Alegrar o Coração de Jesus



Na maioria das vezes que pensamos sobre Jesus, queremos expor as nossas situações. Contamos a Jesus o que estamos enfrentando, pedimos ajuda para superar as dificuldades inesperadas, e aquelas que foram preparadas por nós, pelas nossas ações ou omissões. É natural que tenhamos pedidos para apresentá-los a Jesus. Ele mesmo nos diz: “pedi e recebereis”. Contudo, permanece aberta a questão: Como está Jesus? Provavelmente, esta não é a pergunta do ano. Nem mesmo se trata da pergunta que repetimos mais vezes ao longo do dia. Talvez não seja a pergunta mais repetida nos grupos paroquiais, na diversidade das realidades pastorais.


Em suma, partimos de um pressuposto que está tudo bem com Jesus, sentado à direita do Pai, no esplendor da sua glória. Tal pressuposto é perigoso, se for compreendido de modo equivocado, não podemos conceber Jesus como um insensível, para o qual tudo está bem, independente das nossas ações. É possível entristecer Jesus. Por amar sem limites, Jesus sabe o que é a tristeza de não ser acolhido nos corações. Jesus conhece de perto a tristeza de nos conceder as graças que precisamos, e não cuidarmos do tesouro precioso das bênçãos divinas que enriquecem a nossa vida.


Jesus, o Verbo que se fez carne para morar com a gente, sabe o que é ser Palavra desprezada, em prol de palavrinhas aparentemente mais convincentes, de cartas e astros. Somente Jesus é o astro-rei que ilumina a existência humana.


Jesus não conheceu o sabor amargo do fel apenas no madeiro da cruz, pois já sabia o que significava ser traído pelos amigos mais próximos. Jesus revelou aos discípulos, os mistérios da Palavra e da missão redentora. E mesmo assim, traçaram outros planos. Judas vendeu Jesus por algumas moedas, e Pedro afirmou que não o conhecia. Não podemos somente apontá-los como culpados, sem perceber que incorremos nos mesmos erros. Vendemos Jesus, quando o trocamos por pacotes de discórdias. Traímos Jesus, quando o desapontamos, contrariando seu amor e perdão.


Nesta semana santa, queremos que a nossa vida seja motivo de alegria para Jesus. E Maria Santíssima é nosso grande modelo. A Mãe encontrou o Filho no caminho do Calvário para consolá-lo. E hoje, consolamos Jesus com a oração, as obras de caridade e a gentileza, raras na convivência diária, pois afastando-nos de Jesus, nos afastamos uns dos outros.


Maria, a Mãe Consoladora, é a discípula fiel que permaneceu ao lado do Filho aos pés da cruz. Alegramos Jesus quando somos fiéis aos seus mandamentos nas pequenas e grandes circunstâncias do cotidiano. O mandamento novo é a síntese dada por Jesus, que abrange a profundidade da sua Palavra. Quando procuramos amá-Lo acima de nós mesmos, e ao próximo, a nossa vida é uma bela causa de alegria. Com Maria, Senhora Aparecida, rezemos: A minha vida alegra o Coração de Jesus.


Padre João Claudio é pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida (Bairro Farolândia).