Aos padres, de ontem e de hoje, dedico minha humilde prece



O sacerdócio de Cristo me devolveu o coração. Fez-me humano. Ainda me humanizando. Se pudesse escrever ao Papa Francisco, ao modo do Cardeal Hummes (in memoriam), que disse quando da sua eleição ao pontificado na sacada da basílica vaticana: "não esqueça os pobres, Santo Padre", diria a Francisco: obrigado por humanizar os padres. Obrigado por dizer que nós não somos heróis, não somos anjos, não somos tão virtuosos assim. Precisamos de mãos estendidas e compaixão. Obrigado por seu coração de carne. Seu Coração de Pai. Obrigado por não esquecer dos padres!


As vezes, tenho a impressão que o sagrado de hoje não humaniza o coração, petrifica. Hoje, minha prece incompleta é de gratidão a tantos irmãos padres que passaram no chão pobre das nossas vidas. E a outros tantos que vão passar.


A visão muito pietista da vida e do sagrado desvirtua o conceito de santidade e sacerdócio. A raiz do cristão é Cristo. O sacerdócio é serviço. O pleno habita em nós. Mas não somos plenos. O nosso amor é vacilante, o nosso sim, a nossa oferta. E aí está a dádiva da nossa oferta. Humana e incompleta.


Rezei esses dias o meu tempo. Descortinei o meu chão. Deixei-o nu. Despir-me das capas duras que a Igreja, minha Mãe, nunca me vestiu. Eu tinha algumas ilusões. Doces e belas. Mas precisei me despir para ser apenas um padre ao modo de Jesus. Humano, humano, humano.


As cargas que queremos colocar no coração dos nossos irmãos consagrados não são justas. E não é justo da nossa parte querer ser quem Jesus não foi. É, meu povo, peço uma prece humana pelo serviço que a Igreja nos pediu. Servir. O resto é conto de fadas. Sopro que passa.


Não queria pedir muito aos amigos (as): apenas que respeitassem os padres como eles são: consagrados cheios de dilemas como os seus. Pensamos o sacerdócio desencarnado de quem somos. E isso pode adoecer o padre e o povo.


Qual é a visão de Igreja que temos? Como anda nossa comunhão com a Igreja? Ainda cremos na Revelação? Na Tradição? No Magistério? Não podemos esquecer que o que faz a vida palpitar é o Amor. E quem não ama não é pleno em nada. Seja padre ou não. E não confunda amor com moralismo. Os "ismos" indicam ausência de amor, de reconciliação. Podem ser setas sinalizando que nosso coração adoeceu, se fechou ao amor e ao ser amado.


"Eis a mais bela profissão do homem: rezar e amar." (S. João Maria Vianney). Ser humano... eis a minha prece. Padre, obrigado por ser quem és! Seja quem for, és um humano grande. E isso fará grande diferença. Rezo por ti. Quem és? Tudo e nada...


Dedico minha humilde prece aos padres da minha amada Arquidiocese de Aracaju. Gratidão pela vida ofertada dos senhores. E ainda aos padres além-mar, gratidão.


Que no chão desta Arquidiocese surjam novas vocações sacerdotais e religiosas. Intensifiquemos neste mês vocacional a oração pelas vocações: “Divino Salvador Jesus Cristo...”.


Pe. Anderson Gomes, pároco da paróquia São Pedro Pescador (Bairro Industrial).