Vida Religiosa: chamado íntimo para a perfeição


No terceiro domingo de agosto, a Igreja no Brasil faz menção às vocações e à vida religiosa, sejam elas masculinas ou femininas.

Os religiosos se doam, alegremente, com as suas almas e corações enamorados, ao Cristo-Esposo, observando a fidelidade ao Senhor, o seguimento ao Seu chamado: “Vem e segue-me” (cf. Mt 19,21). Buscam viver a intensidade do amor a Jesus e a consecução da Santidade, que brota do Coração de Cristo, em suas vidas. São pessoas que, constantemente, rememoram o conceito de santidade como ascética, na vivência comunitária; ou seja, como um esforçar-se contínuo para viver aquilo que Jesus quer: uma configuração a Si. Afinal, os religiosos escutam o chamado de Cristo e optam por ele.

Podemos dizer mais: os que seguem a vida religiosa entendem que a santidade, que lhes é reservada dentro de um determinado carisma, passa pelo crivo da pobreza, da castidade e da obediência. Mas, o que é um carisma? É a forma de apresentar Cristo pelo estilo de vida e de espiritualidade de uma Congregação, ou também chamado “Instituto Religioso”. Neste sentido, diz a Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II: “Procurem os religiosos com empenho que, por seu intermédio, a Igreja revele cada vez mais Cristo aos fiéis e infiéis, Cristo orando sobre o monte, anunciando às multidões o reino de Deus, curando os doentes e feridos, trazendo os pecadores à conversão, abençoando as criancinhas e fazendo bem a todos, obediente em tudo à vontade do Pai que O enviou. […] Por isso, finalmente, o sagrado Concílio confirma e louva os homens e mulheres, Irmãos e Irmãs, que, nos mosteiros, escolas, hospitais ou missões, embelezam a Igreja com a sua perseverante e humilde fidelidade na mencionada consagração, e prestam generosamente aos homens os mais variados serviços” (n. 46). E, assim, vivem o seu apostolado, o anúncio do Evangelho ao coração de meninos e meninas, de rapazes e moças, de pais e mães, de idosos, sofredores, da sociedade, enfim, do mundo, trabalhando, diligentemente, para salvá-lo.

Um maior ensinamento do que as letras, os números, os saberes das ciências, da hospitalidade, do cuidado com o corpo, os religiosos proporcionam quando manifestam, sem vaidades, discretamente, a caridade de Cristo, através da íntima amizade e do profundo relacionamento para com Ele, a quem O têm por Esposo, figurando a Igreja-Esposa. A espiritualidade é um forte meio de educar e de zelar pelas pessoas. E o que o Vaticano II exorta aos religiosos é a motivação de suas vidas, do seu ‘sim’: “[…] alimentados à mesa da divina Lei e do sagrado altar, amem fraternalmente os membros de Cristo, reverenciem e estimem com espírito filial os seus pastores; vivam e sintam mais e mais com a Igreja e dediquem-se totalmente à sua missão” (Decreto Perfectæ Caritatis, 6).

“Sede perfeitos; sede santos” (cf. Mt 5,48). Inspirados no imperativo de Deus, os religiosos trilham a sua existência, fazendo do próximo, das situações da vida, ao tempo em que eles mesmos são, para todos, ‘escadas’ para o alcance da bem-aventurança eterna, uma íngreme, mas gratificante subida a Deus. Os religiosos são felizes. Bem-aventurança é felicidade; a felicidade dos que amam Deus é fazer a Sua vontade; e, no término dos seus dias, alcançarão a pátria dos santos, dos bem-aventurados, onde gozarão da alegria interminável de Deus, com quem serão santos por todo o sempre. Nele, reinarão porque Nele vivem. O Seu Amor Divino, que os abraça hoje, sempre os alcançará, se estiverem “com os olhos fixos Nele” (Hb 2,12).

Que a intercessão da Virgem Maria, a toda bela, a toda santa, ajude aos religiosos na sua fiel adesão a Cristo e ao Seu estilo de viver. Que ela, modelo para a vida religiosa, criatura bem-amada do Senhor, seja inspiração para homens e mulheres convencidos pelo apelo de Jesus: “Segue-me; sede perfeitos; sede santos”.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).


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