O Espírito Santo e Maria


Não poderíamos passar Pentecostes sem notar, ao lado dos primeiros discípulos, tal como descreve São Lucas nos Atos dos Apóstolos, a presença marcante da Mãe de Jesus, a Senhora do Cenáculo. Assim, temos um momento favorável para contemplarmos Maria e a sua relação com a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: o Espírito Santo.

De imediato, vislumbramos esta relação quando rezamos a principal oração mariana da vida da Igreja: a Ave-Maria. Nela, recordando a saudação do Anjo São Gabriel, chamamos a Virgem Santíssima de “cheia de Graça”. Sabemos que a Ave é cheia de Graça porque é repleta, transbordante de Deus (em grego: kekaritoméne). E, esta ligação com o evento Pentecostes, já se faz, por antecipação, realidade na vida de Maria quando de sua Conceição Imaculada. Daí, o profundo Monsenhor Francisco Carvajal, em sua obra ‘Falar com Deus’, frisar: “No dia de Pentecostes, o Espírito Santo, que já habitava em Maria desde o mistério da sua Imaculada Conceição, veio fixar nEla a sua morada de uma maneira nova. Todas as promessas que Jesus tinha feito acerca do Paráclito […] cumprem-se plenamente na vida de Maria”. Quando lemos o episódio do Gênesis acerca da torre de Babel e a sua confusão, que retrata a desarmonia entre a humanidade e Deus quando do pecado, e contrastando a vida de comunhão com Deus da Cheia de Graça, percebemos que, antecipada e veladamente, Maria já vivia o Pentecostes, porque, em toda a sua imaculada existência, Nossa Senhora vivia uma união humanamente perfeita com Deus, porque o pecado nunca lhe roubou de seu Senhor: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Sua vontade” (Lc 1,38).

E o Monsenhor Carvajal continua neste mesmo sentido: “Ela, ‘obra prima de Deus’, fora preparada com imensos cuidados pelo Espírito Santo para ser tabernáculo vivo do Filho de Deus. […] E aquela que estava possuída pelo Espírito Santo e cheia de graça, recebeu [na Anunciação] uma nova e singular plenitude: “O Espírito Santo virá sobre ti e te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1,35). Eis uma ação inédita que o Espírito Santo realiza no mundo, o fato de uma Virgem ser Mãe por causa de Sua força que toma Maria para Si, fazendo com esta conceba, não um simples homem, mas Aquele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Com isto, torna-se não apenas Filha predileta do Pai, como também é feita “Sacrário do Espírito Santo, com o dom de uma graça tão extraordinária que supera de longe todas as criaturas celestes e terrenas” (Lumen Gentium, 53).

A relação Maria e o Espírito Santo não acontece somente em dados momentos sazonais, mas engloba toda a sua peregrinação sobre a esta terra de exílio. Ela cresce, desenvolve-se no amor à Trindade, correspondendo à todas as inspirações e moções do Espírito Santo, sendo-lhe dócil. Nunca resistiu à vontade de Deus, não Lhe negando nada, principalmente a sua vida; cresceu nas virtudes naturais e sobrenaturais continuamente, ainda que fosse repleta de Graça. Que mistério admirável na vida de Maria!

Mas, chegou o grande dia de Pentecostes. Maria, já provada na fé, principalmente pela Paixão, Morte e Ressurreição de seu Jesus, é, no curto espaço de dez dias entre a Ascensão do Senhor e o grande evento da descida do Espírito Santo em línguas de fogo, o grande ponto para o qual os discípulos do Senhor convergiam. No Cenáculo, lá estava em oração, com uma vida que manifestava, como nenhuma outra dentre os presentes, a ação Daquele prometido por Jesus à Sua Igreja: o Espírito Santo. E ainda não exageradamente: Maria revive o Advento, simultaneamente semelhante e diferenciada, é bem verdade, mas o revive. A similitude habita no fato de que, em ambos, estão presentes a oração, o recolhimento, a fé na promessa, o desejo ardente de que este se realize. Porém, enquanto no primeiro Advento [o da gestação de Jesus em seu seio imaculado] a Virgem é a única que vive a promessa realizada; já no espaço da Ascensão até Pentecostes, ela experimenta esta expectativa na companhia dos Apóstolos e das santas mulheres, ou seja, com a Igreja. Pela oração, é Nossa Senhora “quem preside ao nascimento da Igreja no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre os discípulos e vivifica na unidade e na caridade o Corpo místico dos cristãos” (Paulo VI, Discurso, 25 de outubro de 1969), a Igreja de Cristo.

Para prepararmo-nos bem para uma profunda relação com o Espírito Santo, o Paráclito, imitemos Nossa Senhora: isto os Apóstolos entenderam. Daí os vermos ao lado de Maria no Cenáculo, não unicamente nas representações artísticas, mas, principalmente, na Teologia da Santa Igreja.

O padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).

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