Cônego Raimundo Cruz, 80 anos



A Arquidiocese de Aracaju foi, ao longo dos tempos, agraciada com grandes vultos do seu notável Clero. Alguns distinguiram-se pela intelectualidade, outros, pelo saber especializados em outras áreas do conhecimento. Poucos se destacaram pelo elã pastoral, com uma exímia dedicação ao Povo, nas paróquias por onde passaram. Entre estes figurou o Cônego Raimundo Cruz, de saudosa memória.


Homem de baixa estatura, com uma tez sisuda, olhar penetrante, estava sempre correndo, num frenesi meio fora do normal. Ordenado presbítero a 11 de abril de 1971, primeiro a ser ordenado por D. Luciano Duarte, Raimundo tivera sua formação, em Recife, sob os auspícios de Dom Hélder Câmara, custodiado por Dom Távora, seu Arcebispo.


Seus primeiros passos se deram nas paróquias de Divina Pastora, Santa Rosa de Lima e Siriri, onde empreendeu um profícuo trabalho social, edificando creches, casa de parto, escolas, alem de favorecer sólida formação cristã às crianças, aos jovens e aos adultos dessas comunidades. Isso é tanto verdade que os edifícios ainda estão lá, para servirem de testemunha. Bem assim, as pessoas que o alcançaram relatam casos importantes que se deram com o seu paroquiano: menino nascido no seu carro, semanas missionárias, festas de padroeiros e o início da peregrinação ao Santuário de Divina Pastora, aberta ao povo, em 1971.


Depois de passar por Roma, para um curso de Espiritualidade, quando já era, também, responsável pela Paróquia de N. Sra. das Dores, que incluía Cumbe e Feira Nova, foi transferido para Aracaju, onde assumiu a reitoria do Seminário Menor. Era homem de poucas letras, mas de muita sabedoria prática, de grande coragem e determinação.


Assaz criticado por métodos rígidos, teve, anos depois, de assistir a situações bem semelhantes praticadas por sacerdotes, ex-alunos ou não, que acabaram por se inspirar naquele que tinha o "coração de mãe, mas a mão de ferro", conforme ele próprio se definia.

Em Aracaju, foi pároco de São Pedro Pescador, São Pedro e São Paulo, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora Rainha do Mundo, dando assistência ao atual Santuário de Aparecida, no Bugio, e à Paróquia Sagrada Família, no Sol Nascente. Depois, assumiu Sagrado Coração de Jesus, São José Operário e, de novo, São Pedro e São Paulo, numa época em que seu estado de saúde já não o ajudava.


Aos oito de julho de 2014, partiu para o encontro definitivo com o Sumo e Eterno Sacerdote a quem ele tanto amou e por quem se entregou. É pouco referendado, porque incomodou a muitos. É pouco valorizado por quem veio depois. As razões são óbvias: poucos padres se dedicaram tanto quanto ele. Possuía falhas, é verdade, como qualquer mortal, mas era um homem de coração reto e de boa vontade.


Talvez, sem qualquer exagero, possamos dizer que Raimundo Cruz foi um grande, se não o maior, missionário que a Aracaju conheceu em seu respeitável Clero. Ele desbravou caminhos, construiu igrejas de pedras e de pessoas, e cuidou do social. Nisso foi de se lhe tirar o chapéu.

Hoje, ao ensejo de seus oitenta anos, se vivo estivesse, certamente uma festinha marcaria a data, dentre os poucos amigos que se preservam na velhice. Mas, na Eternidade, celebra a Plenitude da Vida, num Festim Eterno e Pleno, onde não mais há dor, fraquezas ou indisposições. O certo é que ele passou por aqui, à guisa de grande pastor e missionário, obreiro do Senhor.


Que o Cônego Raimundo Cruz seja recompensado por seus grandiosos feitos, dentre os quais, a Escola de Teologia Santa Maria, que o bairro Grageru viu nascer, crescer, mas, com a saída desse sacerdote daquela paróquia, viu também fenecer a passos largos.


Cônego Raimundo Cruz é uma figura que deve ser constantemente relembrado, pois sua memória ilumina, inspira e desperta, no coração de muitos religiosos e religiosas um ZELO especial pela Igreja de Cristo. Repouse em paz Servo Bom e Fiel!