Maria, Mãe da Misericórdia


Neste findar do mês de maio, convido o ilustre leitor à contemplação da Virgem Santíssima envolta no mistério do amor divino que vem em socorro da fragilidade humana quando do ápice da obra da nossa redenção. E percebendo que o amor de Deus é infinitamente superior aos nossos pecados, chamemos a Sua Mãe e nossa: “Mãe da Misericórdia”.

Valendo-nos de tal atributo, fazemos jus a um título da Toda Santa e Bela Virgem Maria. Somente Ela é a Mãe do “Belo Amor” por ser a Mãe do Cristo. Assim, sendo Deus amor (cf. 1Jo 4,16), e sendo o amor de Deus um sentimento extremo ao qual damos o nome ‘misericórdia’, Maria é Mãe de Misericórdia por ser a Mãe do Cristo Jesus. Ele, ao assumir a nossa humana condição, quando do Seu Natal, se comunica a nós pelo seio virginal de Maria. A partir de tão fecundo ventre, trono límpido de pureza, deseja comunicar, em simultâneo, o máximo sentimento de Deus. Se ser Mãe de Cristo é, dentre os títulos todos de Maria, o de mais elevado teor – pois tudo quanto Ela é provém de Sua maternidade e em previsão dos méritos de Seu Filho –, chamá-la Mãe de Misericórdia, não lhe é enlevo diferente, mas redunda do puro fato de ser Mãe de Deus. Portanto, num primeiro momento, concluímos: Maria é Mãe ‘da’ Misericórdia, porque Deus é misericórdia, sendo Ele amor.

Neste segundo instante, chamemos Maria de ‘Mãe de Misericórdia’, com o sublinhar para a preposição ‘de’ sem a contração de ‘mais a’, para fazer referência à sua compaixão pelos pecadores. Para este atributo (que dimana do primeiro: Mãe da Misericórdia), valer-nos-emos do grande teólogo mariano, Santo Afonso Maria de Ligório. Em síntese, o Santo Bispo de Santa Águeda do Godos brindar-nos-á sumamente ao afirmar que o ofício da Santíssima Virgem no céu é o de compadecer-se dos miseráveis e socorrê-los. Para isto, o Senhor a constituiu Mãe de Misericórdia. Assim, “Depois que a grande Virgem Maria foi elevada à dignidade de Mãe do Rei dos reis, com justa razão a santa Igreja a honra, e quer que todos a honrem, com o título glorioso de Rainha. Mas, não somente de Rainha, senão de Rainha de Misericórdia; porque ela é toda doce, clemente e inclinada a fazer o bem a nós miseráveis”. E continua: “O reinado da justiça, [Deus] reservou-o para si, e o reinado da misericórdia, cedeu-o a Maria, ordenando que todas as misericórdias que se concedessem aos homens, passassem pelas mãos de Maria e se distribuíssem a seu arbítrio, de sorte que o ofício da Virgem no céu é compadecer-se dos miseráveis e aliviá-los”. Dividindo o Reino de Deus em justiça e misericórdia, estas facetas não são antagônicas, diferentes, mas complementares: a misericórdia socorre-nos na justiça, e a justiça ingressa-nos na misericórdia.

Maria poderia negar-nos a misericórdia de Deus? Continuemos com Santo Afonso e teremos a resposta: “Não há perigo de que a nossa Rainha Maria jamais se recuse a ajudar os seus filhos; mas se em algum tempo ela recusasse alcançar-nos de Deus o perdão do castigo, de nós bem merecido, poderíamos também dizer-lhe: ‘Não cuideis, Senhora, que Deus vos elevou a ser Rainha do mundo só para bem vosso, senão também a fim de que, elevada tão alto, possais compadecer-vos mais dos miseráveis, e socorrer a todos os homens que a vós recorrem’”. É interessante notar ainda que Maria, Mãe ‘da’ e ‘de’ Misericórdia, é isenta de pecado. Somente a sapiente providência de Deus poderia fazer tão grande prodígio: colocar como mãe e refúgio dos pecadores, como Sede da misericórdia, uma criatura sem pecado, a fim de acharmos segurança certa pelo seu exemplo de virtudes e por sua intercessão.

O refúgio aos pés de tão doce Mãe e Rainha nos assegura a salvação de Cristo. E ainda que as quedas em nossas tentações nos desanimem, peçamos-lhe que se recorde de nós em sua intercessão materna junto ao seu adorável Filho; nós, seus filhos pequeninos.

Pe. Everson Fontes Fonseca é pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju)

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