A teimosia de ser e viver como CEBs

Pe. José Soares


Em tempos de pandemia todos e todas sofremos com as dificuldades da distância e das atividades que tínhamos e temos para realizar em nossas comunidades. O caminho das CEBs sempre passa pela luta e pela mística e, envoltos com tantas incertezas, precisamos nos fortalecer e criar laços, mesmo distantes, para ajudar a manter viva nossa esperança: “E a esperança não decepciona” (Romanos 5,5).


Também queremos recordar alguns fundamentos que nos alimentam como agentes das CEBs e povo de Deus que caminha. “Sofremos de teimosia” e somos filhos(as) da Igreja, confirmando nossa luta e mística com elementos da história das conferências do episcopado da América Latina.


Em Puebla (1979) os bispos afirmaram: “Os cristãos unidos em comunidade eclesial de base, fomentando sua adesão a Cristo, procuram uma vida mais evangélica no seio do povo, colaboram para questionar as raízes egoístas e de consumismo da sociedade e explicitam a vocação para a comunhão com Deus e com os irmãos, oferecendo um valioso ponto de partida para a construção duma nova sociedade, “a civilização do amor” (Puebla, 642).


No Documento de Aparecida (2007) lemos: “Nesse contexto, é um sinal de esperança o fortalecimento de várias associações leigas, movimentos apostólicos eclesiais e caminhos de formação cristã, comunidades eclesiais e novas comunidades, que devem ser apoiados pelos pastores” (DAp, 214).


No texto acima encontra-se uma porta de reflexão sobre o papel legítimo do laicato e o pontificado enriquecedor e profético do papa Francisco. Os leigos nas CEBs são maioria e ajudam-nas a serem missionárias. E mais, o papado de Francisco tem sido a grande oportunidade para desclericalizar a cabeça de muitos leigos e leigas e de questionar as atitudes “mandatárias” do clero. Mesmo assim, sentimos que perdura a mentalidade de infantilização nas nossas igrejas particulares.


Esse retrocesso precisa ser combatido com a inserção dos leigos na vida das comunidades e com renovado amor e devoção aos beatos e beatas, aos santos e santas que foram luzeiros na vida dos pobres, a exemplo de Antônio Conselheiro, Zé Lourenço ou Maria de Araújo e outros. Também cresce a devoção a São Oscar Romero, aos santos mártires do Rio Grande do Norte dentre outros.


Para concluir, estamos em sintonia com o Regional NE III e há mais de 20 anos participamos ativamente dos encontros e das Ampliadas do Regional. Em Sergipe realizamos três e com excelente participação: em 2008 na cidade de Cristinápolis com assessoria do amado padre José Comblin, em 2015 na cidade de Aracaju, com a honrosa assessoria de Frei Luciano, OFMConv e em 2019 em Aracaju com assessoria do prof. Romero Venâncio da UFS e da missionária e assessora das CEBs Monica Mugller. Sempre atentos ao chamado do Deus justo e santo, estamos amadurecendo alianças profundas com a PJ.


Desde o ano passado eles e elas caminham conosco para esses encontros e, em fevereiro deste ano de 2020, fomos para Ampliada de Juazeiro-BA, com a companhia de Raoni, jovem que foi batizado numa roda de CEBs e continua vivo e feliz no caminho das comunidades (sobre Juazeiro iremos aprofundar o tema no próximo texto). Na força do axé e da paz de Santo Oscar Romero, mártir da Igreja, caminhemos com teimosia e esperança.


Padre José Soares é pároco da paróquia São Francisco de Assis (bairro Santos Dumont) e

Assessor das CEBs na Arquidiocese de Aracaju