A Fé não é sobrevivência

Pe. Cássio S. Souza


É sabido por todos, que o cristianismo, surgiu em meio ao mundo pagão, e tinha todas as características de uma única coisa e até mesmo de algo sobrenatural. Mas quando lemos a História da Igreja também através do estudo, ele não era como nenhuma das outras coisas, e quanto mais o estudamos tanto menos ele se parece com alguma delas. Mas há certa característica bastante peculiar que o marcou do princípio até o presente.


O Cristianismo passou por uma serie de revoluções e em cada uma delas morreu. Morreu muitas vezes e tornou a ressuscitar, pois tem um Deus que sabe como sair da sepultura! Olhando para a história da Europa, que foi virada de cabeça para baixo muitas e muitas vezes, temos um fato extraordinário que marca a Religião Cristã: no fim de cada uma dessas revoluções ela estava outra vez no topo.


A Fé sempre converte sua época, não como uma religião velha, mas como uma religião nova. Essa verdade é ocultada aos olhos de muitos por uma convenção que é muito pouco observada. Essas convenções são compostas por homens que a ignoram e alegam saber especialmente descobrir e denunciar. Eles estão sempre nos dizendo que sacerdotes e cerimonias não são religiosas e que a organização religiosa pode ser uma farsa vazia; mas eles mal percebem como isso é verdade. É verdade que, pelo menos três ou quatro vezes na história do cristianismo, toda a alma parecia tê-lo abandonado, e quase todos no fundo do coração esperavam o fim dele.


O Cristianismo continuou como a religião oficial de um príncipe da Renascença, ou a religião oficial de um bispo do século XVIII, exatamente como uma antiga mitologia continuou como a religião oficial de Júlio César ou o credo ariano continuou por muito tempo como a religião oficial de Juliano, o apostata. Mas havia uma diferença entre o caso de Júlio César e o de Juliano, porque a Igreja já tinha começado seu percurso que parecia estranho. Quando Juliano tratou o cristianismo como se estivesse morto, descobriu que ele havia voltado à vida novamente!


Todos os estágios comuns haviam sido vividos pelo cristianismo: o credo tornou-se algo respeitável e um ritual, depois havia sido modificado e racionalizado, e os racionalistas estavam dispostos a dissipar o que sobrou exatamente com fazem hoje em dia de “modo ad intra”! Quando o cristianismo de repente ressurge e surpreende, como fez na história e fará enquanto o Filho do Homem não vier em sua glória, será sempre tão inesperado como Cristo Ressuscitando dentre os mortos.


Caro leitor, se examinássemos o que está sob a superfície da história, suspeito que acharíamos vários casos em que o cristianismo foi esvaziado pela dúvida e a indiferença, de modo que só sobrava a casca do velho catolicismo assim como subsistiria por tanto tempo a casca do paganismo. Mas a diferença é que, em todos os casos da história em relação à Fé, os filhos eram fanáticos quando os pais haviam sido relapsos.


A Fé não sobreviveu: ela voltou muitas e muitas vezes neste mundo ocidental de rápidas mudanças e instituições constantemente perecendo. A nós, fica o dever de uma resposta, neste século XXI tão conturbado, à pergunta de Jesus: “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Luc. 18,8).


Pe. Cássio S Souza é pároco na Paroquia São José de Anchieta (Conjunto Augusto Franco)

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