Acolher a Palavra e anunciar a Fé


Com a Solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja em todo o mundo também celebra, desde 1967, o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que, nesta feita, já vai na sua quinquagésima terceira edição, sob a temática “‘Somos membros uns dos outros’ (Ef 4,25: das comunidades de redes sociais à comunidade humana”.

Para dar um embasamento teológico à nossa reflexão, recorro, dentre tantos textos possíveis, ao capítulo primeiro do Evangelho de São Lucas, que trata da anunciação do Anjo a Virgem, e a visita desta à sua prima Santa Isabel. Que o meu leitor perceba a ordem dos fatos. Que contemple a Virgem Maria que, tão logo foi sabedora de que seria a Mãe do Messias, do esperado Salvador do gênero humano, não hesitou em arriscar-se para comunicar tal boa-notícia a Isabel, que, naquele momento, representava toda a humanidade. Maria, portanto, acolheu e comunicou a novidade feliz que viria por seu ventre virginal, imaculado, não resguardando para si o tesouro da libertação, da salvação; queria que todos, absolutamente, soubessem da mensagem – o Verbo Encarnado – que acolheu no seu coração, na sua vida, na sua gestação.

Comunicar não é uma exigência para os meios seculares, mas, antes, um imperativo para a Santa Igreja Católica. O próprio Jesus, no momento de Sua Ascensão, deixou esta ordem aos Seus Apóstolos, à Sua Igreja: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28,19-20). No decorrer de sua história, a Igreja-Esposa entende este ordenamento do anúncio. Prova-nos isto a interjeição de São Paulo: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16); e tantos outros testemunhos autênticos – que envolveram até a imolação da vida por derramamento de sangue – ao longo dos séculos. Entretanto, não nos enganemos, o anúncio só aconteceu – e acontece – porque, antes de tudo, houve o acolhimento da Palavra, da Fé.

À medida em que acolhemos a mensagem de Jesus e queremos anunciá-la, estamos propondo aos nossos interlocutores uma acolhida, igual ou superior, como resposta à uma proposição que, antes de ser nossa, é do próprio Deus. Um acolhimento que, constantemente signifique e ressignifique a vida à luz da verdade-Cristo, encontrando – também nas sombras do hoje – a felicidade autêntica, a ser plenificada no Céu, na eternidade. Com este pensamento, o Papa Bento XVI, na mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, que teve lugar em 12 de maio de 2013, afirmar: “Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tato, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso”.

Deus é o Comunicador por excelência, porque o Pai comunica-nos o Seu Filho e, com Este, comunica-nos o Espírito Santo. A Santíssima Trindade comunica-Se ‘à’, ‘com’ e ‘pela’ Igreja, que é canal da comunicação divina. É por isto que o Papa São Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi, dizer: “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição” (n. 14). Em síntese, a Igreja vive e atua para comunicar Deus, que não cessar de comunicar-Se. E como ela o faz? Pelos cristãos, que vivem e atuam no mundo. A Filosofia da Linguagem apregoará, com razão, que o homem é um ser comunicativo. No âmbito da Fé, por que não comunicar o cristão o seu motivo de crer, de viver, Jesus Cristo?

Quanto aos meios para a prática evangelizadora, dispomos de inúmeros, que, por vezes, estão na palma de nossas mãos (Whatsapp, Facebook, Instagram, Twitter, Imo, Rádio, TV…), mas, primariamente, em nosso coração (relações, sorrisos, doçura, gentileza, coragem…). Com todos os meios que dispomos, poderemos falar – e muito! – de Deus, fazendo a revolução de Seu amor neste mundo tão sedento de boas notícias, de Cristo e do Evangelho.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Mosqueiro.

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