• Pe. Everson Fonseca

A promessa do Defensor



Ao preparar o coração dos Seus discípulos para a Sua Páscoa, apresentando como que uma despedida na noite da Quinta-Feira Santa, o Senhor promete que, quando da Sua partida, não nos deixará desassistidos, porque enviará, com o Pai, o Espírito Santo para ensinar e fazer recordar tudo o que disse e fez (cf. Jo 14,26). Assim, a densidade das palavras do Senhor fortalece o que legou à Igreja ao longo dos três anos de Sua vida pública. E são sintetizados não apenas os seus ensinamentos, mas, também, a nossa missão cristã. O Espírito Santo nos auxiliará para que não descuidemos de tão precioso encargo. Mas, por que Jesus chama o Espírito de Defensor?

Diante da querela apresentada pelos Atos dos Apóstolos, onde alguns cristãos provenientes do judaísmo impunham aos irmãos de Antioquia, vindos do paganismo, a circuncisão, temos aquela resposta dada pelo Concílio de Jerusalém, onde os Apóstolos, solenemente, se pronunciaram: "Nós e o Espírito Santo decidimos não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas" (At 15,28-29). O que o Concílio de Jerusalém fixou foi o que São Paulo irá dizer mais tarde, como que em síntese: "Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, com o qual fostes marcados para o dia da redenção" (Ef 4,30). Não contrariar a instrução Daquele que nos foi enviado para nossa orientação.

Defensor, do grego "Paráclito", pode ser traduzido ainda por Consolador. O Catecismo da Igreja Católica, nesta tratativa, afirma: "Depois da Páscoa, o Espírito Santo estabelecerá a culpabilidade do mundo a respeito do pecado, a saber, que o mundo não acreditou naquele que o Pai enviou. Mas esse mesmo Espírito, que revela o pecado é o Consolador que dá ao coração do homem a graça do arrependimento e da conversão" (n. 1433). Ou seja: avaliaremos sob a iluminação da nossa consciência pelo Espírito Santo se o nosso agir se pauta pela fé ou não. E caso não o seja, encorajados pelo mesmo Paráclito, num processo de mudança de mentalidade, iniciado pelo pesar do pecado, buscarmos a reconciliação com Deus, chamada por Jesus de paz (cf. Jo 14,27), que Ele mesmo doará, principalmente pela via dos Sacramentos. Logo, tal como a fórmula da absolvição na Confissão elucida, o Espírito Santo é enviado para a remissão dos pecados. Esta mesma informação teremos quando, após o Ressuscitado aparecer aos Onze, desejando-lhes a paz, soprar sobre os presentes e dizer: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos" (Jo 20,22-23).

Nestes tempos calamitosos que atravessamos, deixar-se defender pelo Espírito Santo é se permitir viver de acordo com o discernimento necessário para distinguir o que é de Deus e o que não é. Esta ciência é a assistência que Jesus, em Seu próprio Nome e no do Pai, nos garante pelo Espírito. E, mais uma vez, o Catecismo expõe: "Os últimos tempos, que estamos vivendo, são os tempos da efusão do Espírito Santo. Trava-se, por conseguinte, um combate decisivo entre a 'carne' e o Espírito" (n. 2819).

Que o Paráclito, o Defensor, habitando em nós desde o Batismo, seja escutado por nós nas Suas moções para o nosso bem, correspondendo à graça divina, que nos elegeu para tão grandioso dom: o Céu de Deus. E que, afastada toda a distração que nos impede na observância dos mandamentos do Senhor, zelemos para que o nosso ser seja sempre morada digna de Deus pelo Espírito Santo.

Padre Everson Fontes Fonseca é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Mosqueiro (Aracaju).

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