Como respeitar o Dia do Senhor em uma sociedade tão ativista?

Pe. Jhonatan Michael


No centro da fé Cristã Católica está o respeito por aquele dia que é chamado “do Senhor”. Este dia é o domingo, pois, foi neste dia que Cristo Ressuscitou, inaugurando assim à nova criação (cf. CIC. 2174). Documentos do cristianismo primitivo mostram que essa tradição de dedicar o dia de domingo ao Senhor é realizada desde o início do cristianismo: “Reunimo-nos todos no dia do sol, porque é o primeiro dia em que Deus extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, nesse mesmo dia, Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos”. (S. Justino, Apol. 1,67). A Tradição da Igreja confirma essa prática durante toda sua história, e nos dias atuais ainda é assim.


O coração do homem naturalmente pede que ele dedique um tempo para entrar em intimidade com Aquele que o criou. Nesse contexto, o domingo possui especial importância, como destaca o Catecismo da Igreja Católica: “A celebração do domingo observa a prescrição moral naturalmente inscrita no coração do homem de ‘prestar a Deus um culto exterior, visível, público e regular sob o signo de seu benefício universal para com os homens’”. (CIC. 2176). A Igreja sempre colocou o domingo no centro de sua vida, e nele a celebração da Eucaristia como preceito e ápice: “O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência.” (CIC. 2177).


O “dia do Senhor” nos é dado para a oração e o repouso, neste contexto, a Tradição da Igreja aconselha que ele seja vivido da seguinte forma: “Vir cedo à Igreja, aproximar-se do Senhor e confessar seus pecados, arrepender-se na oração... Participar da santa e divina liturgia terminar a oração e não sair antes da despedida”. (Pseudo - Eusébio, dom. p. 86/1, 416.421).

A vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso, sendo assim, o “dia do Senhor” também chama a atenção dos seres humanos para a necessidade de separar um dia durante a semana para o seu descanso e vivência familiar: “A instituição do dia do Senhor contribui para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficiente que lhes permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa” (CIC. 2184). Durante o domingo e os dias de festa de preceito, os fiéis devem evitar os trabalhos que os impeçam de dar o louvor devido a Deus e o descanso necessário para o seu corpo, porém, se houver a necessidade de realizar um ato por conta de uma necessidade familiar justa ou uma grande utilidade social pode-se abdicar do preceito do repouso dominical. (cf. CIC. 2185).


Não restam dúvidas de que guardar o dia do domingo para o Senhor é um preceito de extrema importância para os cristãos católicos. No entanto, os cristãos atuais vivem em uma sociedade pós-moderna que a cada dia se importa menos com Deus e prega a necessidade do trabalho para a obtenção de lucro acima de tudo, não dando também muita importância para o descanso que é de direito e ao qual tem necessidade todo ser humano. Neste contexto, surge a seguinte pergunta: “Como respeitar o dia do Senhor em uma sociedade tão ativista como a nossa?”.


A palavra “prioridade” é de grande importância para responder esta pergunta. De fato às vezes não sobra tempo nem para “respirar direito” na correria do nosso dia a dia, mas, se pensarmos bem perceberemos que na realidade não sobra tempo para aquilo que não é “prioridade” na nossa vida.


O dia possui 24 horas e a semana 168, de todo esse tempo o que o Senhor nos pede é que dediquemos somente 24 horas para estar mais com Ele, com a família, para descansar, e destas 24 horas somente uma hora para participar da celebração da Eucaristia dominical que dura mais ou menos esse tempo. Sendo assim, das 24 horas que se compõe o “dia do Senhor” 23 servem para nos dedicarmos mais a nós mesmos pelo descanso e contato com a família e somente 1 hora é que o Senhor, de fato, exige para Ele.


De fato, “prioridade” é a palavra certa para tratar deste assunto. O jornalista e apresentador de TV Pedro Bial, certa vez falou algo interessante sobre este tema “prioridade”, ele disse: “Não existe falta de tempo, existe falta de interesse. Por que quando a gente quer mesmo, a madrugada vira dia, quarta-feira vira sábado e um momento vira oportunidade.” (Pedro Bial).

Desde os primórdios do cristianismo os cristãos precisaram enfrentar as dificuldades da sociedade em que estavam inseridos para manterem-se fieis a sua fé. A carta a Diogneto, um documento antigo que relata a vivência dos primeiros cristãos os coloca como aqueles que vivem na sociedade em que estão inseridos, mas, de forma diferente, ou seja, possuem as mesmas obrigações sociais que todos, porém, não esquecem de priorizar aquilo que é exigido para a vivência da sua fé, uma vez que possuem consciência de que sua verdadeira pátria é o céu. (cf. Carta a Diogneto).


Sendo assim, para se viver aquilo que exige o terceiro mandamento, ou seja, ter um dia dedicado ao Senhor é necessário primeiro que se viva o primeiro mandamento “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Só se dá prioridade aquilo que se ama, uma pessoa apaixonada rompe qualquer barreira para estar com o seu amado. Assim, o que o homem pós–moderno precisa fazer para conseguir respeitar o dia do Senhor é ter um encontro pessoal com Deus tão forte e marcante que o possibilite ser apaixonado por Ele, de modo que Ele passe a ser a “prioridade” de sua vida.


Pe. Jhonatan Michael é reitor do santuário arquidiocesano de Nossa Senhora Divina Pastora (Divina Pastora-SE)

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