, que nós, Nele, deveremos copiar porque Lhe somos associados, já que pertencemos ao Seu Corpo Místico, à Sua Igreja.

Dentre os momentos orantes de Jesus, nenhum ganha maior enfoque nas páginas do Evangelho do que aquela feita no Horto das Oliveiras, na Quinta-Feira Santa. Ali, vemos o Cristo tão absorto, que sua, além de suor, Sangue, aquele mesmo que derramará no lenho da Cruz, cuja realidade eucarística já havia instaurado há pouco, na Última Ceia, onde institui o pão e o vinho como Sacramentos do Seu Corpo e do Seu Sangue. Não teria significado aquele suor de Sangue derramado sobre a terra como as graças que Deus derrama ao coração dos homens quando oramos?

São Mateus diz-nos que Jesus “adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: ‘Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que Tu queres’” (Mt 26,39). Intimidade e confiança em Deus e renúncia de si mesmo, eis ao que a oração nos deve impelir. E Santo Tomás de Aquino, no seu comentário ao Evangelho de Mateus (Super Matthaeum, c. 26, lect. 5), afirmar que a oração de Cristo possui como características a solicitude, a humildade, a devoção e a submissão. Por solicitude: “[...] note-se que ele não foi muito longe, mas um pouco, para que pudesse mostrar que não estava longe daqueles que o invocam”. Por humildade: “[...] Nosso Senhor prostrou-se, para mostrar que não se deve confiar nas próprias forças”. Por devoção: “Ele diz ‘Meu Pai’ porque ele é singularmente o Filho de Deus; nós somos filhos de Deus por adoção somente”. E, por submissão: “E com isso ele ensina, dando exemplo, como devemos ordenar nossas inclinações para que elas não entrem em conflito com a lei divina. Disso aprendemos que não há nada de errado em nossa repulsa ao que é naturalmente repugnante, desde que alinhemos nossas emoções com a vontade divina”. Com tais apontamentos, a oração do cristão será mais parecida com a de Jesus, muito mais rica de eficácia e de relevância; seremos modelados pelo conteúdo do que rezarmos.

A espiritualidade da Quaresma se apóia, também, no tripé oração, que interage com a penitência e a caridade. É um tempo para rezarmos mais, sem dúvidas. E isto nos ordenou Jesus, quando disse aos discípulos, ainda no Jardim do Getsêmani, naquela Quinta-Feira, a Santa: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação” (Mt 26,41). Porém, estes quarenta dias preparatórios para a Páscoa nos fazem avaliar o ‘como’ rezamos e a ‘qualidade’ da nossa oração. Que o pregão quaresmal nos seja uma oficina para uma maior intimidade com Deus.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Mosqueiro.

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