A imagem de Deus rumo ao Céu


Hoje, no domingo posterior a Pentecostes, a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade, celebrando, portanto, o seu Senhor e Deus. Mas qual a catequese que a Igreja nos tem a ensinar? Vejamos!

O Bispo de Hipona, Santo Agostinho, em sua obra “Sobre a Trindade” (De Trinitate), tentará conceituar a Santíssima Trindade com uma linguagem simples para o nosso entendimento: “O Pai, o Filho e o Espírito Santo, de uma mesma e idêntica substância [Divina], em inseparável igualdade [nenhuma das Pessoas Divinas é superior às outras; a glória tributada a uma Pessoa é dada às outras…], a unicidade divina [trata-se de um único e mesmo Deus], e, em consequência, não são três deuses, mas um só Deus. E ainda que o Pai gerou um Filho, o Filho não é o Pai; e ainda que o Filho é gerado pelo Pai, o Pai não é o Filho; e o Espírito Santo não é nem o Pai nem o Filho, e sim o Espírito do Pai e do Filho, ao Pai e ao Filho coigual e pertencente à unidade trina” (Cap. IV,7).

Mas, quem é Deus? Inspirado pelo Catecismo de São Pio X, temos um conceito arraigado aos nossos corações acerca o Ser divino, que O trata como Espírito perfeitíssimo. Porém, este qualitativo não deve estar alheio às Suas criaturas, tendo em vista que todo o criado por Deus tem a sua bondade, inerente à natureza que possui, porque resplandece em si, a infinita perfeição do Criador. Daí, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, termos a ordem divina: Sede santos como Deus é Santo (cf. Lv 19,2; 20,7; Mt 5,48; 1Pd 1,16), haja vista que a perfeição é sinônimo de santidade, de perfeição. Sim, somos chamados à perfeição! Somos vocacionados à santidade de Deus!

Ser santo é escutar a voz de Deus para relacionarmo-nos com Ele num processo de intimidade e de comunhão já iniciado neste mundo, mas a ser plenificado no Céu. Assim, a Pátria Celeste designa, como sinônimo, a nossa felicidade eterna junto de Deus. No livro do Deuteronômio, temos a ordem dada por Moisés, relativa à nossa felicidade: “Guarda suas leis e seus mandamentos que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e vivas longos dias sobre a terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre” (Dt 4,40). Moisés refere-se a Canaã; Deus jura-nos o céu, a habitação divina. Mas, não subimos ao céu com as nossas forças, por iniciativa nossa. O Céu é dom. É o Espírito Santo que nos conduz, muito embora conte com o nosso querer, com a nossa abertura. Daí, São Paulo, escrevendo aos Romanos: “Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. [...] E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8,14.17).

Desde a criação, mas, principalmente, pela redenção, somos imagem e semelhança de Deus. Santo Agostinho dirá imperfeita imagem e semelhança da Trindade, “não imagem igual à Trindade, como o Filho é do Pai, mas somente imagem parecida” (De Trinitate, cap. VII, 12). Por isso, para sermos, definitivamente, inseridos à vida Trinitária (e, portanto, divina), deveremos imitar Deus, no esmero em viver na prática da nossa existência e natureza, a Sua perfeição, pois o Apóstolo Paulo nos aconselha: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados” (Ef 5,1); e ainda: “Revesti-vos do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do vosso Criador” (Col 3,10). Para dizer da nossa responsabilidade de viver a perfeição divina consoante à nossa natureza humana, mediante a intimidade que parte da escuta e da experiência com a vontade de Deus, Fonte e Origem de toda a perfeição.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).

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