A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo


Ainda no contexto do Mês Vocacional, a ouvir o eco da Semana Nacional da Família, tematizada com a desconcertante indagação “A família, como vai?”, somos chamados a um outro questionamento, proveniente do primeiro: De onde provêm as mazelas que ofuscam a vida familiar ou, o pior, que a desvia?

A primeira resposta que, claramente, pela fé, nos aparece é a culpa do pecado. A família, por ser obra de Deus, é tentada pelo demônio para perverter a santidade querida pelo Criador como critério irrenunciável de felicidade. A iniquidade que, muitas vezes, corrompe a sociedade, faz com que o contexto social seja, em algumas de suas estruturas, prejudicial aos lares cristãos. E, num mundo tão versátil pelos meios de comunicação – televisão, rádio, internet (com as suas redes de relacionamentos) e outros –, propaga-se os contravalores ao Evangelho de Jesus. Há o risco de que as tecnologias, que diminuem as distâncias físicas ou, ao menos, as ameniza, que serviriam para uma ‘cultura do encontro’, faça com que as pessoas estejam, sob um mesmo teto, num ‘aglomerado’ de entes alheios entre si.

Infelizmente, assistimos a atual e perigosa ditadura ideológico-relativista, que inaugura conceitos estranhos à família, incutindo no coração dos indivíduos o ‘joio’ que mina a Sã Doutrina, deixada por Deus, na Sua Revelação, para nutrir, em detrimento, os antivalores com a falsa sensação de querer ser como um deus, numa proposta irresponsavelmente intimista, que derrocará o homem no vale profundo chamado vazio, num processo de falsa liberdade. Com o mote egoísta “Sê livre e faze o que quiseres”, infiltrado na mente de tantos, a família tenderá a tornar-se um apinhado de pessoas vazias no relacionamento e indiferentes entre si. A família, fortemente candidata ao malogro, assiste, boquiaberta, às campanhas sensacionalistas da união homoafetiva, da educação inclusiva à ideologia de gênero, à paternidade irresponsável patrocinada pelos governos, ao divórcio, à falta de dignidade, ao aborto… Enfim: a família, candidata ao seu próprio insucesso, perde a consciência de quem é e qual a sua missão.

Como sabemos, ao dialogar com o mundo, a Igreja salvaguarda a verdade do seu Divinal Fundador (cf. Jo 14,6). Com o Concílio Vaticano II, resposta para o mundo moderno que já ameaçava a primacial instituição familiar, a Igreja sempre buscou satisfazer a complexidade que já se compunha para o horizonte do lar cristão, justamente este, divinamente constituído pelo Matrimônio com a única bênção não “abolida nem pelo castigo do pecado original, nem pela condenação do dilúvio” (cf. Bênção Nupcial). Jesus deixa este mesmo ensinamento para a Sua Igreja, a fim de que ela, continuadora da missão divina de Seu amado Esposo e Fundador, sempre resguarde a doutrina do Matrimônio, como algo sempre atual. Isso porque, tal como Deus é perene, a Sua Palavra e Sua vontade também o são; nunca sendo, portanto, relegada à caduquice. Logo, o Matrimônio não é algo ultrapassado. Neste sentido, o Papa Francisco deixou claro no seu retorno à Roma dos Estados Unidos: “O matrimônio é indissolúvel quando é sacramento; e isto, a Igreja não o pode mudar. É doutrina. É um sacramento indissolúvel”.

O plano de Deus, a verdade, caracteriza-se pelo que é retilíneo e o próprio Jesus bem o dissera (cf. Mc 10,6-8). Portanto, desde a criação, ‘hiper-dignificada’ e explicitada por Nosso Senhor e transmitida à Igreja, a vocação e a missão da família, não só no ontem ou no hoje, mas sempre, serão as mesmas, e somente isto a beneficiará: aquilo que o Evangelho e toda a Sagrada Escritura trazem como conteúdo doutrinal e simultaneamente pastoral para todas as épocas: Deus os fez homem e mulher, que serão uma só carne (cf. Mt 19,5; Gn 2,24). E, neste ser uma só carne, no transbordamento do amor de Deus, que se encarna também na vida matrimonial através da cumplicidade dos cônjuges, há uma abertura para vida, um amor que é capaz de frutificar em um novo ser: os filhos, que, a cada nascimento, se traduzem numa nova aposta de Deus na Sua criação.

Eis a vocação e a missão perenes da família. E se a instituição familiar vai bem, toda a sociedade será transformada, renovada, se santificará pela irradiação do amor, que brota de cada lar cristão, como sinal grandioso no mundo, que carece, também, de esperança.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju).

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