O sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial (Parte 1)


No encerramento do Mês Vocacional, penso que ainda podemos tratar com o nobre leitor de um mais um assunto para desfechá-lo: a partir do único sacerdócio de Cristo, apresentar o sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial, seus aspectos similares e, ao mesmo tempo, distintos de como a vocação se apresenta como desafio de amor. E pretendemos fazê-lo em duas oportunidades. Hoje, falemos sobre o sacerdócio comum, também chamado de universal ou, ainda, batismal.

Primeiramente, creio que seja muito mais do que conveniente afirmar que toda a dimensão vocacional nasce do caráter batismal. Na abertura de sua Primeira Carta aos Tessalonicenses, São Paulo nos dirá: “Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos” (1Ts 1,4). E, sendo escolhidos por Deus, fomos feitos o Seu povo, a porção de Sua herança (cf. Dt 32,9a). Como herança de Deus, estamos - como ainda São Paulo nos diz – “esperando dos céus o seu Filho” (1Ts 1,10). E, nesta expectativa, fomos feitos um reino de sacerdotes (cf. 1Pd 2,9), onde participamos do Sacerdócio de Cristo, cujo sacrifício na Cruz, singular e perfeito, fez, de todos os salvos, sacrifício de suave odor para maior glorificação de Deus.

Quando do Batismo de crianças, ao ungi-las com o Santo Óleo da Crisma, escuta-se da Igreja: “[...] que o Espírito Santo as consagre com este óleo, para que participem da missão do Cristo, sacerdote, profeta e rei. Agora que vocês fazem parte do povo de Deus, sigam os passos de Jesus e permaneçam nele para sempre”. A unção simboliza esta ligação que se dá pelo Batismo com a missão Daquele que é o Cristo porque é o Ungido de Deus Pai com o Espírito Santo; somos ungidos no Ungido. E, assim, nos esclarece o Catecismo da Igreja Católica: “Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja ‘um reino de sacerdotes para Deus seu Pai’ (Ap 1,6). Toda a comunidade dos crentes, como tal, é uma comunidade sacerdotal. Os fiéis exercem o seu sacerdócio batismal através da participação, cada qual segundo a sua vocação própria, na missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei. É pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fiéis são 'consagrados para serem [...] um sacerdócio santo’ (LG 10)” (n. 1546).

Mas, como os leigos, de maneira eficiente, exercem o sacerdócio comum ou batismal? O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, responderá: “O supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar os incita a toda a obra boa e perfeita. E assim, àqueles que intimamente associou à própria vida e missão, concedeu também participação no seu múnus sacerdotal, a fim de que exerçam um culto espiritual, para glória de Deus e salvação dos homens. Por esta razão, os leigos, enquanto consagrados a Cristo e ungidos no Espírito Santo, têm uma vocação admirável e são instruídos para que os frutos do Espírito se multipliquem neles cada vez mais abundantemente. Pois todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo, se forem feitos no Espírito, e as próprias incomodidades da vida, suportadas com paciência, se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (cf. 1 Pd. 2,5); sacrifícios estes que são piedosamente oferecidos ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração da Eucaristia. E deste modo, os leigos, agindo em toda a parte santamente, como adoradores, consagram a Deus o próprio mundo” (n. 34).

No nosso próximo encontro, continuaremos a nossa reflexão. Naquela feita, debruçar-nos-emos no aspecto do sacerdócio ministerial como participação do único Sacerdócio de Cristo, na distinção do sacerdócio batismal. Até lá!

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição (Mosqueiro, Aracaju)

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