Como o fiel deve portar-se na Santa Missa? (Parte I)


Ainda na piedade eucarística inspirada pela celebração da última quinta-feira, a Solenidade dos Santíssimos Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, desejo tecer mais esta reflexão com você, ilustre leitor, ainda que, em diversas ocasiões, já tendo sido contemplado pela oportunidade de elencar vários temas que dizem respeito à grandiosidade da Divina Eucaristia, o Sacrifício da Missa, ocorrido, quotidianamente, na vida da Igreja, no Santo Altar. Porém, parece que ficamos com a catequese acerca da sublime realidade do mistério celebrado e adorado na Eucaristia, e não nos damos conta de como vivenciá-lo, inclusive dentro dos nossos templos, das nossas igrejas. Atitudes, por vezes, irreverentes, que podem denotar algum tipo de desrespeito ao que a Igreja tem de maior tesouro: a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar.

No capítulo segundo de sua catequética obra, “As Excelências da Santa Missa”, o santo genovês Leonardo de Porto Maurício, sacerdote italiano dos séculos XVII e XVIII, apresenta o “Método curto e devoto para assistir com fruto à Santa Missa”. Para esta tratativa, recorre aos Padres da Igreja, que muito se empenharam para discorrer sobre o assunto querido por nós. Assim, São Leonardo de Porto Maurício, na perspectiva de que a participação ativa e frutuosa “consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes, diante do altar, como o faríeis diante do trono de Deus, em companhia dos Santos Anjos”, já nos explicita a máxima reverência de postura diante do magnânimo milagre em que pão e vinho deixam as suas respectivas substâncias para se tornarem o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, imolado, presente em nosso Altar como alimento, de maneira verdadeira, tal como nasceu da Virgem Maria Beatíssima, tal como está no Céu, glorioso.

Lendo São João Crisóstomo e São Gregório Magno, Leonardo constata (creio que de maneira que nota o experimentado por ele enquanto fiel e sacerdote), “que, no momento em que o padre celebra a Missa, os céus se abrem, e multidões de Anjos descem do Paraíso para assistir ao Santo Sacrifício”. Acredito que estes três santos, que corroboram a experiência místico-eucarística da Igreja, tenham presente o dito por Jesus a Natanael, Apóstolo (e, portanto, sacerdote), referente à Paixão da Cruz, perpetuada pelo Altar: “Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1,51).

A maneira de contemplar algo celeste diante de nossos olhos, que se crava no tempo e no espaço, inspira-nos à concentração, ao recolhimento, ao respeito “necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos”. Mas, a atenção mister à assistência da Santa Missa, o respeito a ela devotado, prescinde da modéstia e do silêncio. Como somos estrondosos em ruídos na Casa de Deus! Dispersamo-nos da suavidade que a Eucaristia traz consigo por emoções alheias ao que o Cristo nos traz. Emoções prenhes de intimismos subjetivistas, de conversas, de palmas, de acenos, de imodéstias de costume e vestuário… enfim, tudo parece concorrer à nossa distração, grave tentação querida por Satanás para que não aproveitemos, largamente, dos frutos infinitos de cada celebração da Missa, Sacrifício único e perfeito da Ara da Cruz.

Caro leitor, no nosso próximo encontro, desejo tratar ainda sobre a necessidade do silêncio como aliada à espiritualidade eucarística, máxima expressão de fé e de oração da Santa Igreja de Cristo, a Igreja Católica. Até lá!

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju)

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