O nosso kerigma diário


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O Cristianismo se desenvolveu, principalmente nos primeiros séculos, à luz do testemunho pascal da Igreja. Como primeira dentre os que constataram o Cristo Ressuscitado, a Esposa do Cordeiro anunciará aos seus filhos e ao mundo a grande verdade pascal, o que, em grego, se chama ‘kerigma’​.

A partir daquela experiência do sepulcro aberto, a vida dos Apóstolos é mormente exigida à fé, seja cultivada em seus próprios corações, seja testemunhada. Prova isto, o martírio de todos eles, com exceção de João, o Evangelista, que, também, mesmo sem derramar o seu sangue, enfrentou muitas situações difíceis para testemunhar o que nos narra o Evangelho que nos afirma que João viu e acreditou (cf. Jo 20,8). Mesmo encontrando-se face a face com o Ressuscitado, esta exigência da fé, vai sendo correspondida a altura, num desenvolvimento que prescinde a própria consciência daqueles homens. O que não significa dizer que não tiveram momentos de fraquezas na atitude de crer e de anunciar. Mas, sempre empreenderam, desgastaram-se a própria vida para defender a verdade e não uma simples ideia ou fantasia: Cristo ressuscitou, e nós O vimos, “nós, que comemos e bebemos com Jesus” (At 10,41).

O fato de crer que o seu Senhor e Deus ressuscitou nunca precisou ser proclamado solenemente como dogma pela Santa Igreja Católica, porque é princípio fundamental de tudo quanto ela, piamente, crê. Sem esta verdade basilar todo o “edifício” da fé cristã se desmorona. São Paulo já o reconhecia, quando diz: “Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé. Assim, seríamos também considerados falsas testemunhas de Deus. [...] E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é ilusória e ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15,14-15.17).

A verdade da Ressurreição de Jesus é, cotidianamente, proclamada pela Igreja em todas as suas ações, principalmente pelo Sacrifício Eucarístico. Quando, na Consagração, na Transubstanciação, ela brada pelo sacerdote “Eis o mistério da fé!”, ela mesma responde, imediatamente, pelos lábios de seus fiéis: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”. Viva e atuante, a Igreja nunca esconde que é o Espírito de Cristo Ressuscitado que a encoraja a singrar os mares turbulentos do mundo, que deseja fazê-la soçobrar, ainda que em vão, porque, ressuscitado, Cristo é vencedor, e esta invencibilidade Ele a concede à Sua Igreja, e, particularmente aos que são seus filhos para a lida cotidiana, para que estes, com as suas vidas, ecoem o testemunho querigmático da Igreja: “Cristo ressuscitou, venceu. E nós, unidos a Ele, ressuscitaremos, venceremos Nele”.

Por que, após tudo o que vimos e ouvimos da parte do próprio Deus nestes dias pascais, ficarmos cabisbaixos, desanimados, temerosos? Cristo venceu, e isto basta, na sua magnanimidade, para encorajar-nos, porque evento mais forte e poderoso não houve e nem haverá. “Sim, irmãos, a Páscoa é a verdadeira salvação da humanidade. [...] É um acontecimento que modificou a orientação profunda da História, fazendo-a pender de uma vez por todas para o lado do bem, da vida e do perdão. Somos livres, estamos salvos! Eis o motivo por que exultamos do íntimo do coração: ‘Cantemos ao Senhor: é verdadeiramente glorioso!’” (Bento XVI, Mensagem ​Urbi et Orbi​, 04 de abril de 2010).

Permitamo-nos envolver pelo clarão do Ressuscitado e conduzirmos, segundo este fulgor, a nossa vida, os nossos dias, com as suas alegrias e as suas esperanças, os seus sofrimentos e as suas angústias, sempre dando testemunho da nossa fé no Cordeiro Imolado e Vencedor.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).


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