A finalidade do envio



Urgente é a presença do Reino de Cristo em todo o mundo, porque, instaurando-o, o Senhor Jesus Cristo quer a salvação de todos, mediante o conhecimento da Sua verdade, da Sua Pessoa (cf. 1Tm 2,4). Conhecê-Lo, mergulhando no Seu amor e na Sua vida, é a única via de felicidade do homem, que nunca consiste na opção dos bens e dos sentimentos passageiros, porque estes escravizam, deformam e matam a integridade de sua alma, porque a maculam.


Escutamos nas linhas do Evangelho de São Marcos: “Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” (Mc 6,7). Aqui, como um cabeçalho, percebemos a finalidade do envio missionário dos discípulos por parte do Senhor: libertar o homem de todo poder e influência do pecado e, portanto, do demônio em suas mais diversas ofensivas aos planos de Deus e à salvação dos redimidos pelo Sangue de Cristo.


Jesus chama os Seus. Aqueles que estavam com Ele, aprendendo os mistérios do Reino nas lições magnânimas brotadas do coração do Salvador, são enviados em atividade missionária, porque missionário por excelência é Aquele que os destina. Cristo é o missionário do Pai, na força do Espírito Divino, porque, enviado, explana a missão que recebeu, levando-a à suma plenitude: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19). Com a Sua chegada, Jesus inaugura o Reino; com a Sua ação e com o envio dos discípulos e, neles, da Sua Igreja como sacramentos Seus, este Reino se difunde eficazmente mundo afora e séculos adentro.


O Senhor envia os discípulos – agora também apóstolos – de dois em dois. Impelido de amor ardente, Jesus, imensamente ansioso para que as pessoas conheçam a proposta amorosa de Deus, despede aqueles homens em duplas para ajudá-Lo a executar tal plano, como dois são os preceitos da caridade. Jesus os manda, concedendo-lhes o Seu próprio poder de Deus, de maneira que as presenças dos discípulos, ministério, palavras, enfim, tudo, eram do próprio Cristo. Assim, também hoje, por todo o mundo, a Igreja é enviada a salvar, e o faz em nome e na autoridade do Senhor. Logo, a Igreja é "vigária" de Cristo e exerce esta sua missão não somente pelos seus ministros ordenados, que agem na pessoa de Cristo, como também na ação e no proceder dos cristãos, pois, como disse Santo Agostinho, “ser cristão não é uma honra, antes, um dever”. Cada um no estado de vida querido por Deus e abraçado por nós como vocação, somos “vigários” de Deus no mundo onde estamos, levando o Senhor para todos os lugares aos quais Ele deve estar (cf. Lc 10,1).


O Evangelho ainda nos apresenta a atitude daqueles que, por primeiro, foram enviados, no cumprimento da meta querida por Jesus, que os chamou e os destinou: “Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo” (Mc 6,12-13). A Igreja, ainda hoje enviada em missão ao mundo até que o Seu Senhor e Esposo volte, está efetiva e concretamente a serviço do Reino, e serve-o com o anúncio que chame à conversão, difundindo, inclusive, por este mesmo mundo, nos seus mais diversos e distantes rincões e situações, os valores evangélicos, preparando-nos todos, pelos meios de salvação, à plenitude escatológica, quando vislumbraremos Deus face a face, reinando, por todo o sempre, no Reino de amor infindo, que já está presente, misteriosamente, entre nós.


Mãos, pés, vozes e atitudes de Cristo e de Sua Santa Igreja Católica, levemos adiante este encargo que recai sobre nós nesta atualidade tão difícil que vivemos. Certos de que esta obra de amor denominada Reino, por mais que trabalhemos arduamente, não é nossa, mas, de Deus, a Quem devemos servir devota e prontamente.


Padre Everson Fontes Fonseca, pároco da paróquia Sagrado Coração de Jesus (Grageru).