O Bom e Belo Pastor


O Quarto Domingo do Tempo Pascal, tal como a Igreja está a celebrar, tendo por reflexão o décimo capítulo do Evangelho segundo São João, é ocasião para contemplarmos Jesus no Seu qualificativo de ‘Pastor’, e a nossa consequente atitude de ovelhas, chamados aos atributos Daquele que nos guia, seguramente, por veredas até verdejantes pastos (cf. Sl 22,2).

“Eu Sou o Bom Pastor” (Jo 10,11). Ao apresentar-se com tal imagem, Jesus faz um dos discursos mais ternos de toda a Sagrada Escritura. Mas, qual o porquê de tal associação? O Senhor mesmo responderá: primeiramente, Ele é Bom Pastor porque dá a Sua vida, ao contrário do mercenário, que se furta a fazer-se um com as ovelhas, inclusive na iminência do perigo, fugindo (cf. Jo 10,11-13); depois: Ele é o Bom Pastor porque, doando-Se, conhece, ‘individualmente’, as Suas ovelhas (cf. Jo 10,14-15).

Creio, caro leitor, que seja conveniente a análise do termo ‘bom’ no grego, cujo idioma o Evangelho foi redigido. Bom, na língua helênica, escreve-se ‘καλός’, que pode ser traduzido por belo. Logo, ao dizer: “Eu Sou o Bom Pastor”, temos, de Jesus, o sentido de Sua beleza, uma referência de Sua perfeição. À ternura do Pastor, há a exigência pertinente a nós: de sermos, em nossa condição de ovelhas, bons e belos na semelhança de Deus, de maneira tal que nos aparentemos com o Pastor. Desta forma, à Sua entrega, caber-nos-á deixar-nos alcançar por Seu amor; ao Seu conhecimento, de permitir-nos à Sua intimidade, que nos perscruta. Se isto não acontecer, estaremos na fatal atitude de desprezar Aquele que veio para salvar-nos e unir-nos a Deus, bem como de unir-nos uns aos outros. O Belo e Bom Pastor, com o báculo de Sua Cruz (cf. Sl 22,4), deseja-nos congregar num único e eterno rebanho, a Sua Igreja, que já singra os mares do mundo até o porto feliz do Paraíso.

Somos frágeis ovelhas. Porém não somos indefesas: o Pastor Bom e Belo está conosco, pacientemente. E quando nos perdemos, sente a nossa ausência, e, incansavelmente, vai à nossa procura até encontrar-nos; e, depois de nos reconquistar, põe-nos aos ombros, sente o nosso calor, o nosso odor, mas, contente, afirma acerca de nós: “Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido” (Lc 15,6). Sim, somos ovelhas frágeis, e a nossa fortaleza está no Pastor, inclusive naquele desejo de nunca nos apartar Dele, de sermos-Lhe configurados. Ser ovelha do Bom e Belo Pastor é ser-Lhe dócil, amigo (cf. Jo 15,15), não numa atitude meramente subserviente, mas, conscientes de tal grande dignidade: ovelhas-amigos, ovelhas-filhos, e isto também nos é um dom porque parte do Seu amor, que nos congrega ao regaço do Seu divino Coração: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato” (1Jo 3,1).

Na bondade e na beleza do Pastor, no esforço de copiarmos-Lhe os Seus atributos de perfeição, haveremos de nos deixar conduzir para o Céu. Portanto, sejam inflamados estes nossos desejos de ovelhas que anseiam prados eternos.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).

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