Maria, a Rosa Mística


O mês de maio é bastante conhecido por algumas alcunhas: mês das noivas, mês mães, das flores… mês de Maria. Ainda que herdemos algumas destas significações de um contexto cultural ou econômico, onde maio é florido apenas na primavera do hemisfério norte, que acalenta, no seu romantismo, o charme da decoração das núpcias; e o mês das mães (baseado no segundo domingo) é uma sugestão do comércio que deseja vender. Apoiando-se na estação primaveril, coadunou-se a Virgem Santíssima a ideia das flores que brotam nos jardins e nas floreiras, pois esta é a época do ano em que os altares e os andores ganham um garbo mimoso e especial, de maneira que, a partir deste dado, podemos fazer uma alusão teológica: Maria é a rosa mística.

A rosa foi convencionada como a flor mais expressiva dentre as demais. Há quem diga que é a mais bonita. Porém, não desejo, neste meu pensamento, entrar nas controvérsias. Mas, da Ladainha de Nossa Senhora (a Lauretânea), termos a invocação: “Rosa Mística”; à qual, igualmente, respondemos: “Rogai por nós”. Se a rosa é a mais expressiva flor, ainda que por convenção, Maria é, no dizer de Santa Isabel, a “bendita entre todas as mulheres” (Lc 1,42); a mais perfeita dentre as criaturas, concluímos. E não convencionalmente, mas por escolha do próprio Deus. Os louvores à beleza de sua alma e à sua singularidade podem já ser vistos no sapiente Cântico dos Cânticos: “És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti” (4,7). Por estes critérios e outros, também únicos, Deus escolhe Maria, tal como numa colheita de flores, escolhemos aquela mais nos agrada o olhar. Citando Raimundo Jordão, o Abade de Celes, Santo Afonso de Ligório repetirá: “Virgem bendita, és formosíssima em todo sentido; em ti não há mancha alguma de qualquer pecado leve ou grave ou original” (Glórias de Maria, Parte II, Tratado I, Capítulo 1, Ponto III).

A rosa, tal como em todas as plantas florescentes, desabrocha o seu botão ao contato com o sol, com a sua luz e o seu calor, demonstrando a sua formosura. E mesmo que nos valhamos desta imagem, ela é insuficiente para demonstrar como a Virgem Maria desabrocha a sua vida, florescendo o seu coração, sob o sol da graça divina. O pai de São João Batista, São Zacarias, no Benedictus, chamará o Cristo-Deus de “Sol nascente que nos veio visitar” (Lc 1,78). Vindo a nós, a vida mais ornada pelos raios de Cristo, Eterno Sol, foi, sem dúvidas, a de Nossa Senhora, porque abriu-se, dilatou-se completamente, Àquele a quem receberia no seu coração e no seu ventre virginais. E como um girassol, a existência de Maria acompanha o caminhar da vida de seu Filho e Deus. Por isso é que, ao lado do qualitativo ‘rosa’, estendemos a Virgem um outro: o de ‘mística’.

E o que podemos dizer dos espinhos que o caule da rosa contém? Segundo a Botânica, os espinhos numa rosácea são ligados ao vegetal de forma tal que, ao retirá-lo, estamos a lhe causar um sério dano. E o que isto tem em comum com Nossa Senhora? Mesmo ornada de graça, sendo escolhida, singularmente, por Deus como ‘Bendita’, em previsão de Cristo e dos seus méritos, a vida da Santíssima Senhora não foi privada de momentos cruciais, que exigiram – e muito – de sua fé. Os sofrimentos, que também fizeram parte do trilhar de Maria, fazem-nos vê-la como Virgem das Dores. E, mesmo chorosa, as suas lágrimas não lhe fazem perder a formosura, porque não se trata de desespero, de falta de confiança ou de desamor a Deus. Antes o contrário: embora enlutada pelo seu Filho, a contemplamos “Rosa Mística”.

Dar uma rosa é um gesto que muito traduz os nossos sentimentos. Também se a concedemos a Maria, porque nos faz falar do amor que a temos. Que se ornem altares, charolas! Entretanto, temos uma rosa imarcescível: a oração. E aqui, faço outra ponte com a vida da Igreja: o Rosário é um conjunto de orações que dirigimos a Deus pelas mãos da Virgem. Por sua vez, as mãos perfumosas de Maria não cessam de oferecer graças a quem medita os mistérios de nossa Redenção. O nome Rosário está ligado à imagem da coroa de rosas. Dizem que o Beato Fra Angélico, enquanto rezava o rosário na rua, viu a Santíssima Virgem, sendo honrada por um grupo de anjos a lhe oferecer canções e louvores, compondo uma coroa de rosas. Surpreso com a visão, interrompeu o pintor renascentista a sua oração, e os anjos pararam o oferecimento. Recomeçando a rezar, viu que as criaturas angélicas recompunham a coroa de rosas para Maria. Instruídos pela visão deste santo homem, demos a Maria o que de mais precioso temos: a nossa fé, caracterizada em nossas preces e louvores; ela que, aparecendo em Fátima, recomendou-nos a récita do Terço para o alcance da paz. A nossa oração àquela que é a rosa magnífica do jardim de Deus é o maior tributo que lhe poderemos render.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição ( Mosqueiro, Aracaju).

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