Maria, rogai por nós, que recorremos a vós!


Tratar Nossa Senhora como advogada é típico da nossa Fé Católica, desde tempos remotos; tão remotos que o próprio Jesus obedeceu à solicitação da Virgem quando das Bodas de Caná, permitindo ser tocado no Seu Coração divino pelo pedido maternal: “Eles não têm mais vinho!” (Jo 2,3). Jesus não apenas obedeceu aos rogos de Sua Mãe, como no-la legou, três anos após, no momento ápice de Sua misericórdia, quando estendido na Cruz, a expirar, entregou-a como nossa Mãe e Patrocínio de todos os cristãos (Jo 19,26).

O grande Bispo estadunidense Fulton Sheen, na sua obra O primeiro amor do mundo, tratando da Virgem Santíssima, chamará a voz de Nataniel Hawthorne, grande escritor dos Estados Unidos: “Invejei sempre aos católicos essa doce e Santa Virgem, que está entre eles e a Divindade, interceptando, de algum modo, o Seu terrível esplendor, mas permitindo ao Seu amor que se derrame, como um rio, sobre os adoradores, de maneira mais compreensiva à natureza humana pela ternura de uma mulher” (p. 296). Sim, Maria é aquela que roga por nós, pecadores, principalmente os que recorremos ao seu perpétuo socorro. Daí é que clamamos: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós!”

Revelou o conhecido exorcista Padre Gabriel Amorth que esta jaculatória, com a qual imploramos os rogos de Maria, reconhecendo a sua Conceição Imaculada, é a mais odiada pelo demônio, porque a serpente hostil se sente humilhada ao ser vencida pela única criatura que nunca foi tocada pelo pecado. Sim, nos momentos de provas, de tentações, recorramos a Maria, e encontraremos o socorro necessário. E neste sentido, o Bispo Fulton Sheen ainda dirá: “Maria nos ajudará. Basta que nós Lho supliquemos. Não existe uma só alma infeliz, um só pecador no Mundo que chame Maria, sem que Ela responda com misericórdia. Todos aqueles que A invocam verão curadas as feridas de suas almas. O pecado é um crime de lesa-majestade, mas Ela é o refúgio dos pecadores” (p. 297).

O diácono do século IV, Santo Efrém da Síria, chamará a Virgem Santíssima de Patrocinatrix damnatorum, ou seja, Patrocinadora dos desgraçados. E ao índio São Juan Diego, a Virgem de Guadalupe reclamará o aparente desespero do humilde indígena: “Escuta-me, filhinho meu, o que te aflige e assusta não é nada. Não estou eu aqui, que sou a tua Mãe? Não estás sob a minha sombra? Não sou eu a tua saúde?”. E a saúde de nossa alma está em Maria Santíssima, porque ela nunca vem sozinha, mas, consigo, traz-nos o seu adorável Filho e nosso Salvador.

Sim, Maria é Mãe dos pecadores, e por todos intercede. No discurso que põe nos lábios de Nossa Senhora, na sua consagrada peça O Auto da Compadecida, o ensaísta brasileiro Ariano Suassuna retrata a grande intercessão de Maria aos pecadores, principalmente nas horas extremas, o que inclui a morte: “Intercedo por esses pobres pecadores, meu Filho, que não têm ninguém por eles. Não os condene. […] É preciso levar em conta a triste condição do homem”. Dizem que Santa Gema Galgani, em uma de suas visões sobre Jesus, intercedia, insistentemente, em favor da alma de um pecador. Ao que Gema Lhe solicitasse, o Senhor enumerava, pormenorizadamente, os abomináveis crimes daquele por quem a italiana pedia. Depois de Nosso Senhor ter recusado três vezes, disse-Lhe Gema: “Então, pedirei a Vossa Mãe”. Ao que lhe respondeu Jesus: “Nesse caso, não posso deixar de te atender”. Uma hora mais tarde, o pecador ia procurar o confessor de Gema e confessava-lhe todas as suas faltas.

Recorrer aos rogos do patrocínio de Nossa Senhora, tal como o fazemos, naturalmente, chamando-a Perpétuo Socorro, é reconhecer a onipotência suplicante que é. Como escutei de alguém certa vez: Maria é todo-poderosa em pedir a Deus. E isto é verdade! Por isso, valendo-nos de tão valiosa prece e recordando a certa intercessão da Virgem, seja este o nosso bordão quando das nossas mais diversas dificuldades, principalmente nos momentos de fortes tentações: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós!".

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju)

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